Ministro da Infraestrutura defende fim da pesagem por eixo nas rodovias

por Blog do Caminhoneiro

O Ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, disse que mudou seu posicionamento, e agora é favorável à pesagem de caminhões em rodovias pelo Peso Bruto Total, e não por eixo, como é feito atualmente.

O tema é uma reivindicação antiga dos caminhoneiros, já que muitas pesagens dão excesso de peso em apenas um dos eixos, e o caminhoneiro acaba multado, mesmo transportando cargas com peso menor do que o PBT suportado pelo veículo.

“Está na hora de fazermos uma mudança e acabarmos com a pesagem por eixo, passando a pesar o peso bruto total”, disse o ministro ao participar de um seminário virtual com investidores do Banco Santander, ontem pela manhã.

De acordo com o ministro, a pesagem do veículo completo é mais adequada à ideia de modernização do transporte rodoviário de cargas, que, entre outras medidas, prevê o fim dos postos fiscais em rodovias e o uso de sensores eletrônicos que permitam a pesagem dos caminhões em movimento.

“Eu era contra acabar com a pesagem por eixo porque, no fim das contas, as falhas em um pavimento são provocadas pela repetição da carga por eixo. Mas há uma dificuldade operacional muito grande para fazer a pesagem por eixo. E pesando o total, a variação por eixo é muito pequena; é tolerável. O ajuste pode ser feito no próprio projeto [rodoviária]”, comentou Freitas.

Além da questão da pesagem, o ministro lembrou que está rodando em testes, no Espírito Santo, o projeto piloto do DT-e. O Documento Eletrônico de Transporte permite a simplificação de diversos documentos e procedimentos para transporte de cargas, reduzindo a burocracia e agilizando as operações de transporte.

Além de reduzir a burocracia, a medida acabaria com a necessidade de parada nos postos fiscais e com longas filas de espera nos postos de pesagem dos veículos.

“Queremos modernizar todo o sistema de transporte. Nosso projeto é substituir vários documentos de papel por um único, eletrônico, reunindo as informações sobre o que está sendo transportado, para onde, por quem, e se a questão fiscal está OK”, comentou o ministro.

De acordo com o ministro, um caminhoneiro perde, em média, 6 horas por viagem com procedimento burocráticos.

“A gente vai acabar com os postos fiscais nas rodovias, pois eles são um atraso. Parece um sonho, mas não é. Já estamos testando esta tecnologia no Espírito Santo e vamos fazer a alteração na legislação para, em pouco tempo, implantar isto no Brasil inteiro. E, junto, virá a pesagem em movimento, com o uso de sensores instalados no pavimento. Esta pesagem tem que ser por peso bruto, não dá para fazê-la por eixo. Com isso, acabaremos com o negócio da balança – que só vai ser necessária caso o caminhão ultrapasse o peso bruto total e seja necessário uma pesagem mais apurada”, completou o ministro.

Caminhoneiros

A declaração do ministro foi bem recebida pelo presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José Fonseca Lopes. “As colocações do ministro são perfeitas. Já há muitos anos os caminhoneiros autônomos brigam por isto, porque este negócio de dividir o peso da carga por eixo é a coisa mais complicada do mundo”, disse Lopes a Agência Brasil.

“Para nós, o caminho sempre foi este, sinalizado pelo ministro. Infelizmente, quem dava as cartas eram as concessionárias de rodovias, que inventavam mil e uma coisas para botar as coisas sempre do jeito delas”, acrescentou o sindicalista. “Termos um documento único para a viagem é importantíssimo”.

Concessionárias

Já a Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR) classificou como um “retrocesso” a hipótese de mudança do atual sistema de pesagem. “Não há como se obter o peso bruto total do caminhão ou mesmo a composição do veículo de carga com rapidez e eficiência a não ser pesando cada eixo para se obter o peso total”, argumentou a entidade, lembrando que este procedimento já está disponível inclusive para a pesagem em movimento.

Para a entidade, o que deveria ser revisto e adequado são os níveis de tolerância de precisão permitidos nas variações de aferição e homologação das balanças. De acordo com a ABCR, vários estudos apontam que um caminhão com 20% de excesso de carga reduz em até metade o tempo de duração do pavimento. Além disso, o excesso de peso aumenta o risco de acidentes, reduzindo a capacidade de frenagem do veículo e aumentando a possibilidade de tombamento em curvas – além de provocar desgaste prematuro de veículos pesados. Com informações da Agência Brasil.

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