Conheça o caminhão futurista com palco móvel criado na década de 1950

Essa foi uma ideia de Pierre Bourgeois, o presidente da Pathé-Marconi, que buscava um caminhão para promover a indústria musical.
O desenho ficou a cargo do designer automotivo francês Philippe Charbonneaux, que trabalhou em marcas renomadas como GM e Renault, juntamente com Paul Bracq, que desenhou depois veículos de sucesso para a Mercedes-Benz e BMW.
Chamado de Pathé-Marconi Superbus, o veículo foi lançado em 1952 e não se tratava apenas de um anúncio itinerante da empresa francesa, mas também de um palco para a realização de shows e concertos.
Podemos dizer que estamos falando de um ancestral do nosso conhecido trio elétrico.
A base para construção foi um cavalo mecânico Panhard IE45 que teve a carroceria totalmente transformada, ficando com linhas arredondadas, carenagens e para-brisa panorâmico. Considerando a realidade do início da década de 1950, quando muitos carros ainda lembravam designs pré-guerra, o Pathé-Marconi Superbus parecia um veículo do futuro.
O motor utilizado era diesel de quatro cilindros modificado, com capacidade de 5,7 litros, 100 cv de potência, e uma caixa manual de quatro velocidades.

O semirreboque foi chamado de Titan e produzido pela conhecida empresa Freuhauf. Dentro dele foram instalados dezenas de equipamentos de transmissão e gravação, além de uma sala de exposição dos produtos da Pathé-Marconi e um salão panorâmico com bancos e bar. A parte de cima poderia ser aberta, transformando o Titan em um palco para shows. Ele ainda contava com um pequeno elevador para acessar o palco sobre o teto.
Todo o conjunto tinha 13,6 metros de comprimento, 2,5 metros de largura e 3,15 metros de altura, e seu peso próprio chegava a 15 toneladas. Apesar do motor fraco, o caminhão atingia uma velocidade máxima de 85 km/h.
Um dos eventos mais famosos em que o Pathé-Marconi Superbus participou foi o Tour de France em 1953, no qual alguns artistas famosos da época se apresentaram.

A Pathé-Marconi operou o Superbus por 10 anos, quando foi vendido ao jornal Le Provençal, que o cedeu ao circo Gulliver, que utilizou apenas um semirreboque repintado de amarelo e puxado por um trator agrícola. Naquela época, o caminhão foi sucateado e provavelmente teria sido descartado se não fosse a intervenção de seu projetista-chefe, Philippe Charbonneaux, que comprou o veículo e o trailer.
Em 1990, o Superbus foi restaurado e transferido para o Museu do Automóvel de Reims, e em 2015 transferido para o museu Cité de l’Automobile em Mulhouse, onde até hoje pode ser visitado.



