ARTIGO: Logística eficiente é o projeto de desenvolvimento que o Brasil precisa avançar em 2026

O ano de 2026 coloca o mercado brasileiro diante de uma constatação que deveria frequentar mais as mesas de decisão de governantes e tomadores de decisão nas empresas: a logística rodoviária não é apenas um centro de custo a ser comprimido, mas talvez, a única alavanca de curto prazo capaz de destravar produtividade sistêmica na economia real.
O ponto de partida é que o Brasil depende das rodovias para mover mercadorias em escala, mas são necessárias políticas públicas e econômicas contínuas de investimentos para diminuir os impactos econômicos que a atual infraestrutura deficiente causa.
Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, da Confederação Nacional de Transporte, a má qualidade das estradas e rodovias elevam, em média, 31,2% os custos operacionais do transporte rodoviário, chegando a 35,8% nas rodovias públicas.
Só para se ter uma ideia, considerando-se apenas o consumo adicional de diesel associado às más condições das vias, o desperdício anual é estimado em R$ 7,2 bilhões.
Para um país que busca crescer acima da média global, depender de caminhões não é necessariamente uma condenação, desde que essa dependência seja gerida com uma mentalidade industrial de eficiência, integração e inteligência de dados.
A transformação do setor precisa deixar de ser uma pauta técnica de logística para se tornar uma agenda de desenvolvimento nacional e de competitividade empresarial de ponta a ponta.
A premissa é clara: em um território continental como o nosso, a rodovia deve ser encarada como a extensão da linha de produção da indústria e a prateleira infinita do varejo.
A ineficiência no asfalto drena recursos que poderiam ir para expansão e inovação. Por outro lado, uma malha logística que funciona com previsibilidade reduz a necessidade de estoques de segurança — capital parado que as empresas poderiam alocar em crescimento — e encurta o ciclo financeiro entre o pedido e o caixa.
O desafio de 2026 é abandonar a visão transacional, focada apenas no valor do frete, e adotar uma visão de fluxo, ou seja, como a mercadoria pode transitar com o mínimo de fricção, desde o fornecedor de matéria-prima até a porta do consumidor final.
Todo esse cenário atual reforça a urgência de uma virada de chave no setor e não apenas da esfera pública.
Eficiência é a palavra de ordem
A previsão é que 2026 será um ano com demanda ainda puxada por varejo, agro e reposição industrial. Do lado operacional do setor logístico, a conta do frete tende a refletir juros, câmbio, diesel, pedágios, seguros e o custo de capital de uma frota que precisa envelhecer menos.
O ponto central é que a logística rodoviária vai ser cobrada não só por entregar, mas por entregar com rastreabilidade, documentação em dia e governança de pagamentos.
Há, também, uma mudança silenciosa na forma como o país está consumindo e distribuindo mercadorias. O e-commerce continua ampliando capilaridade e exigindo redes mais distribuídas, com mais pontos de origem e destino e menos espaço para ociosidade de ativos.
Para o transporte rodoviário, o efeito prático é a multiplicação de rotas, janelas menores e maior sensibilidade do cliente final a atrasos, avarias e reentregas — exatamente o tipo de custo “invisível” que destrói produtividade.
Já a digitalização, que por anos foi promessa ou “projeto-piloto”, passa a ser condição de acesso a embarcadores maiores e a cadeias mais reguladas — e isso ocorre ao mesmo tempo em que a concorrência continua fragmentada e as margens seguem comprimidas.
Parceria entre embarcadores e transportadores
Para a logística contribuir, de fato, para o desenvolvimento do mercado na totalidade, a relação entre embarcador e transportador precisa evoluir do embate de preços para a parceria de desempenho.
Eficiência real surge quando a indústria compartilha previsões de demanda com a transportadora, permitindo planejar a frota e evitar a ociosidade que encarece o sistema. Surge também quando o varejo entende que tempos excessivos de descarga nas suas docas geram um custo sistêmico que voltará na forma de frete mais caro na próxima negociação.
No final das contas, 2026 tende a premiar quem opera com método: menos quilômetro vazio, melhor ocupação, menos retrabalho documental e mais transparência no custo total do atendimento.
Em 2026, a discussão que vale tempo não é “quanto a logística custa”, e sim “quanto custa não conseguir prometer e cumprir”. Esse é o tipo de custo que não aparece inteiro no frete, mas aparece na margem, no caixa e na reputação.
Artigo de: Agapito Sobrinho, CEO da BBM Logística

Sonhar é de graça mas continua um sonho, enquanto a logística de transporte brasileira se resumir em pneus dificilmente crescerá e reduzirá seus custos.