COLUNA MOBILIDADE EM FOCO – VOLVO FH16 750 (X) SCANIA R730, QUEM É O REI DO PEDAÇO NA ORDEM DO DIA

por Blog do Caminhoneiro

scania r730 vs volvo fh16 750

O Volvo FH16 750 até tem os seus méritos, que não são poucos, mas parte da idolatria devotada ao FH no Brasil deve-se ao fato de que ele concorre sozinho no mercado brasileiro na sua faixa de potência, o que não ocorre na Europa. Se unidades do Scania R730 estivessem rodando pelas nossas estradas o FH16 750 não teria a legião de fãs que acumula entre os brasileiros. O certo é que somente a Volvo e a Scania tem, no momento, caminhões de produção seriada com potências máximas acima de 700 cv. Não que isso confere as duas fabricantes suecas aporte de tecnologia que somente elas dominam.

Pelo contrário, outros fabricantes europeus, como Mercedes-Benz, MAN, Iveco, Renault e DAF não entraram neste nicho de mercado apenas porque não é prioridade pra eles no momento, pois tecnologia para tanto eles também dominam. Tanto na Europa quanto aqui no Brasil temos presenciado cenas de desperdício de dinheiro ao se utilizar caminhões acima de 700 cv para tracionar cargas que qualquer outro cavalo mecânico com potência de 440 a 500 cv também tracionariam. E com melhor relação custo/benefício e menor custo por km/rodado, pois o seu preço de aquisição é menor. Caminhões com potência do Volvo FH16 750 encontram melhor aplicação no transporte de cargas indivisíveis acima de 200 toneladas de PBTC.

Na Europa, com rodovias duplicadas e de traçado muito superior as do Brasil e que permite velocidades médias muito superiores as nossas, é comum ver estes super caminhões no transporte de cargas de peso bruto total de 60 a 90 toneladas. Este fator permite o uso destes cavalos mecânicos super potentes no transporte de cargas teoricamente mais condizentes com caminhões de potências entre 400 a 550 cv. No Brasil ocorre o contrário, a maioria das rodovias são sinuosas, de pistas simples e congestionadas, o que impede o uso pleno da cavalaria destes motores acima de 700 cv, fazendo com que sua velocidade média seja praticamente a mesma de outros de potências até 250 cv inferior.

A versatilidade destes super motores em solo brasileiro não encontra a mesma amplitude verificada na Europa. O seu uso aqui, sensato, limita-se ao transporte de cargas indivisíveis. O Volvo FH16 750, dono do título de caminhão de produção seriada mais potente do mundo desde 2012, é equipado com o motor D16 G750, Euro 6 na Europa, Euro 5 no Brasil. Sua arquitetura de construção é de seis cilindros em linha e 16,123 litros de cilindrada. Prima pelo uso de camisas úmidas e válvulas no cabeçote e a metodologia empregada para alcançar a potência máxima de 750 cv se dá com injetores “common rail” de alta pressão, dois turbos de geometria variável e mais o intercooler.

Volvo FH16 750 (1)

E para atender a legislação Euro 6 a Volvo utiliza o sistema SCR com injeção de AdBlue no catalisador. O engenho de força do FH16 750 alcança 750 cv de potência máxima a 1.400 rpm e momento binário (torque) de 3.553,18 Nm (Newton metro), que, dividindo pelo “número constante 9,81” dá 362,2 mkgf entre 1.050 a 1.400 rpm. O freio motor VEB atua por descompressão e chega a potência de 640 cv em 2.200 rpm. A caixa de câmbio é automática, I-Shift, 12 marchas a frente e 4 a ré, com opção de relação 3,08:1, que aliado aos pneus de série 315/70 R 22,5 permite ao FH16 750 trafegar a 89 km/h com o motor girando em 1.200 rpm. O grande rival deste Volvo é também sueco. Trata-se do Scania R730. Ele é equipado com o motor DC1621 730, 16,353 litros, Euro 6 e que utiliza o sistema SCR com AdBlue (Arla 32) para tratar a recirculação dos gases da combustão. Possui quatro válvulas por cilindro (32 no total), duplo comando de válvulas, uma para cada linha de cilindro. O turbo é de geometria variável (VGT), com sistema de injeção XPI, common rail.

O DC16 chega a 730 cv de potência máxima em 1.900 rpm. O torque máximo é de 357,1 mkgf entre 1.000 e 1.350 rpm. A caixa de câmbio é automática, Scania GRSD 925 R, Opticruise, com 12 marchas a frente e duas a ré, com software mais evoluído e rápido nas respostas se comparado com as versões anteriores. A caixa se adapta de acordo com o trajeto e o modo de condução, dispondo dos modos “standard, econômico, potência e off-road”. Possui ainda a função “eco-roll”, que coloca o motor em ponto morto quando detecta que é possível rodar nesta condição. A relação do diferencial é longa, 2,92:1, que permite rodar a 90 km/h com o motor em 1.150 rpm, se equipado com os pneus de medidas 315/70 R 22,5.

Um detalhe, comparado mano a mano, mesmo PBTC e condições semelhantes de tráfego e de rodovia, o R730 é 1,01% mais veloz e roda com giros do motor 4,14% menor na faixa de rotação nominal do motor. Provavelmente, o Scania R730 é mais econômico que o Volvo FH16 750, além de mais veloz. Potência máxima não é tudo, é apenas um dado acadêmico/técnico, obtido em testes de laboratório. Ninguém roda com potência máxima, que somente se obtém na maior rotação possível do motor, condição que eleva o consumo as alturas e reduz a vida útil do “powertrain” perigosamente. Então temos que se os dois percorrerem 900 quilômetros, o R730 precisará de 10 horas para fazer o trajeto. Já o FH16 750 de 10h11.

Estes 11 minutos de vantagem por dia, numa semana de cinco dias (segunda a sexta-feira), confere 55 minutos de vantagem para o Scania R730. Em um mês de 20 dias úteis, 220 minutos (3 horas e 40 minutos). Em 12 meses, 240 dias úteis, o que dá 2.640 minutos (44 horas). Ou seja, para cada ano trabalhado, por ter sido mais veloz, o R730 trabalhará 44 horas a menos (uma semana útil) para transportar a mesma carga do Volvo FH16 750. E motor desligado não consome, detalhe importante. Vamos a mais números. O R730 roda com 4,14% menos giros do motor para manter uma velocidade superior ao FH16 750 na menor rotação nominal possível. Menos giros do motor, menor consumo, outra vantagem. Vamos a mais dados técnicos para fazermos o comparativo entre estas duas feras:
1) Cilindrada do motor: Volvo FH16 750 = 16.123 cc.; Scania R730 = 16.353 cc.;
2) Potência máxima: Volvo FH16 750 = 750 cv a 1.400 rpm; Scania R730 =730 cv a 1.900 rpm. Volvo tem 2,74% maior potência máxima. O FH16 750 extrai 21,50 cv/litro. E o R730 22,40 cv/litro.

3) Torque: Volvo FH16 750 = 362,2 mkgf entre 1.050 a 1.400 rpm; Scania R730 = 357,1 mkgf entre 1.000 a 1.350 rpm. O FH tem 5,1 mkgf a mais, o que dá 1,43% a mais de torque, ou seja, apesar de ter 20 cv a mais de potência máxima, os dois possuem praticamente o mesmo torque na mesma faixa de giros de seus motores. O FH extrai 22,49 mkgf/litro. O R730 consegue 21,77 mkgf/litro, o que dá 3,3% de vantagem para o Volvo;
4) Torque real nas faixas de rotação nominal do motor:
– Em 1.050 rpm: FH16 750 = 271,65 mkgf / R730 = 277,74 mkgf (+ 2,24% para o R730);
– Em 1.200 rpm: FH16 750 = 310,45 mkgf / R730 = 317,42 mkgf (+ 2,25% para o R730);
– Em 1.400 rpm: FH16 750 = 362,2 mkgf / R730 = 357,1 mkgf (+ 1,43% para o FH).

Analisamos até o presente momento oito variáveis, parâmetros de avaliação. O Volvo FH16 750 venceu quatro e o Scania R730 em quatro. É praticamente um empate técnico, pois as diferenças são muito pequenas. O pulo do gato do R730 está na parte de cima da rotação nominal do motor, pois ele consegue torque máximo em rotação 50 rpm a menos que o FH16 750, o que faz com que nas faixas de rotação de 1.050 e 1.200 rpm o seu torque seja ligeiramente superior ao do FH. A relação do Volvo FH16 750 é de 3,08:1 (uma das mais usuais) e a do Scania R730 é de 2,92:1, ou seja, mais curta no FH e mais longa no Scania. Temos então que o FH16 750 tem um diferencial de relação curta e o R730 relação longa.

Scania R730 V8 PainelCom esta relação, se tiver tracionando carga abaixo de sua CMT (capacidade máxima de tração), que é exatamente igual a do FH, 250 toneladas, por exemplo, uma composição tipo bitrem com PBT (peso bruto total) de 74 toneladas, o Scania R730 vai ter desempenho superior ao FH16 750 e chegar na frente. Sua velocidade média será superior com rotação menor do motor na potência e torque nominais. É tudo uma questão de prioridade, uma relação curta que faz o caminhão subir até num “pé de eucalipto” ou uma relação alongada, que permite giro menor do motor, maior velocidade e mais economia. O FH16 750, com relação de transmissão do diferencial mais curta, tem mais força nas arrancadas, subidas e para tracionar cargas indivisíveis em baixas velocidades, mesmo tendo a mesma CMT do R730. Já a relação longa do R730 lhe confere desempenho maior quanto à velocidade média.

O FH16 750, com a relação de 3,08:1, ante 2,92:1 do R730, significa que a engrenagem motora tem de dar três voltas (3,08) para cada volta da engrenagem movida. Já o R730 dá 2,92 voltas (2,92:1), o que resulta em 5,48% menos rotação do motor do R730, fazendo com que ele rode numa velocidade de cruzeiro maior e com menos giros no motor que o FH16 750. E é aqui que está o pulo do gato. O Volvo FH16 750 perderia para o Scania R730 em quatro das oito variáveis analisadas. O FH é próximo em tudo do R730, sob qualquer variável analisada, mesmo com ambos os motores acoplados a dinamômetros pra testes em laboratório. São propostas diferentes, de mesma CMT, mas com muitas semelhanças entre si.

Vamos a mais dados. O FH16 750 tem motor de seis cilindros em linha, pistões com diâmetro de 144 milímetros. O R730 tem motor em V, V8, oito cilindros, quatro de cada lado do bloco do motor, pistões de diâmetro de 130 milímetros. O volume é de 864 mm para o FH16 750 e de 1.040 mm para o R730. O curso do pistão do FH é de 165 mm, contra 154 mm do R730. O motor do R730 conta com cinco mancais no virabrequim e no motor do FH o número de mancais chega a sete. Para finalizar, muitos outros dados poderiam ser comparados, desde que disponíveis pela Volvo e pela Scania. Seria de bom tom que alguns dos testes de laboratório fossem divulgados.

Saberíamos assim qual o consumo específico em g/cv/h (gramas por cv/hora). É a maneira mais prática e justa de medir o consumo, pois as condições de testes numa bancada, em um dinamômetro são absolutamente iguais. No campo, dois gigantes deste porte, fica difícil mensurar o consumo. Se for no transporte de carga indivisível, praticamente quase que impossível. Teria que ambos estarem sendo utilizados para tracionar a mesma carga, como, por exemplo, o rotor transportado para a Usina de Belo Monte, entre Araraquara e o Porto de Santos. Neste caso de baixíssima velocidade de cruzeiro, o consumo teria que ser monitorado por hora.

Encontrei ainda que o Volvo FH16 750 tem Tara de 10.023 quilos e o Scania R730 de 10.171 quilos. Mas sem especificação da configuração do chassi/rodas, se tipo 4 x 2, 6 x 2, 6 x 4 ou 8 x 4. Se correta esta Tara, o FH16 750 tem relação de 13,36 kg/cv e o R730 de 13,93 kg/cv, 4,26% a mais de peso/cv para o R730 tracionar. Se ambos tracionando uma composição tipo bitrem, configuração tipo 6 x 4, carga útil de 54.450 kg, teríamos esta condição:
1) FH16 750 = PBTC de 77.450 kg, 120,47 kg/cv com o motor em 1.200 rpm;
2) R730 = PBTC de 77.450 kg, 119,36 kg/cv com o motor em 1.200 rpm.

Nesta configuração que, apesar de ter uma Tara de 148 kg a mais no cavalo mecânico, o R730 reverte em menos 1,11 kg/cv devido ao fato de ofertar potência 0,938% maior nesta faixa de rotação. Cabe ressaltar que muito do que fizemos nesta matéria foi fruto de cálculos e mais cálculos matemáticos, pois não temos acesso a números dos testes reais destes motores em situação de tráfego nas estradas e em laboratórios. Se tivéssemos mais dados em mãos, como o preço de aquisição de cada modelo e o consumo de combustível, por exemplo, poderíamos evoluir para o cálculo do consumo por tonelada bruta e do consumo por tonelada líquida.

Se estendendo ainda ao custo por km/rodado, tempo para percorrer determinados percursos e até calcular todos os itens relativos aos custos fixos e custos variáveis dos dois gigantes. Analisamos nesta matéria somente uma condição, com base em uma única relação de transmissão do diferencial, 3,08:1 para o FH16 750 e 2,92:1 do R730. Ocorre que outras relações estão disponíveis, como 3,46:1 para o FH (mais reduzido ainda) e de 3,27:1 para o R730, o que faz dele um cabrito pra subir rampas. Com certeza relações de transmissão alongadas também estão disponíveis para o FH16 750. Em suma, potência máxima é apenas um dado acadêmico, de homologação. O que vale é a caixa de câmbio e a relação de transmissão do diferencial. E, para efeitos de cálculos comparativos, o “número base” escolhido dá o tom, o rumo da conversa. Dito isso, pode escolher agora qual o seu caminhão preferido, Volvo FH16 750 ou o Scania R730?

Texto/matéria: Carlos Alberto Ribeiro

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3 comentários

Ronaldo 30/12/2019 - 11:42

Faltou o Mercedes aí… O actros de 600 vc e capacidade de tração de 500 toneladas

Maecio Santana 10/08/2017 - 11:18

Scania !!!

Marcos 30/01/2017 - 15:38

Eu prefiro Scania….

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