Scania R620 V8 ganha versão híbrida com diesel e hidrogênio na Austrália

A região de Pilbara, na Austrália é gigantesca. São muitos quilômetros de desertos vermelhos, por onde o transporte de cargas é feitos nos imensos caminhões conhecidos como roadtrains. Uma das empresas que faz esse transporte é a Holcim, que transporta minérios das pedreiras de Turner River, Newman e Nickol Bay, na região de Pilbara, para diversas regiões.
Geralmente são usados caminhões Scania R620 V8 Euro5, que transportam até 145 toneladas de peso bruto por viagem com três reboques, em distâncias que variam de apenas 10 quilômetros até 600 quilômetros.
Para reduzir as emissões nessas operações de longas distâncias, dois caminhões Scania R620 foram modernizados, recebendo uma unidade HYDI Hydrogen on Demand HY2500, que produz hidrogênio e entrega diretamente no motor de combustão interna do caminhão, transformando o modelo diesel em híbrido.
Com isso, a redução do consumo de combustível pode chegar a 15%. Para além da redução de consumo, a empresa também obteve uma ampla redução de emissões, com 17% menos dióxido de carbono, 80% menos material particulado, 22% menos de óxidos de nitrogênio (NOX) e 25% menos monóxido de carbono.
“A Holcim obteve economias de desempenho de combustível estimadas em 15% ao transportar cargas úteis de até 100 toneladas em combinações de três reboques. O sistema de gestão a bordo dos caminhões da Scania confirma estes números. As reduções no consumo de combustível e nas emissões estão totalmente alinhadas com o nosso objetivo da Scania de reduzir as emissões durante toda a vida útil dos nossos produtos”, afirma Robert Taylor, Gerente Geral de Mineração da Scania Austrália.
Além dos dois caminhões que já estão operando, a Holcim vai instalar o sistema em mais dois modelos Scania, e também em parte da frota que atua na Austrália Ocidental.

A tecnologia HYDI Hydrogen on Demand HY2500 produz hidrogênio no próprio caminhão, por meio de eletrólise realizada em uma membrana de troca de prótons, que funciona com água destilada. A eletricidade necessária para a reação vem do próprio caminhão, mas o consumo é baixo.
O hidrogênio produzido é injetado no motor junto com o diesel, para melhorar a combustão, deixando a queima do combustível mais limpa e completa.
O desenvolvimento do sistema demorou mais de dez anos, e hoje, além da redução de consumo e emissões, pode garantir mais torque, além de permitir intervalos maiores para troca de óleo e filtros.
“A tecnologia da HYDI aproveita os benefícios do hidrogênio de uma forma eficiente, acessível e sofisticada, dimensionada para aplicação em diversas aplicações”, observou John Wilson, Diretor Geral da HYDI.
Ele destaca que o custo da tecnologia é muito baixo, na comparação com a compra de um caminhão novo ou no investimento em modelos elétricos a bateria, por exemplo.
