Edison – Caminhão híbrido promete revolucionar o transporte fora de estrada

Apesar de revolucionárias, essas soluções não podem ser adotadas em algumas operações, especialmente fora de estrada, onde tecnologias mais avançadas não conseguem lidar bem com o dia-a-dia de trabalho pesado.
Chace Barber é um caminhoneiro canadense que atua no transporte de madeira no Colúmbia Britânica, no Canadá, operando quase sempre em rodovias sem pavimentação, com muitas curvas e uma topografia desafiadora. Há seis anos ele decidiu fazer uma pré-reserva para compra de um Tesla Semi, totalmente elétrico. Apesar de avançado, o caminhão não é tão robusto como precisaria ser para o transporte de cargas na região em que ele atua. Então o caminhoneiro teve uma ideia.
Ele tinha um conhecimento básico e resolveu conversar com um amigo, que se tornou parceiro no negócio, Eric Little. Foi assim que nasceu a Edison Motors, na pequena cidade de Merritt.

Um time pequeno, de apenas seis engenheiros, alguns mecânicos, empresas de transporte de madeira e com consultoria de especialistas, conseguiram o que era praticamente impossível: Construir um caminhão próprio.
Utilizando as redes sociais, Chace Barber conseguiu fazer uma vaquinha online, recebendo doações de mais de 5 mil pessoas do Canadá e Estados Unidos. O valor total arrecadado chegou a US$ 1,5 milhão. 90% das doações vieram justamente de empresas e caminhoneiros que atuam em operações severas.
Com o valor recebido, a empresa construiu seu primeiro caminhão, que não é elétrico, nem diesel. É híbrido. Combina as duas tecnologias para reduzir drasticamente o consumo e obter o máximo de potência e torque de motores elétricos.

Com as baterias “abastecidas”, o caminhão opera em modo 100% elétrico, praticamente sem ruídos, e se a carga das baterias chega a um limite mínimo, o motor diesel é acionado novamente, para a recarga.
Com isso, o caminhão roda 1.000 quilômetros com apenas 120 litros de diesel, fazendo uma média de consumo de 8,3 km/l, até quatro vezes mais econômico do que um modelo que funciona apenas com diesel na mesma operação.
No início do mês de setembro, a empresa apresentou seu segundo caminhão. Topsy (nome de um elefante que foi eletrocutado nos Estados Unidos em 1903). O modelo é um caminhão desenvolvido totalmente pela empresa, sendo cerca de 30% mais caro do que um veículo similar movido a diesel.
Apesar do preço mais alto, a economia no consumo de diesel chega a 70%, reduzindo significativamente o custo total de operação do pesado.
Agora, a empresa trabalha para conseguiu financiamento com grandes empresas, podendo iniciar a produção em escala dos caminhões. Dezenas de transportadoras já se mostraram interessadas, para o uso no transporte de madeira, como betoneira, limpa-neves e com carretas prancha. O valor total necessário para o início da produção é de US$ 5 milhões.
Como os caminhões pesados para operação fora de estrada são produzidos por encomenda, geralmente em quantidades pequenas, a Edison Motors não planeja investir imediatamente em uma enorme linha de montagem, e deve manter um modelo de produção menor, com os veículos sendo fabricados em uma oficina.
Um dos grandes empecilhos para a empresa, que deve consumir boa parte dos investimentos, é a homologação dos caminhões, certificações de segurança e outros, que são exigidos de todos os veículos pelos órgãos responsáveis pela segurança do trânsito no Canadá.
O caminhão próprio da Edison tem duas versões, o L500 e o L750, que recebem essa numeração por conta da potência total, de 500 e 750 kW, ou 670 e 1.005 cavalos, respectivamente.
O motor diesel usado é um Caterpillar C9, de 350 kW de potência, que alimenta as baterias de 280 kWh. A velocidade máxima é limitada a 130 km/h, e o Peso Bruto Total Combinado é de 65 toneladas.
