Transporte de cargas por rodovias cresce quase 37% no primeiro trimestre

O número de fretes transportados por rodovias federais no Brasil cresceu 36,8% no primeiro trimestre de 2022, de acordo com a 7ª edição do “Relatório Fretebras – O Transporte Rodoviário de Cargas”, que analisou cerca de 2,2 milhões de fretes publicados no primeiro trimestre de 2022 na plataforma, que é a maior da América Latina.

De acordo com o estudo, o volume de fretes rodoviários no Brasil aumentou 36,8% na comparação com o primeiro trimestre de 2021, o que demonstra que o setor de transporte de cargas está cada vez mais digitalizado. Ao todo foram movimentados R$ 18 bilhões em fretes de janeiro a março de 2022.

O forte movimento de digitalização dos fretes continua impulsionando o crescimento de transações na plataforma Fretebras e transformando o setor de Transportes & Logística como um todo. Os dados da Fretebras demonstram que as transportadoras estão recorrendo a aplicativos para buscar caminhoneiros autônomos para realizar os transportes. Da mesma forma, os caminhoneiros estão cada vez mais conectados, já que hoje existem mais de 695 mil caminhoneiros cadastrados na plataforma da Fretebras.

“O que temos notado é que o transporte rodoviário de cargas está cada vez mais digitalizado, com as transportadoras e os caminhoneiros autônomos utilizando plataformas online para realizar os fretes. Por conta disso, a gente consegue monitorar melhor as movimentações e ajudar eles com um transporte mais seguro e eficiente”, destaca Bruno Hacad, diretor de Operações da Fretebras.

Rotas mais digitalizadas estão entre Sul e Sudeste

A plataforma da Fretebras consegue identificar uma série de movimentos que são uma verdadeira representação do transporte rodoviário de cargas. Pela primeira vez, o estudo buscou entender quais são as rotas que estão mais digitalizadas, ou seja, onde os transportadores têm olhado com mais frequência para a busca de caminhoneiros autônomos para o transporte de suas cargas.

“O grande fator que está por trás da digitalização das rotas é a pressão da inflação sobre os custos do transporte, puxada principalmente pela alta do diesel. O mercado tem notado que a contratação de autônomos usando aplicativos de frete, como o nosso, tem gerado economias de 20 a 30% quando comparado com frota própria. Por isso, grandes setores como agro, construção e indústria apostam por este tipo de solução. Naturalmente, Sul e Sudeste puxam o movimento, por serem regiões onde a digitalização está mais presente”, reforça Hacad.

Olhando por setores, no agronegócio, a rota com mais movimentações de cargas por meio da plataforma da Fretebras no 1° trimestre de 2022 é entre São Borja-RS e Rio Grande-RS, com 1.453 fretes. Já entre os produtos industrializados, a rota mais movimentada é entre Curitiba-PR e São Paulo-SP, com 1.072 fretes. No setor de construção civil, a maioria dos fretes (2.514) foi feita entre Arcos-MG e Piracicaba-SP.

Guerra na Ucrânia e cenário econômico instável marcaram o trimestre

Diante deste cenário de digitalização, o mercado conseguiu se preparar melhor para enfrentar as condições adversas enfrentadas no primeiro trimestre, como a guerra da Ucrânia, as constantes altas da inflação e dos juros e a recuperação pós-pandêmica.

Segundo o relatório, de janeiro a março de 2022 houveram diversos fatores que influenciaram no mercado de fretes, com destaque à guerra da Ucrânia. Por um lado, a alta do combustível impacta profundamente os custos do transporte, já que o preço do diesel teve um aumento de 12,5% de fevereiro a março de 2022. Por outro lado, as commodities brasileiras ganharam ainda mais força no mercado internacional, impulsionadas pela alta do dólar, que teve um reflexo positivo no preço dos grãos lá fora. E ainda, é necessário considerar a dependência da importação de fertilizantes da Rússia, que representa 23% das compras deste produto pelo Brasil.

A 7ª edição do Relatório trouxe diversas novidades entre os números regionais, com destaque para a região Centro-Oeste, que aparece como a que mais impulsionou o crescimento do número de fretes, puxado principalmente pelos produtos agropecuários. No primeiro trimestre deste ano, o aumento naquela localidade foi de 65,1%, em comparação com o mesmo período do ano passado. O Sudeste e Sul, que sempre apareciam em maior destaque, tiveram crescimentos de 42,0% e 10,2%, respectivamente.

Entre os Estados, Distrito Federal (+130,4%), Mato Grosso (+93,8%), Pará (+83,0%) e Alagoas (+81,7) aparecem nesta edição com grandes crescimentos no volume de fretes. Tocantins, que liderou o ranking de crescimento por três edições seguidas, cai para a quinta posição, com aumento de 81,4.

Setores que movimentaram o Brasil no 1° trimestre de 2022

O estudo da Fretebras analisa três grandes setores, que representam mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil: o agronegócio, a indústria e a construção.

O agronegócio puxou a oferta de fretes no período, com 37,4% das cargas registradas na plataforma da Fretebras e cerca de R$ 6,7 bilhões em fretes distribuídos. Os estados mais significativos para o desempenho do segmento foram Rio Grande do Sul (15,7%), Mato Grosso (12,4%) e São Paulo (11,9%). Os produtos mais transportados foram fertilizantes (23,4%), soja (13,2%) e milho (12,7%). Na comparação entre o primeiro trimestre deste ano e de 2021, os fretes do agronegócio aumentaram 35,2%.

Além disso, o estudo identificou uma nova dinâmica que seguramente impactará o agronegócio brasilerio: a distribuição dos fertilizantes. Movimentos que começaram no ano passado e que se intensificam com a guerra da Ucrânia, mostram que o País está buscando a autossuficiência, além de outros parceiros comerciais além da Rússia. Outro destaque importante, foi a produção e exportação do trigo. Com o cenário da guerra, o preço da commodity aumentou exatamente depois de uma produção recorde no passado, fazendo com que a exportação fosse mais atrativa.

Logo em seguida estão os produtos industrializados, que originaram 27,7% dos fretes anunciados na Fretebras no primeiro trimestre de 2022 e cerca de R$ 5 bilhões movimentados em fretes. Os itens mais transportados no período foram os alimentícios (19%), seguidos por máquinas e equipamentos (11,2%) e siderúrgicos (9,9%). Os estados de maior destaque no desempenho do segmento foram São Paulo (28,1%), Paraná (13,4%) e Minas Gerais (11,2%). Na comparação com o mesmo período de 2021, o setor teve crescimento de 33,3% no volume de transportes.

No setor, foi possível perceber o aumento da produção industrial, principalmente entre os alimentos, máquinas e equipamentos agrícolas, ambos produtos brasileiros de exportação. A venda lá fora tem gerado mais retorno do que a venda interna, por conta da alta do dólar.

Já os fretes de insumos para construção representam 13,6% das cargas registradas na Fretebras no ano passado, movimentando R$ 2,4 bilhões. Os produtos mais transportados foram cimento (53,1%), telha (5,9%) e pisos (4,8%). Em relação ao primeiro trimestre de 2021, houve crescimento de 68,5% em 2022 no volume de fretes da categoria e os estados que mais carregaram insumos no setor foram Minas Gerais (52,8%), São Paulo (10,7%) e Paraná (4,6%). O setor está começando a sentir o impacto negativo da alta dos juros e da inflação nos insumos. Ainda há aumento das atividades, porém as expectativas são de desaceleração no crescimento.

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1 comentário

RENÊ COSTA 01/06/2022 - 13:16

CRESCEU POUCO , ISSO DEVERIA ESTÁ NA CASA DOS 60% NO MININO , PELA TENDÊNCIA DE CHEGAR A NOVEMBRO , DEZEMBRO E JANEIRO O TRANSPOTES DE CARGAS NO BRASIL REDUZEM DRASTICAMENTE. MÁS TEMOS EXPLICAÇÕES DOS AUTOS CUSTOS PARA MANUTENÇÕES DOS CAMINHÕES, MUITOS TRANSPORTADORES NÃO CONSEGUEM PAGAR PRESTAÇÕES ALTÍSSIMAS DOS FINANCIAMENTOS ATRASADOS DOS CAMINHÕES. AUMENTOS CONSTANTES DO PREÇO DO LITRO DO ÓLEO DIESEL QUE IMPACTEIA TODA CADEIA LOGÍSTICA E PRODUTORA DO BRASIL. OS PREÇOS DOS FRETES QUE ESTÃO DEFASADOS EM RELAÇÃO AOS AUMENTOS CONSTANTES DO PREÇO DO LITRO DO ÓLEO DIESEL ATRAPALHARAM TUDO E TODO SEGUIMENTO COM CERTEZA.

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