Destrinchando os modais – parte 4: Transporte Aéreo

por Blog do Caminhoneiro

Quem foi o criador do avião? Como surgiram as primeiras aeronaves? Qual é a importância setor aeroviário atualmente? Em continuação à série Os Modais de Transporte, vamos falar sobre o transporte aéreo: a história do avião, o brasileiro que queria voar, a utilidade das aeronaves no período das guerras e o comportamento atual do modal aéreo no Brasil. Descreveremos a linha histórica com os principais acontecimentos que moldaram o setor, bem como os personagens que marcaram a evolução aeroviária no decorrer dos anos, tendo como ênfase o período em que a utilização do avião se tornou imprescindível para obtenção de sucesso e sobrevivência às nações: a Segunda Guerra Mundial. O modal aéreo possui características particulares que serão apresentadas no texto abaixo. Aparelhamos o surgimento do modal aos principais acontecimentos globais em que este esteve envolvido, servindo para inteirar e embasar o assunto disposto junto ao leitor.

História

Um dos grandes desejos que o homem cultivou ao longo da história foi o de poder voar. As mitologias antigas – em especial gregas e romanas – traziam ao imaginário do povo uma ideia de que, voar seria um dom divino, um poder dos deuses, algo não permitido a “meros” mortais. Tal teoria impulsionava ainda mais o desejo do homem em voar, mas as práticas rudimentares realizadas por ele impediam quaisquer chances de obter sucesso. Há indícios de que a pipa foi inventada séculos antes de Cristo por povos orientais. As pessoas acreditavam que, a única maneira de voar seria obtendo asas como as de pássaros. A propósito, a capacidade dos pássaros em voar se dá logicamente em razão das asas; quando um pássaro força a parte posterior do corpo para baixo e inclina a cabeça para cima, as assas servem de impulso para que ele possa sair do chão. Após estar no ar, as asas servem de estabilidade e a cauda de direcional para cima ou para baixo, de acordo com o movimento contrário desta.

No decorrer dos séculos, grandes nomes da história estudaram o conceito de voar, criando primários estudos a respeito, os quais traziam mais ilusão do que exatidão em si, concluindo que um objeto deveria ser mais leve do que o ar para poder voar, ou ao menos gerar uma força suficiente para levantar voo; Arquitas, Arquimedes, Leonardo da Vinci e outros mais falaram sobre o voo.

Em 1709, o padre jesuíta, físico e matemático luso-brasileiro Bartolomeu Lourenço de Gusmão criou a passarola, que foi uma espécie de balão primitivo que “ascendeu aos céus” na praça de armas do Castelo de São Jorge em Lisboa. Ele recebeu a alcunha de padre voador, sendo possivelmente o primeiro homem que esteve dentro de um objeto no ar.

Após um hiato de tempo, em que o feito de Gusmão parecia ser mais mitológico do que real, surgiu no Brasil, nos anos finais do Império, um jovem cujo desejo era voar. Alberto Santos Dumont, brasileiro nascido na cidade que hoje leva o seu nome, antiga Palmira, no estado de Minas Gerais foi um aeronauta e inventor de grande renome no início do século XX.  Nascido em 20 de julho de 1873 era filho do engenheiro francês Henrique Dumont e de Francisca de Paula Santos, e, ainda garoto, costumava estar entre as máquinas e ferramentas da fazenda em que morava, já demonstrando grande admiração pela tecnologia da época. Seu sonho era poder, de alguma forma, alcançar os ares, voar; tanto que, ainda jovem, criava pipas e balões de seda, com os materiais que dispunha na fazenda. Após um acidente que deixou seu pai em grave estado de saúde no final do século XIX, a família Dumont mudou-se para a Europa. Alberto deu continuidade a seus estudos e inteirou-se ainda mais em conhecimentos tecnológicos na França, tendo presenciado o Peugeot tipo 3, um dos primeiros automóveis da história.

Após a formação no exterior, Santos Dumont usou seus recursos para objetivar seu sonho de criar um equipamento que desse ao homem condições de voar. Em 1898 criou o dirigível número 1, que possuía 25 metros de comprimento e um motor movido a gasolina, algo inédito até então, mas que não suportou fazer manobras e acabou rasgando. Porém, Dumont o consertou e o fez voar novamente, alcançando dessa vez muitas manobras. Infelizmente o dirigível teve um problema na bomba que o mantinha inflado e começou a murchar, obrigando o aviador a pousá-lo.

No ano seguinte, Santos Dumont fez o dirigível número 2 e o levantou no Jardim da Aclimação, grande ponto turístico de Paris. Para não acontecer de a bomba de ar falhar, Dumont colocou um pequeno ventilador de alumínio no dirigível, a fim de garantir seu formato e de não murchar. Todavia, mais um insucesso: o balão chocou-se com árvores próximas dali ao tentar fazer algumas manobras.

Ainda em 1899, no mês de novembro, Dumont voou no dirigível número 3, recém criado por ele. Era mais estruturado e possuía melhor performance que os anteriores, com seus 20 metros de comprimento decolou e contornou a Torre Eiffel, em um ato que ficou registrado como inovador à época. Dumont ainda construiu outros dirigíveis cada vez mais sofisticados e tecnológicos, os quais eram notícia frequente em jornais franceses. Mesmo com o sucesso conquistado pelos dirigíveis, Santos Dumont não estava satisfeito, e ainda procurava um meio de criar um objeto voador mais pesado do que o ar, e mais veloz que um automóvel.

A maior invenção de Santos Dumont foi, sem dúvidas, o 14-Bis. A máquina mais pesada a transitar no ar até aquele momento da história decolou no ano de 1906 e não possuía um balão inflável de sustentação. Tinha 10 metros de comprimento, 4,8 m de altura e 12 m de envergadura, pesando cerca de 160 kg, gerando uma potência de 50 HP e 8 cilindros em “V”, com velocidade máxima de 30 km/h. O evento foi prestigiado por aproximadamente mil pessoas e rendeu a Santos Dumont prêmios da aviação francesa.

Após o 14-Bis, Dumont ainda desenvolveu outras maquinas inéditas, entre elas o Demoiselle – ultimo avião do brasileiro – construído com bambu e que alcançava até 120 km/h. Há alguns que dizem que o brasileiro foi ainda o criador do relógio de pulso, juntamente com o joalheiro francês Louis Cartier, no início do século XX, pois para pilotar as aeronaves os pilotos não poderiam perder tempo e visibilidade pegando o relógio de bolso, o que fazia sentido tê-lo mais próximo à visão, nesse caso, no pulso. Santos Dumont sofreu grande desgosto no período da Primeira Guerra Mundial, pois viu sua invenção ser manuseada por homens que tinham por intuito tirar a vida de outras pessoas, e disse a seguinte frase: “Criei um aparelho para unir a humanidade e não para destruí-la”. Faleceu em 23 de julho de 1932, com esclerose múltipla. É considerado um dos maiores brasileiros de todos os tempos.

Nos Estados Unidos, os méritos pela criação das primeiras aeronaves são dados aos Irmãos Wright – Wilbur e Orville Wright. Eles teriam realizado o primeiro voo em 1903, após longa experiencia com planadores. O avião feito por eles, o Flyer, possuía um motor a gasolina com duas hélices, e percorria aproximadamente 30 metros em 10 segundos. Em 1905 teriam conseguido permanecer por mais de meia hora com o avião no ar. Ganharam fama após apresentarem e venderem seus projetis ao exército americano ainda na primeira década do século XX. Fundaram a Companhia Wright em Dayton, EUA, e passaram a administrar todos os negócios envolvendo máquinas e pilotos aéreos. A fábrica não durou muito tempo devido a constantes acidentes sofrido por pilotos, fechando as portas em 1911, sendo que o que restou da empresa foi negociado posteriormente. A discussão sobre quem realmente inventou o avião foi amplamente discutida e relativizada ao longo da história. Ao que tudo indica, os irmãos Wright testavam seus aviões sem público presente para que o comprovasse; já Santos Dumont propunha fazer a exibição sempre diante de espectadores em Paris. Certo é que, tanto os americanos como o brasileiro, colaboraram grandiosamente para a inicialização do transporte aéreo.

Na década seguinte das criações veio o primeiro conflito, a Primeira Guerra Mundial, que foi um verdadeiro laboratório de inovações no setor aéreo. As “máquinas voadoras” incipientes já eram adaptadas para o manuseio em batalha, e pilotos eram treinados para guiar as novas armas de guerra. As aeronaves pioneiras de combate eram de madeira e dispunham de baixa potência com limitada capacidade de permanecer no ar. O acervo de armamento disponível para utilização nos aviões também era rudimentar, o que não propiciava aos pilotos “tiros certeiros” contra o alvo. O decorrer da guerra fez com que os países envolvidos melhorassem compulsoriamente o nível de suas aeronaves, bem como o poder de fogo e a velocidade dos aviões.

Um dos grandes nomes dos céus na Primeira Guerra Mundial foi Manfred Von Richthofer, o Barão Vermelho, piloto alemão nascido em 1892, considerado o primeiro grande piloto de reconhecimento mundial. Começou como oficial na Cavalaria do exército da Prússia no início da guerra, em 1914; porém, a cavalaria não foi eficaz nos confrontos, visto que as trincheiras amontoavam mortos que avançavam a cavalos para o território inimigo. No ano seguinte, juntou-se a o então maior piloto alemão em atividade Oswald Boelcke, o qual foi seu mentor e antecessor em abates aéreos. Manfred derrubou 80 aviões inimigos, obtendo o maior número de vitórias sobre os ares em todo o período do conflito. Nos tempos da guerra, quanto mais aviões um piloto derrubasse, maior era seu reconhecimento e suas premiações junto ao seu país. Tamanha era a confiança de Richthofer em abater seus adversários, que ele ordenou que pintassem o seu avião de vermelho, destacando-se dos demais, de modo a intimidar seus oponentes. Pilotou o Albatros D2, Albatros D3 e o Fokker DR1, este último considerado um dos melhores aviões de combate no confronto. Morreu em 21 de abril de 1918, após ser alvejado por australianos em um voo em que estava muito próximo ao solo. Tamanho foi seu reconhecimento no confronto que, os próprios inimigos australianos que o mataram fizeram para ele um enterro com honras militares e com o mérito de O Barão Vermelho.

Um dos símbolos da aviação entre os países vencedores da Primeira Guerra Mundial foi o francês René Paul Fonck, que derrubou 75 aviões inimigos em combate, a serviço da Legião de Honra da França. Iniciou como cavador de trincheiras e ajudava no conserto de estradas, porém decidiu rumar para a aviação nos primeiros meses do combate. Sobreviveu à guerra e se notabilizou por derrubar diversos aviões alemães modelo Albatros. Foi o segundo piloto que mais vitórias obteve em combates, atrás apenas do Barão Vermelho.

A Segunda Guerra Mundial serviu de grande salto para o setor aéreo, pois, para obter dianteira no conflito, os países envolvidos – Eixo e Aliados – investiram pesado em aviação, de modo a ganhar vantagem sobre o inimigo pelos céus, já que o confronto em solo possuía características adversas onerosas para ambos, tanto os que avançavam à conquista quanto aos que defendiam suas terras. Ou seja, quem obtivesse maior conhecimento e domínio sobre as áreas do inimigo, poderia traçar melhores estratégias de batalha para triunfar, além de usar as aeronaves para bombardear acampamentos, bases aéreas e fábricas dos adversários. No começo do confronto, os alemães possuíam uma esquadra aérea invejável. Eram superiores aos seus inimigos quando as batalhas se davam nas alturas. As mais letais aeronaves e o melhores pilotos disponíveis estavam a serviço dos nazistas

Foi um avião que, curiosamente, fez os Estados Unidos entrar na guerra. Em 7 de dezembro de 1941, aviões japoneses Mitsubishi A6M Zero atacaram a base naval americana de Pear Harbor, no Havaí. No dia seguinte, o presidente americano Franklin Delano Roosevelt declarou a entrada dos norte-americanos no combate mundial. O caça A6M zero possuía 9 metros de comprimento, 3 de altura e 12 de envergadura, pesando carregado cerca de 2.800 kg, podendo gerar uma velocidade superior a 500 km/h, levando ainda 2 metralhadoras, 2 canhões e 2 bombas. Os Mitsubishi foram pilotados por aqueles que são considerados os maiores pilotos japoneses no confronto, Hiroyoshi Nishizawa – morto em combate nas Filipinas em 1944 – e Saburo Sakai (1916-2000), considerado no Japão o maior piloto sobrevivente da Segunda Guerra Mundial.

Em 1945, quando o conflito da Segunda Guerra Mundial se aproximavam do fim, o grande poderio aéreo da Alemanha havia definhado, o que motivou os ataques kamikazes alemães, nos quais os pilotos nazistas possuíam um paraquedas que era acionado após o piloto pular da aeronave para sobreviver – ainda que as chances eram remotas. Tal ataque tinha começado com os japoneses, que, diferentemente dos alemães, mantinham seus pilotos na aeronave até a colisão, ou seja, um suicídio premeditado visando a destruição própria e do inimigo. Tais soluções foram vistas na época como sinal de desespero dos países do Eixo, o que traduzia que o confronto era favorável aos Aliados.

O responsável por enviar as bombas nucleares até Hiroshima e Nagasaki, foi o avião B-29 Superfortress, desenvolvido pela Boeing no início da década de 1940, era tido como o maior avião militar da época, cuja velocidade máxima era de 587 km/h. Tinha 30 metros de comprimento e pesava aproximadamente 54 mil kg, foram mais de 50 mil operários envolvidos em sua fabricação.  Possuía ainda cabine pressurizada, com capacidade para dez tripulantes e com um poder de fogo devastador: 12 metralhadoras de calibre 50 movidas por controle remoto, 1 canhão de 20 mm e carga de bomba de 20 mil libras. Outro avião amplamente utilizado no conflito foi o Focke-Wulf 190, um caça alemão com velocidade máxima de quase 700 km/h, utilizado pelo exército nazista durante quase cinco anos de guerra, esteve em todos os embates da força aérea alemã Luftwaffe, deixando grande rastro de destruição nos combates que realizou, sendo ainda notabilizado por usar o estilo cockpit tipo bolha, o que permitia ao piloto ter visão em todas as direções; possuía grande poder de fogo, com 4 canhões e 2 metralhadoras.

O maior piloto da Segunda Guerra Mundial foi o alemão Erich Hartmann, conhecido como cavaleiro loiro, que cumpriu mais de 1.400 missões de combate e derrubou 352 aviões adversários dos alemães. Era admirado até mesmo pelos seus inimigos, pois nunca fora abatido por um deles, e chegou a derrotar 11 caças soviéticos em um único dia, em menos de 4 horas de combate, quando tinha apenas 22 anos.

O transporte aéreo no Brasil surgiu na década de 1920, por companhias aéreas estrangeiras: a francesa Aeropostále e a alemã Lufthansa. Após o início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, da qual participaram as principais economias da época, o Brasil se posicionou ao lado dos Estados Unidos no decorrer dos acontecimentos bélicos. No período, o então presidente Getúlio Vargas fundava empresas estatais de grande porte no país, as quais são até hoje mundialmente conhecidas, caso da Vale do Rio Doce (Vale) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Também foi criada, em 1940, a Fábrica Nacional de Motores de Avião (FNM), cujo objetivo era industrializar o setor aéreo no país, mas que, por conta dos acontecimentos da guerra, não obteve êxito no segmento. Ao acordar com os Estados Unidos bases militares americanas em solo brasileiro, Vargas recebeu incentivos financeiros e tecnológicos para a continuidade da operação na FNM. Com o fim da guerra, a empresa passou a fabricar caminhões para sua sobrevivência, de onde surgiu o lendário caminhão Fenemê.

Os Estados Unidos foi o país que melhor se saiu após o confronto. Se já era considerado grande potência mundial, agora oficializara tal posto e se tornaria uma espécie de “regedor” socioeconômico das demais nações. A língua inglesa tornou-se o idioma mundial e o dólar americano a principal moeda do mundo, que até os dias atuais serve de parâmetro para todas as outras moedas. O poder bélico exercido pelos norte-americanos no confronto – em especial na última fase nos bombardeios nucleares de Hiroshima e Nagasaki – não só encaminhou o fim do conflito como também apresentou ao mundo a capacidade tecnológica inovadora e armada da nação americana. É correto dizer que a guerra foi, também, um confronto de tecnologia, principalmente armamentista, na qual o “país vencedor” largou à frente dos demais em todos os tipos de inovação.

Os anos seguintes foram de “paz parcial”, e “uniram” o mundo através da globalização, tornando viagens que outrora eram longínquas e cansativas em deslocamentos de poucas horas através das aeronaves. Armas aéreas de guerra foram gradativamente substituídas por aviões luxuosos para obtenção de lucros. O conceito de que o mundo ficou menor serve como base para mostrar a eficiência dos aviões em interligar os continentes, desde as principais cidades do mundo até as áreas mais remotas e desconhecidas do planeta.

Dias Atuais

O avião é o modo de transporte mais rápido do mundo e ainda que muitas pessoas tenham medo de “voar”, o avião também é o mais seguro entre todos os veículos de transporte existentes. Segundo a empresa de consultoria holandesa To70, em 2019 morreram “apenas” 257 pessoas em acidentes envolvendo voos comerciais no mundo, uma queda em mais de 50% em relação a 2018, quando 534 pessoas perderam a vida. Segundo outra empresa holandesa, a Aviation Safety Network, 2017 foi o ano com menos mortes provocadas por acidentes aéreos por voos comerciais em toda história: 79 pessoas, sendo 44 tripulantes e passageiros e 35 pessoas que estavam em terra e foram atingidas no acidente.

A comparação com outros tipos de veículos assegura ainda mais a confiança dos ocupantes de aeronaves. Em 2019, somente no Brasil, perderam a vida em decorrência de acidentes de trânsito no modal rodoviário 30.371 pessoas, segundo o Ministério da Saúde. Segundo dados divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em conjunto com a ONU (Organização das Nações Unidas), os acidentes de trânsito tiraram a vida de mais de 1,35 milhão de pessoas no mundo em 2019. A Organização Internacional de Aviação Civil (OACI) diz que é mais seguro andar de avião do que de a pé, e que para cada vítima de acidente aéreo, morrem outras oito que estavam se locomovendo a pé.

Os principais órgãos da aviação no Brasil são a Anac e a FAB. A Anac (Agencia Nacional de Aviação Civil), foi criada em setembro de 2005, é o principal órgão gestor, regulador e normativo das atividades aéreas em território nacional, englobando atividades exercidas anteriormente por outros órgãos governamentais como o DAC (Departamento de Aviação Civil), o ICAF (Instituto de Ciências da Atividade Física da Aeronáutica) e o IAC (Instituto de Aviação Civil). A FAB (Força Aérea Brasileira) é o corpo de defesa nacional brasileira pelos ares, e responde diretamente ao Ministério da Defesa; é a principal força armada de defesa aérea do país. Possui mais de 60 mil pessoas a serviço e centenas de aviões de guerra a disposição, cuja tecnologia embarcada é de última geração.

O Brasil possui 2.457 pontos aéreos registrados, sendo o segundo país no mundo com o maior número de aeródromos, atrás apenas dos Estados Unidos. Atualmente atuam em nosso território 48 empresas de transporte aéreo, sendo 4 nacionais, e 44 internacionais. As companhias nacionais são a GOL linhas aéreas, considerada a grande inovadora no setor aéreo brasileiro nesse século, atua no mercado nacional e internacional, possuindo 119 aeronaves e exerce mais de 700 voos diários. O nome GOL surgiu em 2001 no ato de criação da companhia, pois a palavra gol sempre foi motivo de euforia e alegria aos brasileiros em virtude do principal esporte praticado no país, o futebol.  A LATAM linhas aéreas é a junção da brasileira TAM com a chilena LAN, unidas desde 2012, sendo considerada hoje a maior companhia aérea da América Latina. Segundo a própria Latam, são mais de 1400 voos diários e cerca de 67 milhões de passageiros transportados por ano. A Azul linhas aéreas iniciou suas atividades em 2008 e oferece voo para mais de 100 diferentes destinos ao redor do mundo, são mais de 800 voos diários realizados pela empresa. Por fim, a Avianca linhas aéreas está operando no Brasil desde 2002 e tem passado recentemente por um processo judicial extremo, na qual foi completamente impedida de realizar voos em território nacional. Possui sede em São Paulo e é tida como a quarta maior empresa aérea do país.

O principal aeroporto de passageiros do país está localizado na cidade de Guarulhos, São Paulo. Foi inaugurado em 1985 e possui três terminais com voos para mais de 100 destinos nacionais e internacionais. Em 2019, cerca de 48,9 milhões de passageiros foram transportados através deste aeroporto. O segundo mais movimentado do país também está no estado de São Paulo, é o Aeroporto de Congonhas na capital paulista, cuja movimentação em 2019 foi de 22,3 milhões de passageiros. Completam a lista dos cinco mais movimentados do Brasil em 2019: Aeroporto de Brasília, com 16,5 milhões de passageiros transportados; Aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro com 13,5 milhões; e Aeroporto Confins em Belo Horizonte com 10,7 milhões de pessoas transportadas.

O Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), é tido como o maior e melhor em movimentação de cargas no país. Movimentou em 2019 mais de 10,5 milhões de passageiros (um recorde do aeroporto) e 216 mil toneladas de carga, numa retração em 8% quando comparado ao ano recorde de 2018. Viracopos foi eleito em 2017 pela Air Cargo World como o 2º melhor aeroporto de cargas do mundo, realçando o nível de transporte aéreo realizado no Brasil. Segundo o AirHelp Score, em 2019 o Aeroporto Internacional Afonso Pena em Curitiba, no Paraná, foi considerado o 4º melhor do mundo, sendo o primeiro do Brasil.

De acordo com dados da ANAC, entre julho de 2017 e junho de 2018 mais de 100 milhões de pessoas foram transportadas no Brasil pelo modal aéreo, dos quais mais de 91 milhões de passageiros utilizaram voos domésticos e o restante voos internacionais. Segundo a ABEAR (Associação Brasileira de Empresas Aéreas) em janeiro de 2020 o aumento em relação a passageiros transportados em voos domésticos foi de 0,42%, e em voos internacionais caiu 10,98%, quando comparado a janeiro de 2019.

Um dos setores mais afetados pela crise pandêmica do novo coronavírus foi o transporte aéreo. Para se ter ideia, as companhias tiveram de paralisar suas operações a nível mundial, gerando prejuízos financeiros inestimáveis e provocando demissões em massa de trabalhadores do setor. Aeroportos domésticos que continuaram a operar, a movimentação caiu em mais de 90%; voos para recantos turísticos foram cancelados; voos internacionais foram suspensos. Em dado recente, só na primeira semana do mês de agosto, 700 pilotos (11% dos profissionais do ramo no Brasil) foram demitidos devido ao reflexo da pandemia. Nos Estados Unidos a previsão era de demissão de mais de 12 mil pilotos também em agosto. Uma matéria atual feita pelo Bloomberg apontou que até 500 mil profissionais do setor de aviação podem ser demitidos no período pandêmico, dos quais 350 mil já perderam o emprego.

Segundo a IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo), o prejuízo financeiro causado ao setor aéreo pela pandemia será na ordem de 84,3 bilhões de dólares (mais de 400 bilhões de reais). Em tempos de pandemia a ABEAR diz que, se necessário realizar a viagem, o transporte é seguro pois, “os aviões limpam 99,7% do ar que circula”, confirmando o que dizem as empresas aéreas, de que, a cada três minutos o ar da aeronave é renovado.

Em 2018 foi transportado mais de 470 mil toneladas de cargas pelo modal aéreo no Brasil, um crescimento em 10,5 % em relação a 2017. O aumento no comercio exterior foi de 281,7 mil toneladas, 24,4 % a mais que 2017. Os números apresentados representam menos de 1% do total de cargas movimentadas nos respectivos anos, demonstrando que há um enorme caminho a seguir visando o aumento da participação do modal aéreo na matriz de transporte brasileira. Há expectativa de que em 20 anos o transporte aéreo dobrará de tamanho no país, tanto no transporte de passageiros como no volume de cargas.

Nem todas as companhias de transporte aéreo de passageiros podem transportar cargas. Existem homologações necessárias para a condução do transporte de cargas pelo modal aeroviário. Cursos específicos, treinamento de tripulação, conhecimento de dimensões e de cargas e licenças e documentação do transporte de mercadorias diversas, são necessários para a realização do transporte de carga por parte das empresas aéreas. A necessidade se dá pela questão de segurança da aeronave e de seus ocupantes, já que uma carga mal acomodada, ou mal “feita” pode derrubar um avião.

Vantagens e Desvantagens do modal aéreo

As principais vantagens do modal aéreo são: maior velocidade de entrega entre todos os modais, maior nível de segurança da carga entre todos os modais, flexibilidade de rotas, conforto de passageiros, boa alocação de mercadorias, ideal para longas distancias e para o transporte internacional, capacidade de atingir lugares remotos onde outros modais não chegam, como regiões montanhosas ou glaciais, adequado para mercadorias de alto valor agregado. Algumas mercadorias possuem dificuldade de realização do transporte pelo modo terrestre ou marítimo, devido ao seu alto valor agregado, o que requer segurança especial no transporte, tornando ideal a embarcação em aeronaves.

As principais desvantagens do modal aéreo são: capacidade limitada de mercadorias, baixa cubagem, dependência de condições atmosféricas para realização da entrega, dependência de outros modais, elevado consumo de combustível, poluição sonora nas intermediações dos aeroportos, altos investimentos em infraestrutura aeroportuária e poluição atmosférica devido ao dióxido de carbono. Sua baixa capacidade de carga por metro cúbico (cubagem), aproximadamente 166 kg, que é inferior até mesmo a um caminhão, que possui 300 kg de cubagem, o impede de ser vantajoso para o transporte doméstico de comodities e mercadorias em geral, sendo propício a curtas distancias apenas em caso de produtos de altíssimo valor.

Contudo, concluímos que o transporte aéreo é fundamental para a locomoção de passageiros e mercadorias em território nacional e a infraestrutura aérea é bem ranqueada em comparativo com outros países. A porcentagem que o setor possui no transporte de cargas no Brasil atualmente é ignóbil, quando comparado a outros modais, o que têm de ser analisado em futuros planos de organização modal no país. O Brasil tem projetos de investimentos audaciosos para o setor, uma vez que a ideia da multimodalidade é bem vista pelos idealizadores de planos de transporte sustentável, bem como empresários que visam a diminuição de custos operacionais dispendiosos que outros modais proporcionam. O intuito é tornar o modal aéreo menos oneroso e mais lucrativo para produtos de variadas espécies, já que esse modo de transporte é o mais eficiente para atender ao cliente quando falamos de velocidade e segurança de cargas e de pessoas.

Curiosidades

  • Frases icônicas de Santos Dumont: “O homem há de voar”, “As coisas são mais belas quando vistas de cima”, “Inventar é imaginar o que ninguém pensou”;
  • Atualmente, o maior avião de passageiros do mundo é o europeu Airbus A380, com capacidade variando entre 489 e 615 passageiros; possui 72 metros de comprimento e 24 de altura, exercendo até 970 km/h de velocidade. O maior avião cargueiro é o ucraniano Antonov NA-225, com capacidade de carga de 250 mil kg, mede 84 metros de comprimento e 18 de altura, gerando uma velocidade máxima de 850 km/h;
  • A maioria das aeronaves são brancas pois a tinta branca é mais barata, a cor branca permite visualizar áreas danificadas da aeronave e também possuem maior capacidade de retenção de calor;
  • Aviões possuem buzina, que servem para chamar equipes mecânicas quando a aeronave está no solo. Também possuem limpador de para-brisas, com a mesma finalidade dos utilizados em veículos;
  • O avião mais rápido do mundo é o Blackbird, que pode alcançar até 3.700 km/h;
  • A medida de altura dos aviões é calcula em pés, onde um pé corresponde a 30,48 centímetros. Quando um avião está a 35 mil pés de altura, significa que ele está a 1.066.800 centímetros, ou 10.668 metros de altura (10,6 km);
  • Nos seis anos de duração da Segunda Guerra Mundial, foram construídos mais de 789 mil aviões, números sem precedentes na história;

 

Evandro Nazares

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