FNM produziu de tudo: Motores de avião, geladeiras, caminhões e até carros

por Blog do Caminhoneiro

Aqui no Blog do Caminhoneiro, contamos por diversas vezes capítulos da história da Fábrica Nacional de Motores, a gigante estatal que nasceu em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, para a produção de motores aeronáuticos. Como a guerra chegou ao fim e os motores ficaram obsoletos, então, o que fazer com todo o parque industrial?

Durante alguns anos, foram produzidas peças para indústrias, motores de geladeiras, bicicletas, com possibilidade de montagem de jipes Willis e até caminhões Mack, além de tratores. Em 1949, a empresa encontrou um rumo certo, a produção de caminhões. Em parceria com a Isotta Fraschini, da Itália, a FNM montou, em CKD, 200 unidades do D-7.300. Depois vieram os Alfa Romeo D-9500, e por aí vai.

Mas, além de toda essa história, a empresa fabricou automóveis, um segmento onde nunca teve um sucesso expressivo. O nascimento dos carros FNM foi em 1960, com a aprovação do projeto Fabral (Fábrica Brasileira de Automóveis Alfa), aprovada pelo Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), em 1957.

Esse projeto previa a nacionalização do Alfa Romeo 1900. Quando a Fabral desistiu desse projeto, a licença foi transferia para a FNM, que iniciaria a produção do seu primeiro automóvel, o FNM 2000, apelidado de JK, em homenagem ao presidente Juscelino Kubitschek.

O carro era uma versão brasileira para o Alfa Romeo 200, apresentado em 1957 pela marca italiana, sendo o primeiro carro de luxo fabricado no Brasil. Além do design, inédito no país, o veículo tinha qualidade e acabamento até então nunca vistos por aqui, com mecânica robusta e diversos itens de segurança.

O carro era o primeiro a ter pneus radiais, caixa de cinco marchas sincronizadas, tambores de freio aletados de alumínio, embreagem de acionamento hidráulico, sistema elétrico de 12 V, luzes indicativas de nível baixo de combustível e ventilação forçada. Conta-giros e volante tinham formato de cálice, a carroceria era monobloco e a suspensão era por molas helicoidais em todas as rodas.

Além disso, o carro tinha o encosto do banco dianteiro, que era inteiriço, totalmente reclinável, luzes de leitura com foco orientável, ar quente e desembaçador, luzes no porta-malas e capô e espelho de cortesia no para-sol, com a alavanca de câmbio na coluna de direção.

No motor, o carro era equipado com cabeçote de alumínio, com duplo comando de válvulas acionado a corrente, câmara de combustão hemisférica e válvulas de exaustão refrigeradas a sódio. A velocidade máxima era de 155 km/h, então o automóvel mais veloz produzido no Brasil.

Eram 95 cavalos de potência no motor e 1.975 cm3, com carburador duplo, e a tração era traseira. Junto com o JK, foi apresentado o novo logotipo da FNM, inspirado no escudo da Alfa Romeo.

Apesar de tudo o que o carro deveria ser, a montagem nacional não era tão boa, apresentando problemas de qualidade, e faltava assistência técnica. Além disso, o valor era alto, já que o índice de nacionalização era baixo. Até 1967, foram produzidos, na média 330 unidades do automóvel por ano, muito abaixo das esperadas 2 mil.

Mesmo com os problemas enfrentados pela FNM, que era mal gerenciada, por ser estatal, o modelo se saiu muito bem em competições, em provas entre 1960 e 1962, nas mãos de pilotos como Chico Landi, Camillo Christofaro, os irmãos Varanda e Christian Heins. Entre as provas vencidas estão as Mil Milhas Brasileiras (1960), duas edições das 24 Horas (1960 e 61) e duas das 12 Horas de Interlagos (62 e 63) e as 12 Horas de Brasília de 1963.

No ano de 1964, com a mudança para o governo militar, Juscelino Kubitschek perdeu seus direitos políticos e o automóvel se tornou somente FNM 2000, perdendo o JK do nome.

Além do FNM 2000, no Salão do Automóvel de 1964 a FNM apresentou o 2000 TIMB (Turismo Internacional Modelo Brasil), com maior potência e outros itens de acabamento diferentes do 2000.

No ano de 1965, a montadora já buscava parcerias internacionais para a produção de um modelo de automóvel popular, e tentou com as marcas Morris, NSU e Renault. Também nessa época foi apresentado o esportivo Onça, um carro desenvolvido por Rino Malzoni, construído sobre a plataforma encurtada em 22 cm do TIMB, com carroceria de fibra de vidro, inspirado no Ford Mustang.

A carroceria era construída em Matão (SP) e artesanalmente complementada na fábrica da FNM, fora da linha de montagem normal. O primeiro protótipo ganhou quatro faróis e linhas laterais grosseiras.

O modelo final, com estilo bastante melhorado, apenas dois faróis e acabamento interno bem cuidado, foi apresentado no V Salão do Automóvel, no final de 1966, e tinha carburação dupla, 115 cv e (freios a disco na frente com assistência a vácuo como opcionais. Somente oito unidades foram fabricadas.

No ano de 1967, a FNM iniciou testes com um Citroën 2CV AZAM, que foi importado da França e usado pela montadora para desenvolvimento. As empresas previam o início da produção em massa para 1969. Como a montadora foi privatizada em 1968, o projeto foi abortado. Histórias dizem que esse 2CV ainda existe, e estaria no Rio de Janeiro.

Em 1971, já sob o controle da Alfa Romeo, a FNM solicitou a Toni Bianco a construção de um carro tipo GT. Nascia o Fúria GT, um modelo 2+2, construído sobre a plataforma do Alfa Romeo 2150 mais curta. Com 130 cavalos de potência, ótimo acabamento e conforto, painel completo e outros detalhes muito interessantes, como bancos concha com acabamento em couro e vidros verdes.

O modelo chamou muito a atenção no VIII Salão do Automóvel, em 1972, mas nunca entrou em produção definitiva.

Em 1974 era lançado o Alfa Romeo 2300, que sofria dos mesmos problemas dos automóveis FNM 2000, citados acima. A produção acabou totalmente em 1985, quando a FNM fechou as portas.

Durante os anos em que produziu automóveis, a FNM fabricou 28.480 unidades, sendo a grande maioria do modelo Alfa Romeu 2300. Apesar de tentar, a montadora nunca conseguiu produzir a quantidade imaginada dos carros, e se destacou mesmo nos caminhões.

Rafael Brusque- Blog do Caminhoneiro | Com informações de Lexicar

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2 comentários

Raul 16/11/2021 - 14:38

Parabéns pela exelente matéria!

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Ricardo Cardoso 10/11/2021 - 08:56

Nunca vi uma Geladeira fabricada pela FNM.
E o Blog pecou um pouco em ter mencionado, e não ter feito essa publicação, mesmo que o Blog tenha outro direcionamento.
Nada que não possa ser corrigido.

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