Contratação de imigrantes se torna peça-chave para reduzir escassez de caminhoneiros no Brasil

A solução para minimizar os impactos da escassez de motoristas profissionais no Brasil pode passar pela contratação de motoristas imigrantes e refugiados. Isso é o que prevê o projeto Rotas da Inclusão, que visa orientar as transportadoras a contratarem, oferecerem capacitação e também incentivos para retenção de imigrantes e refugiados em funções de motoristas.
O projeto foi elaborado por executivos da 71ª turma da Especialização em Gestão de Negócios, curso integrante do Programa Avançado de Capacitação do Transporte, coordenado pelo ITL, promovido pelo SEST SENAT e ministrado pela FDC (Fundação Dom Cabral).
Participaram do desenvolvimento Jacqueline Queiroz, gerente de SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho) da Rodonaves; Carlos Lacerda, diretor executivo da Opção JCA; Bruno da Silva Santos, supervisor de Logística da LP Guizilim; Cibele Thais Telles, coordenadora de Controladoria da JCA; e Wagner Militani da Silva, gerente operacional da Suzantur.
Segundo Jacqueline Queiroz, muitos imigrantes e refugiados já ocupam funções operacionais nas empresas, mas a contratação costuma ocorrer de forma pouco estruturada.
“Falta um programa de acolhimento, capacitação e acompanhamento. Isso dificulta a retenção desses profissionais e limita o potencial de contribuição que eles podem oferecer ao setor”.
A partir dessa realidade, o grupo desenvolveu uma metodologia específica para o transporte urbano e rodoviário.
“Identificamos a oportunidade de estruturar um programa voltado para esse público em um momento em que o setor enfrenta uma escassez significativa de profissionais e pode se beneficiar diretamente dessa força de trabalho”.
O guia reúne orientações para recrutamento, regularização documental, capacitação técnica e linguística, integração cultural e acompanhamento dos profissionais, transformando iniciativas pontuais em uma política estruturada de gestão de pessoas.
Implementação e metodologia
O projeto é organizado em quatro etapas, com a primeira sendo o recrutamento e regularização de documentos dos candidatos imigrantes, além da posterior capacitação técnica, linguística e sensibilização das equipes; mentoria e integração cultural; e avaliação contínua por indicadores de desempenho.
Dentro do projeto, também são previstas parcerias com organizações que realizam o acolhimento de refugiados, além de instituições de formação de motoristas e órgãos públicos para apoiar a regularização documental e a qualificação dos candidatos.
O guia elaborado também disponibiliza ferramentas para facilitar sua implementação, como modelos de plano de ação (5W2H), checklists de conformidade legal, kits de integração e painéis de indicadores adaptáveis à realidade de cada transportadora.
Outro diferencial é a utilização do conceito de Retorno Social sobre o Investimento (SROI), que permite mensurar os impactos gerados para empresas, trabalhadores, famílias, comunidades e poder público. O material identifica riscos operacionais, como barreiras linguísticas e atrasos na regularização documental, propondo medidas para mitigá-los.
Para o diretor executivo do ITL, João Victor Mendes, o projeto representa o propósito da especialização de transformar desafios do setor em soluções aplicáveis.
“Nosso objetivo é conectar teoria e prática para gerar resultados concretos. O Rotas de Inclusão transforma conhecimento em uma metodologia capaz de ajudar as empresas a enfrentar a escassez de mão de obra, fortalecer sua competitividade e contribuir para um transporte mais eficiente”.
Desafio para o setor
A relevância da iniciativa é reforçada pelos dados da Confederação Nacional do Transporte. Levantamento da entidade mostra que 65,1% das empresas apontam a função de motorista como a principal carência de mão de obra.
Entre as transportadoras de cargas, 44,6% mantêm vagas abertas, e mais da metade possui cinco ou mais postos sem preenchimento. No transporte de passageiros, 53,4% também enfrentam dificuldades para contratar profissionais.
Responsável por 64,85% da matriz brasileira de transporte de cargas, o modal rodoviário concentra 44% da receita do setor, emprega cerca de 1,3 milhão de trabalhadores com vínculo formal e gerou 47.440 novos empregos em 2025, evidenciando que a demanda por motoristas continua crescendo em ritmo superior à oferta de profissionais qualificados.
Com informações da Confederação Nacional do Transporte.
