Paixão de um Carreteiro

por Blog do Caminhoneiro

Um carreteiro de nome Alcindo.
Dirigindo poderoso cavalo MAN.
Fazendo transporte no indo e vindo.
Começa a trabalhar bem de manhã.

Seu cavalo mecânico MAN.
Potente motor, ampla cabina.
Transporta tecido, couro e lã.
Também carne suína e bovina.

Ao chegar a uma transportadora.
Foi recebido pela funcionária Alice.
Daquela empresa era supervisora.
Ficaria impressionado quem a visse.

Mulher de beleza extraordinária.
Alcindo se encantou assim que a viu.
Formada em logística rodoviária.
No coração algo diferente ele sentiu.

A jovem achou aquele homem bonito.
Não demonstrou para não parecer vulgar.
Sabia que fama de caminhoneiro não era mito.
Queria conhecer alguém para namorar e casar.

Alcindo, solteiro e sem ninguém.
Teve casos sem nenhum compromisso.
Pensava em relacionando sério também.
Encontrar pessoa certa, não aconteceu isso.

Enquanto a carreta era descarregada.
Conversou com Alice com toda educação.
A menina além de bela era determinada.
Tinha no olhar a doçura da sedução.

Antes de pegar novamente a estrada.
Alcindo falou que gostou de conversar.
Com o rapaz, Alice ficou encantada.
Ele disse que em breve iria retornar.

O MAN partiu vencendo longa distância.
Alcindo já pensava em carga de retorno.
Sua carreta andava com boa constância.
Sentia no rosto vento suave e morno.

Após algumas semanas viajando pelo País.
Eis que surge carga para onde ele queria ir.
Sorriso na face mostrava estar feliz.
Não via a hora de carregar e partir.

O carreteiro do cavalo mecânico MAN.
Levou as cargas sempre com competência.
Quando chegava na transportadora pela manhã.
Alice o esperava chegar com toda paciência.

Alcindo, dela foi ganhando confiança.
Educado com Alice e competente.
Andava dentro do peso de balança.
Era um motorista calmo e consciente.

Quando conversava com a menina.
Achava que ela trabalhava tanto.
Muito trabalho e pouco dinheiro não combina.
Na transportadora estava em todo canto.

Alice havia conseguido frete para ele.
Era carga importante com hora marcada.
Confiava na capacidade profissional dele.
Não a decepcionaria nessa jornada.

Alice disse a Alcindo por telefone.
Confio em você para entregar no prazo.
Contrato com distribuidora, não me decepcione.
O tempo é curto e não pode ocorrer atraso.

Alcindo prometeu que nada o impediria.
Chegaria a tempo custe o que custasse.
Dentro da velocidade pela rodovia.
Aceleraria mais o caminhão se precisasse.

Mais do que o compromisso profissional.
Para Alice havia feito uma promessa.
Na viagem teria dedicação integral.
Não confundiria rapidez com pressa.

Seu caminhão MAN parecia voar pelo asfalto.
Alcindo estava ansioso para chegar ao destino.
No trajeto sofreu tentativa de assalto.
Homem com índole cruel e um assassino.

O carreteiro não se entregou facilmente.
Não seria roubado sem resistir, sem luta.
Entregar o frete para ele era algo premente.
Não daria ao ladrão fruto de sua labuta.

Avançou sobre o carro que ia a frente.
Bandido sacou a arma e fez disparo.
Conseguiu dar um tiro somente.
Para ambos, isso custaria bem caro.

Ocorreu violento impacto.
Carro se desmanchou ao ser atingido.
Com a integridade, Alcindo tinha pacto.
Destruiu veículo e matou o bandido.

Alcindo também sofreu consequência.
Atingido no ombro pelo tiro do bandido.
Precisaria de socorro com urgência.
Para ele, tempo não poderia ser perdido.

Se parasse para ser atendido.
Iria atrasar a entrega da carga.
Mesmo com ombro muito ferido.
De sua responsabilidade não larga.

Tinha de chegar e o relógio como inimigo.
Mesmo não parando, chegaria no limite.
Dirigir baleado, para sua vida, um perigo.
Mesmo sentindo dor, parar não admite.

O fato de ser câmbio automático.
Não facilitava muito para Alcindo.
Mantinha seu braço estático.
Com dificuldade, seu MAN ia dirigindo.

Quando adentrou o barracão da empresa.
Alice olhava o relógio, preocupada.
Da competência de Alcindo tinha certeza.
Pelo atraso, ela seria responsabilizada.

A carreta passou pela entrada devagar.
Parou no meio daquele barracão.
Alcindo a ponto de perder os sentidos, desmaiar.
Só teve tempo de desligar o caminhão.

Alice subiu os degraus abriu a porta.
O carreteiro sobre o volante debruçado.
A carreta parou levemente torta.
Alcindo no último esforço havia desmaiado.

Alice viu sangue no ombro dele.
Furo de bala também no pára-brisa.
Desespero, o que acontecera com ele?
Mancha vermelha molhava a camisa.

Chamaram o serviço móvel de urgência.
Alcindo recobrou os sentidos, ombro dolorido.
Alice a seu lado, falava com eloquência.
Perguntou ao carreteiro como fora ferido.

Alcindo falou da tentativa de assalto.
Perguntou se conseguira chegar a tempo.
Fez sua carreta voar pelo asfalto.
Não seria detido por esse contratempo.

Alice pediu que ficasse tranquilo.
“Você conseguiu chegar a tempo sim”.
Alcindo se acalmou ouvindo aquilo.
“Obrigado por fazer isso por mim”.

Levado de maca até a ambulância o motorista.
Ela mandou alguém fazer o desembarque.
Se culpou achando seu pedido a ele ser egoísta.
Quem roubaria um carregamento de charque?

Alcindo perdeu bastante sangue.
Teve até de fazer transfusão.
Alice pensava: “Espero que não se zangue”.
“Outra pessoa manobrou seu caminhão”.

Após dois dias acordou o Alcindo.
Ao abrir os olhos esboçou um sorriso.
Viu a sua frente um rosto tão lindo.
Achou que morrera e estava no paraíso.

Era Alice, que estivera de vigilância.
Do lado dele não arredara o pé.
Viera com ele na ambulância.
Durante a cirurgia, pediu a Deus com fé.

Aquele acontecimento os aproximou mais.
Alice estava intrigada com aquele assalto.
Será que junto ao charque havia algo por trás?
Tinha de ser valioso para os piratas do asfalto.

Da distribuidora ganhou a licitação.
Transportadora de Alice faria o transbordo.
A jovem conseguira uma promoção.
Recebeu aumento e um prêmio gordo.

Começou a namorar o Alcindo.
Alice e ele formavam um casal feliz.
Seu MAN com satisfação conduzindo.
Cavalo mecânico com muita força motriz.

Alcindo acompanhava o desembarque.
Via Alice duas vezes por semana.
Dirigir para ele era como estar no parque.
Estradeiro subia como se fosse estrada plana.

Essa história não poderia ter outro desfecho.
Alice casou-se com o carreteiro Alcindo.
Na lua de mel, viajaram no MAN com terceiro eixo.
Primeiro filho do casal já está vindo.

Autor Roberto Dias Alvares

2 comentários

Sérgio 02/02/2022 - 06:29

Muito boa história parabéns Roberto

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Roberto Dias Alvares 01/02/2022 - 19:14

Espero que apreciem mais essa história do trecho

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