O CARA CHATA DO FABRÍCIO – Cavalo Mecânico Mercedes Benz LPS 1520 6×2

por Blog do Caminhoneiro

MB LPSP 1520 6X2 cv Z

Na estrada sem nenhum artifício
enfrentando o asfalto bravio.
Estou falando do carreteiro Fabricio
que dirige o cara chata mais bonito do Brasil.

A bordo do poderoso quinze vinte,
cavalo mecânico trucado.
Do progresso do País é contribuinte.
Leva qualquer carga em seu pesado.

Ao volante, no andar de cima,
a bordo usufrui de todo o requinte.
O seu bruto é uma obra prima.
Belo Mercedes Benz quinze vinte.

Os dois faróis retangulares
garantem excelente iluminação.
Potentes fachos de luzes aos pares,
abrindo passagem em meio à escuridão.

Duas cornetas a ar, a buzina,
produzem um som estridente.
Fabrício, no bruto chega à botina.
Responde no ato a máquina quente.

Estrela de três pontas na cabina.
Sob ela, um coração sueco.
De energia, verdadeira usina.
Motor Scania ronca e faz eco.

Manda ver no acelerador
mas não dirige como louco.
Identificação do rádio amador
vê-se no teto QRA Pitoco.

Ao chegar ele já avisa
qual é a menina mais bela.
Vê-se escrito no para-brisa
O nome de Isabela.

Ouvindo do ronco forte som,
Fabrício rasga as estradas.
Puxa semirreboque Randon
levando vinte sete toneladas.

Pela BR três meia cinco,
de Uberlândia á Pirapora,
o carreteiro com afinco,
segue pela estrada afora.

Sua carreta seguia com carga plena,
exigindo toda a força do propulsor.
Enfrentou dificuldade nada pequena.
Teve de mostrar todo seu valor.

Atacado por ladrões de carga,
Fabrício usou de muita malícia.
Era um trecho de pista larga.
Mostrou ali toda sua perícia.

Perseguido por grupo de bandidos
o carreteiro teve de dar um jeito.
Pela carreta foram atingidos.
Desarmado, encarou-os no peito.

Os eixos do semirreboque
jogaram o carro fora da pista.
Foi apenas um sutil toque,
suficiente para atrapalhar o motorista.

Para o carreteiro um susto,
mas ainda não tinha acabado.
Fabrício com muito custo
acreditou que tinha escapado.

Outro carro com marginais
aproximou-se em velocidade.
O que faria aquele rapaz
para sair desta dificuldade?

Disparos de armas teve início.
A qualquer custo queriam pará-lo.
Teve de se virar o Fabrício.
Mostrou ter controle do seu cavalo.

Com habilidade e coragem
usou de seu bruto o tamanho.
Impediu do carro a passagem.
De algum tempo teve ganho.

O carreteiro chegou o relho.
Mercedes tendo do Scania o engenho.
Não deixou o carro ficar parelho.
Fabrício, na fuga tinha todo empenho.

Não dava para saber se o desfecho
seria favorável ao jovem Fabrício.
No controle do cavalo com terceiro eixo
mostrava habilidade no seu ofício.

Pelo rádio amador
o carreteiro procurou contato.
Momento desesperador
vivia naquele trecho de fato.

Outro carreteiro na escuta
veio rápido em seu auxílio.
Entrou com tudo na luta.
Mercedes carregado de milho.

Outro cavalo mecânico antigo.
Mercedes Benz 331 trucado.
Reconheceu o seu amigo
que vinha em ritmo acelerado.

Um carreteiro do Paraná,
atendia pelo nome de Roberto.
Dirigiu-se ligeiro para lá.
Conduzia seu bruto ali por perto.

Em posto de combustíveis
os dois carreteiros se conheceram.
Lado a lado dois caminhões incríveis.
Depois disso, contato não mais perderam.

Pelo rádio amador Fabrício e Roberto
falavam-se de pontos distantes do País.
Naquele dia ele estava ali por perto.
Fora uma coincidência bem feliz.

Mesmo carregado o Roberto
estava alguns quilômetros atrás.
acelerou e seu bruto esperto
mostrou do que era capaz.

Os malfeitores ficaram surpresos,
ao sentirem na traseira uma batida.
Entre os dois caminhões presos.
Estavam em situação sem saída.

Entre o para-choque de um cavalo
e a traseira do outro semirreboque.
O carreteiro Roberto viera ajudá-lo.
Atrás do carro deu um toque.

Dentro do carro um desespero,
verdadeiro pânico entre os bandidos.
Pressionados por um carreteiro
na traseira do outro eram espremidos.

Enquanto tudo isso acontecia
transitavam carros e caminhões.
Admirados com o que acontecia.
Momentos de fortes emoções.

Roberto deu alívio no acelerador,
e Fabrício deu uma distanciada.
O carro, em estado aterrador.
Virou massa retorcida e deformada.

Fora avisada a polícia.
Chegou após alguns momentos.
Repórter policial atrás da notícia.
Os carreteiros deram depoimento.

Bandidos não conseguiam sair.
Figuras perigosas e falsas.
Dois deles, para o policial a pedir.
Precisavam de um par de calças.

Tentaram se passar por vítimas.
mas a polícia não aceitou explicação.
Chances de escapar eram ínfimas.
Retirados do carro para o camburão.

Após fazerem o esclarecimento
os carreteiros liberados para a luta.
Aventura sobre a pista de rolamento
tinham de voltar para a labuta.

Como iam no mesmo sentido
andando com os brutos no limite.
Dois carreteiros atrevidos.
Viraram a noite sem usar rebite.

Parecia algo tão estranho
dois brutos antigos andarem tanto.
Recebiam admiração sem tamanho.
Caminhoneiros olhavam com espanto.

Chegaram a um entroncamento
Cada um foi para uma direção.
Fabrício buzinou em agradecimento.
Roberto acenou de seu caminhão.

Junto a Iveco, Ford, Volkswagen, Scania e Volvo,
o Mercedes Benz cara chata mostra-se valoroso.
Não existe caminhão velho ou novo
O que existe é dono zeloso.

Roberto Dias Alvares

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