COLUNA MOBILIDADE EM FOCO: NOVOS COMIL NEW CAMPIONE VEM AÍ

Novo Comil Campione




Quem acompanhar com isenção, deixando de lado o emocional e se pautando pela razão, jamais poderá dizer que os ônibus rodoviários fabricados pela Comil não apresentaram na sua linha do tempo uma evolução inquestionável. Assim que assumiram a planta industrial da Incasel na metade dos anos 80 deram prosseguimento na fabricação de alguns modelos que ainda tinham excelente conceito no mercado, como a carroceria Jumbo. Pra valer, o primeiro lançamento de impacto da Comil ocorreu no ano de 1991, modelo 1992. Era o Galleggiante, disponível para encarroçamento sobre chassis trucados, Mercedes 0-371 RSD, Volvo B10M e Scania K113TL.

Praticamente, em vez de começar pelos modelos de entrada na linha de rodoviários, a Comil iniciou na classe superior, com o Galleggiante 3.80. Pode-se dizer que ele era aerodinâmico, tinha frente com o parabrisa inclinado. E era equipado, portas pantográficas e possibilidade de refinado acabamento interno, com inúmeras opções de configuração do salão de passageiros com o que de mais moderno havia no mercado. Outro detalhe, suas poltronas foram consideradas as melhores da época. Tudo bem que a carroceria teve o compartilhamento de peças de outras carrocerias, como, por exemplo, as janelas laterais do Comil Condottiere. O objetivo foi reduzir custos de produção, customizar.

O Comil Galleggiante era um HD (High Deck). Neste segmento, entrou no mercado para concorrer com o Busscar Jum Buss 380 e o Marcopolo Paradiso 1400 G.IV. Em 1992 a fabricante gaúcha estreou em outro segmento, lançado em 1989/1990, o das carrocerias MD (Midle Decker), representado pelo Busscar Jum Buss 360 e o Marcopolo Paradiso 1150 G.IV. De configuração de 1 piso e meio, 3,60 metros de altura, eram cerca de 20 centímetros mais baixos que os irmãos maiores. O MD da Comil passou a ser o Gallegiante 3.60. O primeiro “face lifting” dos Galleggiante veio em 1994, com alterações (perfumarias), entre elas, caixa do itinerário sobre o painel, brake-light e o lançamento da versão 3.45.

Quatro anos depois, em 1998, o Galleggiante deu adeus a linha de produção. No seu lugar entrou o Campione, versões 3.25, 3.45, 3.65 e 3.85. Linha complementada em 1999 com o Campione 4.05 HD (High Deck), mas que na verdade era uma carroceria tipo LD (Low Driver), passando a concorrer com o Busscar Panoramico 400P e o Marcopolo Paradiso 1450 LD G.V. Nele a possibilidade de requinte na configuração interna era superior, com vidros das janelas colados, o maior bagageiro da categoria, cabine do motorista e da tripulação com cama e controles do ar condicionado e do aquecedor independente do salão de passageiros.

Quase seis anos depois, em junho de 2005, um “banho de loja” foi dado nos rodoviários Campione. A carroceria foi totalmente renovada, com nova imagem geral dos ônibus da marca. O ambiente interno passou a oferecer ainda mais conforto e segurança. Privilegiou-se a iluminação interna, melhoria nas poltronas, dotadas de espumas com curvatura mais ergonômicas e aumento do isolamento termoacústico. Para tanto, o teto e as laterais passaram a ter módulos em poliuretano injetado. O porta-pacotes passou a ter iluminação indireta com detalhes de alumínio. Três foram as versões do novo Campione: 3.25, 3.45 e 3.65. O novo HD 4.05 seria lançado em 2007.

Logo se percebeu que melhorou o acesso a parte mecânica e elétrica das novas carrocerias, na porta mais larga, maior altura interna (1,90 metro), direcionadores do ar condicionado e das luzes de leitura, individuais, novo toalete com melhor eliminação de odores, novo painel do motorista e novo cluster de instrumentos. Com a nova linha, a Comil ampliou suas vendas e sua participação de mercado, tendo, inclusive, recebido a outorga de premiações pelo design dos novos produtos. Em 2007 a linha Campione teve o incremento dos Vision. Então, as configurações passaram a atender pelas nomenclaturas “L, X e Vision”.

Em 2008 chega também ao mercado a opção do Campione HD Vision. Três anos depois, em dezembro de 2011, é lançado o novo HD 4.05 Vision. Já no ano seguinte, 2012, entra em cena o primeiro DD (Double Decker) da Comil. Nesse mesmo ano, nova reformulação dos Campione, a que está no mercado até agora e tem conseguido relativo número de unidades vendidas. Mesmo sendo um produto ainda competitivo, bom de vendas, diferenciado, pois não segue a mesmice do design das carrocerias Marcopolo G7, Mascarello e Neobus, todas adotando o padrão estilístico incorporado pela Irizar desde 1999, a Comil prepara novidades.

Vem aí uma nova linha dos seus rodoviários e vai ser lançada na Fetransrio 2014, nos dias 5, 6 e 7 de novembro. Já era esperado. Assim como ocorreu com os Galleggiante em 1991, quando a Comil partiu dos modelos maiores para depois lançar os menores, o mesmo se repetiu agora. Em 2011 tivermos o lançamento dos novos HD 4.05 e DD. Ficou faltando a reformulação da versão Midle Decker, MD, Campione 3.65, do médio semipesado Campione 3.45 e da versão de entrada, o Campione 3.25. E o ambiente é favorável para a nova linha, eis que a G7 da Marcopolo já começa a padecer de cansaço visual.

Presença maciça, esmagadora nas estradas e rodoviárias ocasionou desgaste prematuro de imagem. E também porque já são cinco anos no mercado. Mascarello Roma e Neobus New Road seguem o design dos Irizar, todos repetitivos. Há espaço para um produto novo, diferenciado. E este parece ser o norte da nova carroceria da Comil. Não seguir tendências, não copiar. Há nele, aparentemente, um toque, um leve “que” do Versatile Gold e Standard. O estilo bojudo tão verificado nos dias de hoje, “easter egg’s” (ovo de Páscoa), também se faz presente. Isso faz com que se amplie o espaço interno, mesmo mantendo o mesmo comprimento de carroceria. As laterais do teto, em conjunto com o aparelho de refrigeração, passa uma sensação de “muscle car”.

Observamos também que as luzes de cortesia e o layout do porta-pacotes sofrerá alterações. Entre elas, novos revestimentos internos nas laterais, no teto, novas poltronas. Os faróis dianteiros parecem que não vão mudar em relação ao atual Campione, mas pode ter surpresas e a caixa de faróis incorporar Leds. No teto dá para ver que o mesmo, na parte dianteira, será mais aerodinâmico, com queda mais pronunciada e ar condicionado de novo aspecto visual, tendência já seguida pelos Marcopolo G7, Mascarello e Neobus, a mesma dos Irizar. Tudo leva a crer que será uma carroceria que ditará regras, tendências, não seguirá modismos já adotados por outros e também não será um mero “face lifting”.

Texto/matéria: Carlos Alberto Ribeiro
MOBILIDADE EM FOCO: AQUI O DEBATE É TÉCNICO
Fotomontagem: Comil Ônibus





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