A ESPOSA DO CARRETEIRO – Scania R 450 6×2

por Blog do Caminhoneiro

Osvaldo era carreteiro dos bons,
com a esposa grávida partiu.
O ronco do motor, melhor dos sons
dentre tantos que seu ouvido já ouviu.

O Scania comprado com sacrifício
Uma parte ainda era do banco.
Honestidade tinha como princípio.
Não tinha medo de enfrentar o tranco.

Em pequena cidade do Mato Grosso
alugaram uma casinha para morar.
Plantações de soja, imenso colosso.
Precisariam de sua carreta para levar.

Quando seu filhinho nasceu
A alegria do casal ficou mais acesa.
Necessidade de mais dinheiro cresceu.
O filho era bem precioso e não uma despesa.

Mas quando começou a colheita
Osvaldo foi acometido por uma doença.
Esperança de trabalho parecia desfeita.
Melhorar de vida perdia a esperança.

Internado no hospital da cidade
onde o recurso era bem pouco.
De trabalhar tinha necessidade.
Essa situação o deixava louco.

A esposa se chamava Caroline
Cabelo loiro e encaracolado.
Boca delicada, olhar sublime.
Olhos verdes e nariz delicado.

Vendo a angústia do marido
aquela jovem que parecia uma princesa
Em sua cabeça já tinha decidido:
Iria trabalhar e pôr comida na mesa.

O caminhão estava ali parado
e tanta soja para transportar.
Assumiu o volante do Scania trucado
e com o filho a seu lado foi trabalhar.

O bebezinho deitado no banco
e ao volante ia a bela Caroline.
Mesmo na dificuldade, um sorriso franco
podia se ver no rosto da jovem na cabine.

Enquanto o marido recebia a medicação,
Caroline estava com a carreta na lavoura.
Outros carreteiros a olhavam com admiração.
Cobiçavam aquela carreteira de cabeleira loura.

Alguns caminhoneiros lhe davam cantada.
Outros a respeitavam e dela sentiam dó.
Caroline sabia lidar com eles e com a estrada.
Afinal, era mulher de um homem só.

Assim ganhou o respeito geral
mas sempre tinha algum engraçadinho.
Saia na esperteza sem tratar mal.
Deixava o homem falando sozinho.

Esperava a colheitadeira completar a carga.
Subia na carroceria e puxava o encerado.
De vez em quando se ouvia uma risada larga.
Deixando qualquer homem enfeitiçado.

Enfrentava o cruel destino.
Não reclamava da difícil sorte.
Problema grande ou pequenino,
enfrentava mostrando ser mulher forte.

Chegava na cooperativa para entrega
e aguardava na fila para descarregar.
No escritório, a achavam vulgar e brega.
Pegava o pagamento e outra carga ia buscar.

À noite antes de ir para sua casa,
ia ao hospital visitar seu marido.
Ao escorria uma lágrima rasa,
pelo sofrimento de seu amor querido.

Mas Osvaldo foi se recuperando
e a safra estava na reta final.
Caroline continuava trabalhando.
Era a provedora de seu lar afinal.

Cobrindo a carga com encerado
vestindo calça jeans, camisa e bota.
O cabelo, rabo de cavalo amarrado.
O semirreboque, de soja ela lota.

Trocando marchas com suavidade
no Scania, Caroline não da mole.
Nos lamaçais acelera com vontade
para que seu bruto nele não atole.

Foram três longos meses.
Enfim, Osvaldo deixou o leito.
Pensou em sua esposa tantas vezes.
Ao chegar, apertou-a contra o peito.

Após um caloroso abraço
ganhou dela beijo apaixonado.
Entre eles, o amor nunca foi escasso.
O casal dormiu entrelaçado.

Quando de novo assumiu o volante
Osvaldo saiu contente para a lida.
A certeza de uma vida emocionante,
e a grandeza da mulher de sua vida.

Roberto Dias Alvares

COMENTAR

QUER ENTRAR EM CONTATO COM O BLOG DO CAMINHONEIRO? ENVIE UMA MENSAGEM CLICANDO NO NÚMERO ABAIXO

042-3532-4235

Artigos relacionados

3 comentários

Luciano de oliveira 06/09/2020 - 18:17

Linda história mulher de respeito e atitudes, parabéns

Reply
Gildomarcos 22/08/2020 - 17:48

Uma historia muinto linda …

Reply
Roberto Alvares 03/08/2020 - 20:28

Uma história que mostra a união de um casal nas horas difíceis

Reply

Deixe sua opinião sobre o assunto!