O frete (novamente) na ciranda financeira

por Blog do Caminhoneiro

Preço do frete vai aumentar no RS

O preço do transporte se faz através de negociações baseadas em distância, prazo de entrega, peso e das mercadorias a serem transportadas. Quem contrata frete estabelece o prazo para o seu pagamento.

Esse valor segue práticas aceitas em todos os setores econômicos e, dentre as mais conhecidas está o tradicional “ 30 d.d. l” que significa 30 dias de data líquido: o transportador apresenta a fatura dos seus serviços e recebe 30 dias após essa apresentação.

Existem variações desses prazos como “30 dias” fora a quinzena, ou fora o mês e agora começam a surgir prazos maiores: 60, 90 e 120 dias.

No passado (antes do Real) havia a necessidade de indexar os preços dos serviços para que a inflação não corroesse o valor cobrado e dai muitos ainda se lembram da “correção monetária”.

Com o acirramento inflacionário que estamos vivendo somos obrigados a fazer cálculos para saber quanto cobrar para não sair perdendo no alongamento dos prazos.

Os embarcadores mais estruturados e mais capitalizados, estão negociando fretes com prazos dilatados e criam a alternativa de que o transportador receba os valores em prazos menores mediante negociação com os bancos, muitos dos quais por eles recomendados.

Dizer se um frete “liquidado” pelo banco é melhor, ou pior, que aquele feito diretamente pelo embarcador não é tão simples, mas já permite saber que a existência de mais um elo nessa cadeia não se dá por mero acaso.

Quanto custa o frete no final do mês? E daqui a 60 dias? E em 3 meses? Ao trazer o frete ao “valor presente” temos que tirar do preço os juros supostamente embutidos nele conhecida como “data zero”. A complexidade financeira envolvida nessas negociações não é pequena e nem desprezível.

Essas práticas de liquidação de fretes podem ser desfavoráveis para quem transporta, pois além de antecipar valores para prestar serviços pode ter que aguardar o seu recebimento por um prazo cujo custo o “transportará” para a ciranda finaceira onde é sempre fácil entrar e muito difícil de sair.

Para os que se lembram desses períodos a economia basta desengavetar a sua calculadora HP e readquirir a prática desses cálculos. Para os que estão chegando agora, a indexação dos valores terá que ser incorporada às RFC/BID (request for proposal ou solicitação de proposta e busca pelo melhor preço, em tradução adaptada) para possibilitar a sua sobrevivência nessa roda viva.

Texto de Paulo Westmann

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