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Caminhão a vapor Purrey de 1909 é exibido em evento na França

Imagem de Berliet Foundation

Um raríssimo caminhão a vapor da marca Purrey, produzido em 1909, foi exibido na Retromobile 2025, que ocorreu entre os dias 5 a 9 de fevereiro. O caminhão pertence à coleção da Fundação Berliet, da França, e é um dos únicos exemplares do mundo desse modelo.

A Purrey foi uma fábrica de caminhões e outros equipamentos a vapor que operou no início dos anos 1900. A empresa foi criada por Valentin Purrey, e operou na região de Bordeaux-Bègles, na França, chegando a empregar 450 pessoas em seu auge.

O caminhão a vapor, naquela época, era um concorrente muito interessante frente à modelos a gasolina e elétricos, que já eram bastante comuns. A força de caminhões a vapor era alta, e a tecnologia era confiável e robusta.

Além disso, a publicidade da época destacava que o caminhão usava um motor “absolutamente não explosivo”, atacando claramente os modelos a gasolina, que usavam motores de combustão interna.

O caminhão tinha capacidade de carga de cinco toneladas, e operava com um sistema a vapor de dois cilindros, que usava água armazenada em um tanque de 600 litros, e rodas de madeira com aros de aço.

A velocidade máxima era de 15 km/h, e o caminhão podia vencer subidas com até 12% de inclinação. Além disso, por ser um modelo a vapor, a frenagem também era excepcional, já que o sistema permitia a reversão do vapor, atuando quase como um freio motor.

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Imagem de Berliet Foundation

O consumo era de 5,7 quilos de carvão e 20 litros de água por quilômetro. Apesar do alto consumo, a água e o carvão eram abundantes e baratos, e permitiam que o caminhão viajasse para qualquer lugar, diferente dos elétricos e a gasolina, que precisavam parar para abastecer apenas onde houvesse disponibilidade dos combustíveis.

Por essas vantagens e confiabilidade, o caminhão teve boas vendas, e em 1909, a empresa Raffineries Say fez uma compra de 34 caminhões Purrey, sendo 16 unidades de 10 toneladas e mais 18 unidades de 5 toneladas, sendo a primeira frota de caminhões motorizados do mundo.

As desvantagens desses caminhões eram o peso total, muito alto por conta do tanque de água e a necessidade de transporte de carvão, e também ao tempo necessário para iniciar a operação. O tempo de pressurização do sistema de vapor era de 30 minutos. Além disso, no final do dia, o motorista tinha que fazer a limpeza da caldeira, e fazer algumas manutenções exigentes, como a lubrificação.

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Com o aumento da demanda por modelos a gasolina, os caminhões a vapor começaram a ter vendas cada vez menores, e a Purrey foi comprada pela Exshaw no final de 1910. A Exshaw-Purrey operou até 1929, quanto a empresa foi totalmente extinta.

O caminhão foi também um dos mais usados pelo exército francês durante a Primeira Guerra Mundial, particularmente para o transporte do tanque Renault FT.

O caminhão que pertence ao acervo da Fundação Berliet é o número 430 produzido. O número total de unidades produzidas não foi divulgado.

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

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