UM CARRETEIRO DE MUITO VALOR – Mercedes Benz LPS 331

por Blog do Caminhoneiro

O campo dourado, pronto para colheita,
É devorado pela faminta colheitadeira.
Aguardando para ser carregada, uma carreta.
O motorista descansa à sobra de uma paineira.

O sol brilha causticante em um céu de anil.
A colheitadeira despeja no semirreboque o trigo.
Homens que plantam e colhem as riquezas do Brasil.
Quem transporta muitas vezes tratado como bandido.

Motorista acorda do repousante cochilo.
Caminha em direção a seu antigo Mercedes.
Levará a carga que será depositada em silo.
Na cabine não está preso entre quatro paredes.

Mercedes Benz trezentos e trinta e um.
Trata-se de um cavalo mecânico lendário.
Longe de ser um estradeiro comum.
Apesar dos anos, desempenho extraordinário.

Ao dar partida, estremece a cabina.
Engrena a marcha e segue em frente.
Com habilidade o motorista o domina.
Extrai o máximo de seu motor potente.

Rodando por estrada de terra batida.
O chão treme à sua passagem.
No transporte é a marca mais conhecida.
Estradeiro talhado para qualquer viagem.

Curta, média ou longa distância.
Para esse caminhão não importa.
Na estrada mantém a constância.
Qualquer tipo de carga transporta.

Pegando íngreme subida.
Vai devagar, mas não engole o caroço.
O Mercedes Benz em marcha reduzida
Segue firme e o escapamento fala grosso.

O calor é intenso e o sol castiga.
Mas o transporte do trigo não para.
Quem trabalha duro, para isso não liga.
Ganha o pão com o suor da cara.

A cabine desse estradeiro é rústica.
Dirigi-lo não é para homem delicado.
O ronco do motor é ruidoso acústica.
Pelas suas mãos esse cavalo é domado.

Pelo parabrisa, a visão ao longe encampa.
As lavouras se espalham por todo lado.
Na cooperativa, coloca o bruto na rampa.
Lá esvazia o semirreboque outrora carregado.

A tarde vai chegando ao fim quando retorna.
A colheitadeira com volúpia ao trigo devora.
O calor do dia dá lugar a uma noite suave e morna.
O carreteiro espera chegar a sua hora.

No semirreboque agora vazio.
A bocuda regurgita o alimento.
Vomita o trigo que cai em desvario
Tal qual betoneira derramando cimento.

Novamente a carreta está carregada.
O sol dá lugar a brilho vago da lua.
O Mercedes Benz volta para a estrada.
Cumprir a missão do transporte que é sua.

Rodando a noite, os faróis emanam luz indecisa.
O carreteiro embora cansado segue em frente.
Curva perigosa, à beira da estrada a placa avisa.
Rasgando a noite, ao volante vai um valente.

O cavalo e o semirreboque em tons verdes
Se misturam com a negritude da noite escura.
Segue solitário o potente e valoroso Mercedes.
O homem e a máquina mostram sua bravura.

Tudo é movimento dentro da cooperativa.
O entra e sai de caminhões é interminável.
Dia e noite a estrada se mantém viva.
Caminhões, ônibus e carros em um balé admirável.

Já é madrugada quando retorna ao campo.
Sua responsabilidade de homem ele assume.
Em meio ao trigal, colheitadeira igual pirilampo.
Brilha na noite, como ruidoso vagalume.

Não há tempo para um cochilo.
A semente tem de ser levada.
O Mercedes ronca, marcante estilo.
Puxando sua carga pesada.

Essa é a viagem mais difícil.
O sono é o grande inimigo.
Entorpece tal qual deletério vicio.
De acidente aumenta o perigo.

O cavalo mecânico não cansa.
Ao contrário do corpo humano.
A carreta roda sutil e mansa.
Após a viagem, descansar é o plano.

A carreta leva o imenso peso
Fazendo estalar cada molejo.
A aurora se confunde com o farol aceso.
O cansaço vai vencendo o traquejo.

O carreteiro tal qual um espectro
Dorme de olhos abertos.
Não consegue seguir mais um metro.
Acaso o leva por caminhos incertos.

Em um espaço imenso sem obstáculo,
Dormindo, desacelera e o bruto para.
A Mão de Deus evita o triste espetáculo.
Três horas depois, do sono já sara.

Acorda assustado sem saber o que houve.
Debruçado sobre o volante não lembra de nada.
Motorista, pela sua vida, a Deus você louve.
Foi Ele que te livrou dos perigos da estrada.

Entrega seu último carreto.
Volta para os braços da mulher amada.
Com ela sempre foi homem correto.
Nunca se deixou levar por mulheres da estrada.

Ao lado dela o tempo voa.
De voltar para o trabalho é o momento.
Ao partir, a buzina do estradeiro ressoa.
De seus lábios não se ouve lamento.

Se aquela que ficou é seu grande amor,
A estrada, dele é sua paixão.
Acelera e aumenta os giros do motor.
A mulher amada vai com ele no coração.

Em seu rosto se vê sorriso largo.
Dirigir o Mercedes Benz lhe dá prazer.
Sabe que terá algum momento amargo,
Mas dirigir caminhão é o que sabe fazer.

Autor: Roberto Dias Alvares

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1 comentário

ROBERTO DIAS ALVARES 30/03/2021 - 17:10

O vai-e-vem do carreteiro no período da safra, muitas vezes o leva a exaustão, mas nunca o fará deixar de amar aquilo que faz

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