Como a imigração poderia resolver o problema de falta de caminhoneiros nos Estados Unidos

por Blog do Caminhoneiro

Recrutar 1 milhão de novos caminhoneiros nos próximos dez anos. Esse é o desafio das milhares de empresas de transporte e de gestão de mão de obra nos Estados Unidos, para suprir a carência de caminhoneiros, especialmente pelo crescimento da economia, que demanda mais cargas sendo transportadas, e também pelo número crescente de aposentadorias no setor, que precisam ser substituídos por novos motoristas.

O problema já acontece há muito tempo, mas, de acordo com estudos, tende a se agravar ao longo do próximos dez anos. Entidades ligadas ao setor estimam que até 2030, serão necessários mais de 1 milhão de novos caminhoneiros no país.

“Para acompanhar a demanda na próxima década, o transporte rodoviário precisará recrutar quase um milhão de novos motoristas para preencher a lacuna causada pela demanda por frete, aposentadorias projetadas e outros problemas. O aumento da demanda por frete, desafios relacionados à pandemia, com aposentadorias precoces, escolas de direção fechadas e outras pressões, estão realmente aumentando a demanda por motoristas e, consequentemente, a escassez”, disse Bob Costello, o economista-chefe da American Trucking Association.

O Governo do Estados Unidos tenta minimizar o problema com incentivos aos próprios norte-americanos, mas até o momento, essas medidas não tem surtido o efeito necessário. Empresas de transporte também tentam, dentro do possível, convencer os candidatos à novas vagas de emprego, que o setor é atraente, com aumentos de salários e renovações constantes das frotas.

A carreira como motorista nos EUA é uma das poucas que permite a vida como classe média do país, com uma média boa de salários, sem a necessidade de ter um curso superior. Porém, as dificuldades da profissão desencorajam principalmente os jovens.

Imigração

Para Bob Castello, uma das alternativas para o setor seria a imigração. Atualmente, o governo limita bastante e mantém uma série de regras rígidas para a contratação de motoristas de outros países, que, apesar de acontecer, ainda é algo bastante raro. Ele destaca que as empresas já podem solicitar ao governo a emissão de vistos H-2B ou EB-3.

O H-2B permite a contratação de estrangeiros por doze meses, para trabalho onde não haja mão de obra disponível, por falta de interessados ou por falta de capacitação local. Se o problema for duradouro, as empresas podem solicitar a prorrogação desses vistos, por mais três anos. Já o EB-3 permite a contratação em caráter permanente.

As empresas que desejam contratar trabalhadores estrangeiros primeiro precisam ser certificadas pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos e provar que não conseguem contratar norte-americanos para as vagas que tem disponíveis.

Documentação

Apesar dessa possibilidade, apenas motoristas do México e Canadá podem usar as carteiras de motoristas obtidas em seus países de origem para dirigir profissionalmente nos Estados Unidos, e podem começar a trabalhar imediatamente.

Motoristas de outros países precisam obter todos os documentos novamente, e provavelmente, isso poderá levar alguns meses até que seja possível dirigir profissionalmente. Além disso, para a maioria dos casos, é necessário o envolvimento de advogados, o que acaba custando ainda mais para as empresas, que precisam agir como patrocinadoras dos trabalhadores.

Língua

Outro grande desafio para os estrangeiros é a língua. Falar o inglês fluentemente e conseguir entender bem o idioma é primordial para uma contratação por empresas norte-americanas. Por isso, boa parte dos vistos emitidos para trabalhadores estrangeiros foram para pessoas de países com língua inglesa nativa.

Isso se deve ao fato da língua ter muitas particularidades, gírias e etc., e existe a necessidade da perfeita compreensão, principalmente por causa da legislação de trânsito.

Dificuldade

Apesar de ser visto como uma solução rápida para o problema da escassez de caminhoneiros, a imigração ainda não é uma alternativa viável para o setor, já que o país deixa a entrada de estrangeiros cada vez mais rígida, como deportações em massa, mesmo de pessoas que moram nos Estados Unidos há muitos anos, mas que estão em situação ilegal.

Ou seja, apesar dessa possibilidade poder ser uma solução para o setor, dificilmente haverá um programa de contratação em massa de estrangeiros.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

1 comentário

Wilson O. Dos santos 06/03/2022 - 13:23

Tenho 46 anos, casado, brasileiro, carreteiro e tenho disponibilidade e desejo de trabalhar em outro país, com as ajudas necessárias

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