WAGNER O TRATORISTA




Em meio a floresta amazônica
onde é difícil fazer o transporte,
levar a carga é uma tarefa titânica.
Carreteiros largados a própria sorte.

É nesse cenário inóspito e selvagem
de lamaçal e grandes atoleiros,
onde homens mostram sua coragem
e ajudam a atravessar os estradeiros.

Existe um rapaz que é tratorista,
enfrenta as intempéries com chuva e sol.
Na arte de pilotar um trator é artista.
Seu nome: Wagner Español.

Apesar de ser ainda bem novo
dirige qualquer tipo de trator.
Arrasta Scania, Mercedes, Iveco e Volvo.
É na lama que mostra seu valor.

Já passou por muitas situações
e em todas encarou a luta de frente.
Com cabo de aço rebocando caminhões.
Às vezes usando uma grossa corrente.




Naquele ano, chuvas intensas
tornaram a estrada intransitável.
Para carretas, dificuldades imensas.
Andar por ali parecia inviável.

Muita chuva e terra fofa, junção de fatores
para formar um atoleiro sem fim.
Seriam necessários muitos tratores.
Para aquele comboio sair dali só assim.

Seis tratores unidos por cabo de aço
Iriam puxar o primeiro bitrem atolado.
Grupo de tratoristas ruins de braço
começaram a puxar do jeito errado.

Cabo de aço amarrado á frente dos tratores.
Aquela união de forças parecia ser o bicho.
Quando arrancaram, verdadeiro show de horrores.
Deveriam ter fixado o cabo no rabicho.

O último trator no bitrem engatado,
potente arranque, chegaram o relho
O estradeiro no barro estava cimentado.
O trator acabou partido ao meio.

Aquela foi uma cena bizarra.
Um vigoroso trator partido ao meio.
Quiseram tirar o bitrem na marra.
Tentaram ajudar e erraram feio.

Chamaram Wagner, o tratorista.
Homem que alia coragem e inteligência.
No comando da máquina um artista.
Lida com elas tendo coerência.

Tratorzão com tração quatro por quatro.
Wagner, não estava ali para brincadeira.
Deu partida e patinando sobre o rastro
parecia um tatu usando chuteira.

Voou barro e lama para todo lado
e o bitrem se movendo lentamente.
Um a um cada caminhão foi tirado.
Um trator e seu tratorista valente.

Quando os pneus não tinham mais aderência
Wagner apelou para o trator de esteira.
Tanta força bruta era uma indecência.
Tirava mais um bitrem da lamaceira.

Assim passou o dia até chegar a escuridão.
Livrando caminhões e carretas da armadilha.
O cabo de aço no limite de sua tensão.
Em meio à selva não havia estrada só uma trilha.

Também usando pá carregadeira
para deixar as estradas em boas condições.
Cobria com terra um pouco da lamaceira.
Ajudava carretas, bitrens e caminhões.

Era conhecido dos caminhoneiros
por ser um menino show de bola.
Todos eram seus amigos e companheiros.
Pilotava de tudo, até patrola.

Arando terra ou fazendo reboque
com ele não há trecho intransponível.
Com motoniveladora dá um retoque
e a estrada fica de novo disponível.

Naquela região sempre chuvosa
dois caminhões adentraram um rio.
Colocaram-se em situação perigosa.
Enchente inesperada de repente surgiu.

A chuva caía incessante
e o rio aumentando de volume.
Eram dois caminhões basculantes.
Passar ali, motoristas tinham costume.

Mas a enchente veio com rapidez
e os motoristas se viram perdidos.
Chamaram Wagner mais uma vez.
Seriam difíceis momentos vividos.

A bordo de uma retro-escavadeira
entrou em meio a violenta correnteza.
No rodado a segurança da esteira.
Ao trator dava muito mais firmeza.

Enquanto se locomovia em meio a torrente
usava o braço mecânico e a mão de aço.
Tateando pelo rio, único apoio somente.
Salvar os motoristas era o próximo passo.

Aproximou-se do primeiro caminhão
e o motorista subiu no trator.
Até o outro fez a locomoção.
O homem assustado tomado pelo pavor.

A correnteza ameaçava arrastar o trator.
O braço mecânico apoiado no fundo.
Wagner, valente e heroico trabalhador
via o rio ficar cada vez mais profundo.

Chegou até o outro caminhão
andando com muita dificuldade.
Chegava ao ápice da tensão.
Na água era difícil a mobilidade.

Um dos caminhões ja sendo arrastado
por aquela água barrenta e volumosa.
Os dois motoristas tinham sido tirados,
graças a Wagner e sua atitude corajosa.

Dez dias haviam se passado
e o rio voltara ao normal.
Wagner, até lá havia retornado.
Retirar os caminhões do lamaçal.

Enterrados por terra e entulho
a retro-escavadeira entrou em ação.
Ronco do motor e um forte barulho
conseguiram liberar o caminhão.

O outro caminhão havia tombado
e para retirar houve dificuldade.
Até o chassis estava atolado.
Wagner trabalhou com habilidade.

Salvou os dois caminhoneiros
e retirou os dois caminhões.
Graças a Wagner, esse brasileiro
que recebeu deles saudações.

Um carreteiro foi imprudente
querendo atravessar profundo rio.
Pagou caro esse ato inconsequente.
O gigante ali quase que inteiro sumiu.

Homens que viram tudo da margem
correram chamar algum tratorista.
Nenhum deles mostrou coragem.
Na cabine submersa não se via o motorista.

Quando o Wagner foi encontrado,
trabalhava na terraplanagem.
Para essa emergência foi chamado.
Nele não faltava coragem.

Com a moderna motoniveladora
Wagner partiu até o lugar do acontecido.
Adentrou com a máquina na corredeira.
Indo a nado, no bitrem o cabo foi prendido.

Saiu de dentro do rio.
O cabo ficou bem esticado.
Com força o motor rugiu.
O bitrem começou a ser puxado.

A máquina patinava nos eixos traseiros
e lentamente o caminhão vindo.
Parados estavam na torcida os carreteiros.
Comemoravam ao ver o bitrem saindo.

Tal qual um garanhão selvagem
a patrola levantou a dianteira no ar.
Wagner não se intimidou e na coragem
continuou forçando e a acelerar.

Aos poucos apareceu cabine e capô do motor.
O imenso bitrem parecia um peixe fisgado.
Wagner tal qual experiente pescador
ia lentamente puxando o conjunto carregado.

O cabo de aço igual linha de pesca
esticado, range com tamanho peso.
Confiar no tratorista o que resta.
O bitrem parece um peixe indefeso.

O bitrem é retirado do rio caudaloso.
Pelos que assistiam, Wagner é aplaudido.
Mostrou habilidade acima de tudo ser corajoso.
Para ele, mais um desafio vencido.

Para quem viaja ao norte do Brasil
naquelas estradas de barro e lama
Falar do Wagner todo mundo já ouviu.
Trabalha feliz e de nada reclama.

Cada novo atoleiro é um desafio
mas nenhum deles segurou o rapaz
Ele, o melhor piloto de trator do Brasil.
Wagner, de vencê-los será sempre capaz.

Roberto Dias Alvares




2 comentários em “WAGNER O TRATORISTA

  • 21/03/2017 em 16:00
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    Da uma sugestão: que tal vocês mostrarem anúncios de caminhões usados, pra venda ou base de troca?
    Seria mais informação para os leitores.
    Abraço obrigado

    Resposta
  • 20/03/2017 em 16:41
    Permalink

    Essa história da estrada homenageia os tratoristas que ajudam a tirar as carretas e bitrens dos atoleiros.

    Resposta

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