Por que as carretas norte americanas não tem chassi?

Você já deve ter percebido essa diferença entre os implementos produzidos nos Estados Unidos e os fabricados no Brasil. Por aqui, a maioria das carretas tem longarinas de chassi em toda a sua extensão, com exceção de carretas tanque, que podem ter o chassi separado em duas sessões, uma para a suspensão e outra para os pés e o pino-rei.

Já, nos Estados Unidos, muitos tipos de implementos são apenas “caixas com rodas”, principalmente modelos tipo baú, conhecidos por lá como dry van, que transportam cargas secas.

Para esses implementos, existe uma sessão curta de chassi onde a suspensão traseira vai fixada, geralmente de apenas dois eixos, e o engate e os pés são fixados na estrutura da própria carreta. O mesmo ocorre com outros tipos de implementos, como tanques e refrigerados.

Isso ocorre porque o baú, construído totalmente em alumínio, ou o tanque, é parte estrutural da carreta, e o peso transportado não é tão alto, geralmente limitado a 36 toneladas (80 mil libras) de peso bruto total combinado. Além disso, a maioria das estradas onde essas carretas circulam tem o pavimento em ótimas condições, reduzindo vibrações e solavancos.

Isso garante que a estrutura seja rígida o suficiente para suportar a carga transportada, além de garantir o menor peso possível do implemento, para maximizar a carga sem exceder o limite de 36 toneladas brutas.

Implemento tanque com chassi parcial

Mas, outros tipos de implementos, como os baús lonados, conhecidos nos EUA como conestoga, modelos prancha (flat bed), contêiner e madeireiros, ainda possuem longarinas estruturais em todo o comprimento, já que esses modelos não possuem laterais fixas que possam integrar a estrutura dos implementos.

Existem problemas

Como a caixa de carga se torna a única estrutura do implemento, em caso de transporte de cargas com peso concentrado, buracos ou trepidação excessiva, podem causar o colapso da estrutura, fazendo com que o implemento se dobre no meio.

Esse tipo de problema também ocorre durante nevascas, quando grandes quantidades de gelo ficam sobre a estrutura do teto do implemento, que pode se quebrar.

No Brasil não dá certo?

Para resumir, a resposta é não. Boa parte das cargas transportadas no Brasil superam o peso de 36 toneladas brutas, e a qualidade de muitas rodovias não é das melhores. Por isso, apenas alguns segmentos muitos específicos conseguem ter carretas sem chassi em toda a sua estrutura, como é o caso dos tanques.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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