Transporte de cargas líquidas em tanques de madeira era comum

Especialmente para o transporte de cargas líquidas, o uso de caminhões com tanques metálicos não abrangia todos os tipos produtos, já que alguns tipos de transporte tinham particularidades.
Por isso, logo após o surgimento dos caminhões, no início da era do automóvel, dois tipos de tanques eram usados, os de aço e os de madeira.
Os caminhões equipados com tanques de aço podiam transportar quase todo tipo de líquido, desde que não fossem corrosivos, como ácidos, tipo vinagre, e também aqueles transportes que tinham particularidades de conservação, como o vinho.
Para esses outros tipos de líquidos, eram usados caminhões tanques, com a “pipa” feita de madeira. O sistema de produção era muito parecido com o usado em tonéis, que tinha capacidade de 200 litros, em média, só que em uma escala muito maior.
Geralmente os caminhões menores, com chassi rígido, recebiam uma pipa sobre o chassi. Já as carreta, modelos articulados com chassis mais longos, podiam receber duas pipas, permitindo o transporte de líquidos diferentes em uma mesma viagem.

O uso desses caminhões com tanques de madeira era muito comum até a década de 1980. Mas com a chegada de ligas mais eficientes de metais, deixando o aço mais resistente à corrosão, permitindo que todo líquido a granel pudesse viajar nesses implementos, é muito difícil de ver caminhões com tanques de madeira por aí.
Alguns colecionadores tem modelos bem conservados, que são exibidos em eventos de veículos antigos.
Outra curiosidade é que se permitia o transporte de cargas sobre os tanques, tanto de madeira como de metal, aproveitando as viagens. Por exemplo, um caminhão que saia carregado de vinho do Rio Grande do Sul para a região sudeste podia voltar com o tanque cheio de álcool e também com sacos de açúcar sobre a carroceria.
