Caminhões chineses apresentam problemas mecânicos graves no inverno russo

Imagem reprodução

Desde o início da invasão russa ao território da Ucrânia, em fevereiro de 2022, as marcas tradicionais de caminhões, de origem europeia, abandonaram as operações no país. Para suprir a demanda dos transportadores locais, o país viu uma invasão de marcas chinesas, como Sinotruk e Sitrak, que agora dominam as vendas por lá.

Porém, diferente de outros modelos, que passam por processos de adaptação aos novos mercados, os modelos chineses estão sendo vendidos sem nenhuma preparação para as condições de transporte da Rússia, e isso tem causado uma série de problemas.

De acordo com a imprensa especializada em transportes da Rússia, esses caminhões têm sofrido por conta da umidade e frio do inverno, com uma série de problemas relacionados aos sistemas elétricos e eletrônicos.

Além da questão climática, há outro fator relevante: Os caminhões são produzidos com materiais de baixa qualidade. O cobre usado no chicote elétrico é ruim e contaminado por outros elementos, o que tem acelerado a corrosão e oxidação dos cabos e conectores.

Com isso, os sistemas acabam tendo problemas de “conversa” entre os módulos, o que faz os caminhões pararem para manutenção pesadas com menos de 100 mil km rodados.

Um problema semelhante ocorre com a caixa de câmbio. O módulo e o atuador do sistema automatizado do câmbio sofrem com a corrosão acelerada, e o caminhão simplesmente para de engatar as marchas.

RECOMENDADO  Com cabine da década de 1970, novo Sinotruk chega ao mercado na China

A corrosão severa também atinge equipamentos diferentes, como o sistema de escapamento, que exige substituição completa dos tubos e do catalisador.

O consumo de óleo lubrificante do motor também é acelerado. A cada 10 mil quilômetros, é necessário completar o óleo com cerca de 5 litros adicionais. Outras peças que apresentam problemas são buchas de plástico usadas para fixar peças do chassi e cabine, que se quebram, e rolamentos, que muitas vezes precisam ser substituídos a cada poucos milhares de Km rodados.

Outro fator problemático por lá é a disponibilidade de peças. Apesar de ser muito próxima da China, a Rússia sofre com escassez de itens básicos de reposição para esses caminhões, e muitas gambiarras precisam ser feitas para manter os veículos rodando, especialmente quando acontecem acidentes.

RECOMENDADO  Com cabine da década de 1970, novo Sinotruk chega ao mercado na China

O que os transportadores russos enfrentam por lá com os caminhões chineses é parecido com o que ocorreu aqui no Brasil nos anos de 2012 a 2014, quando centenas de caminhões das marcas Sinotruk e Shacman chegaram ao nosso mercado, mas não havia um trabalho para ampliar a disponibilidade de peças, mesmo as mais simples, como faróis e retrovisores, por exemplo. Isso fez com que esses caminhões precisassem de uma série de adaptações para continuarem operando, incluindo a troca completa dos motores por modelos mais conhecidos do mercado nacional.

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

Descubra mais sobre Blog do Caminhoneiro

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading