Paulo Landim desbrava os Estados Unidos mostrando seu dia-a-dia nas redes sociais

por Blog do Caminhoneiro

Paulo Landim é um típico caminhoneiro brasileiro, que mora no caminhão e passeia em casa, e leva alegria por todos os caminhos que anda. A diferença é que ele mora e trabalha nos Estados Unidos. O Blog do Caminhoneiro conversou com Paulo na última semana, que nos contou um pouco sobre o seu dia-a-dia nas belas paisagens dos Estados Unidos.

Paulo vive nos Estados Unidos há dois anos, sendo um cidadão com dupla cidadania. Mas, entre 1996 e 2004 viveu nos país ilegalmente. De acordo com ele, antes dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, onde as torres gêmeas do World Trade Center foram derrubadas por aviões, o Pentágono foi atacado por outro avião e uma quarta aeronave foi derrubada em Shanksville, na Pensilvânia, a vida dos imigrantes era melhor e mais fácil, mesmo sem a documentação de permanência.

2.996 pessoas morreram nos ataques terroristas em 2001, e isso mudou completamente a vida dos imigrantes nos Estados Unidos. Anteriormente, imigrantes conseguiam obter a carteira de motorista profissional em alguns estados se tivessem o Social Security, uma espécie de CPF nos EUA.

Para Paulo, a vida nos Estados Unidos é melhor do que no Brasil, porém é necessário trabalhar duro para conseguir subir na vida. Além disso, ele destacou que a maioria da experiência profissional que se obtém em outros países não vai servir para trabalhar nos EUA, e é necessário reaprender tudo.

Como caminhoneiro, ele destaca as principais diferenças entre trabalhar no Brasil, onde ele foi caminhoneiro por seis anos e meio, e nos Estados Unidos.

“Primeiro lugar a segurança, aqui não tem ladrão, não tem roubo de carga. É muito pouco. Você pode dormir com o caminhão aberto. Nos postos não tem ambulante, não tem andarilho, não tem gente vendendo coisas. Em comparação com o Brasil, a segurança aqui é 1.000%”, disse ele.

No período entre 2004 e 2019, Paulo chegou a ter quatro caminhões no Brasil, e acabou por quase falir. No final, tinha apenas um caminhão, com o qual somente sustentava a família, e não conseguia ter dinheiro para investir ou fazer outras coisas além de trabalhar.

“Eu tiro o chapéu para quem dá certo no caminhão no Brasil. É difícil”, destacou.

Ele também contou que, além de ganhar melhor, apesar de ganhar e gastar em dólar, o caminhoneiro dos Estados Unidos enfrenta menos burocracia, o que pode garantir um faturamento melhor no final das contas.

“Aqui não tem posto fiscal. O motorista atravessa quatro estados em um dia sem parar para nada. A polícia não para um caminhão, a não ser que tenha coisa errada, e a gente só anda leve”, completou.

Trabalhando com um caminhão próprio, com três eixos no cavalo-mecânico e dois na carreta, tendo limite de peso de 26 mil quilos, ele afirma que não lembra de nenhuma carga que chegou aos 25 mil quilos. Em alguns vídeos ele destaca o transporte de cargas de grande volume, com pesos muito baixos, mas com o pagamento do frete cheio.

Paulo também mostra em seus vídeos a excelente infraestrutura oferecida nas estradas dos Estados Unidos. “As rodovias aqui não tem nada a ver com as do Brasil. O pessoal desse as serras correndo porque as rodovias são excelente”.

No serviço que executa, com uma carreta “flatbed”, a famosa prancha, ele diz que dificilmente pega fila para carregar e descarregar. Quando trabalhava no Brasil, com um carreta câmara fria, era normal pegar dois a três dias de fila para carregar ou descarregar o caminhão. Nos Estados Unidos, se o caminhoneiro ficar por mais de uma hora e meia, a transportadora pode cobrar US$ 200,00 por hora parada.

Alguns carregamentos podem ter fila para carregar, mas isso ocorre quando existe agendamento de horário. Se o caminhoneiro chegar antes da hora marcada, vai ter que esperar. O que não pode ocorrer é do embarcador atrasar o carregamento.

Trabalhando como autônomo, ele garante ter um faturamento melhor do que quando trabalhava como empregado nos Estados Unidos, mas todos os custos do caminhão acabam incidindo sobre o faturamento no final das contas. Apesar disso, quem trabalha como empregado consegue levar um vida boa no país, faturando cerca de 1.300 a 1.500 dólares por semana. O ganho pode ser ainda maior, mas é preciso trabalhar muito.

Assim como no Brasil, é preciso abrir uma empresa para poder pegar fretes diretamente dos embarcadores. Apesar de haver burocracia, não é tão grande, e existem despachantes que podem ajudar com toda a papelada.

“Eu ainda não estou tirando cargas no meu nome. Trabalho com o Roni, e, a carga que eu ia pegar por uma valor X, ele consegue por dois X. Ele só consegue carga boa. No futuro eu vou pegar cargas diretamente no meu nome”, disse, se referindo ao grande amigo e “patrão” Roni, que também está estreando um canal no Youtube, mostrando um pouco do dia-a-dia de sua empresa, a R-Fly, nos Estados Unidos.

Ganhando em dólar

Paulo diz que não tem como comparar o salário dos Estados Unidos com o do caminhoneiro no Brasil, mesmo fazendo a conta hipotética de US$ 1 = R$ 1.

De acordo com ele, o poder de compra do dólar é muito maior que o real, e as coisas nos Estados Unidos são baratas para todos.

Além disso, a escassez de motoristas tem feito o salários dos caminhoneiros subirem, devido à competição das empresas pelos motorista. Quem compra caminhão sobre os salários para atrair os candidatos.

“Experimentei o bom para depois o ruim”

Paulo começou a trabalhar em construção nos Estados Unidos em 1996, e posteriormente conseguiu obter a carteira de motorista e até comprou um caminhão Zero KM antes de voltar para o Brasil. Quando voltou para o Brasil, em 2004, e querendo ficar perto da família, comprou um Volkswagen 23.220.

“Eu dormia naquela cabine apertada, sem ar-condicionado, sem nada. Eu levei um choque de realidade”, nos contou Paulo, que antes de trabalhar com o caminhão VW no Brasil, tinha um Peterbilt nos Estados Unidos.

Paulo destaca que hoje em dia não sofre em fila, não se preocupa com a segurança, e também afirma que, se o caminhão estiver em dia, manutenção boa, pneus bons, ninguém incomoda.

Ele também destaca que, enquanto caminhoneiro no Brasil, era parado por agentes de trânsito que exigiam propina para liberar o caminhão, sem, ao menos, verificar a documentação do veículo, querendo apenas o dinheiro. Esse tipo de coisa não se vê nas estadas dos Estados Unidos.

Outra diferença é destacada por Paulo. Nos EUA, não existe o jeitinho. Ele conta que recebe diversos questionamentos pelas redes sociais e pelos comentários nos vídeos do Youtube de gente querendo saber de formas fáceis de se tornar caminhoneiro ou de ir morar nos Estados Unidos.

Ele é categórico ao afirmar: “Aqui não existe jeitinho”. Brasileiros só conseguem a cidadania norte-americana se casando com um cidadão dos Estados Unidos ou investindo no país. Hoje o investimento para conseguir o visto é de US$ 900 mil.

Vídeos

Diariamente são publicados vídeos no canal do Youtube “Paulo Landim”, que hoje já tem mais de 280 mil inscritos. O caminhoneiro também mantém uma página no Facebook, junto com a esposa, que também é youtuber. Juntos, eles estão com 261 mil seguidores.

No Instagram, Paulo também tem 111 mil seguidores, e, em todas as redes sociais, sempre interage com os fãs do seu conteúdo. Além de Paulo e sua esposa Ana, as duas filhas do casal tem canais no Youtube, com cerca de 2 milhões de seguidores cada uma.

Para acessar, você pode acessar os links:

https://www.youtube.com/channel/UCK5a66xCOjl0i1pG7OiLj_w

https://www.facebook.com/pauloeanalandim

https://www.instagram.com/paulosslandim_/

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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3 comentários

Fábio Battistella 08/04/2021 - 00:30

Muito bacana esta reportagem! Não perco um vídeo do Canal do Paulo. Além de serem muito divertidos sempre tem várias informações que ele e o Roni passam. Admiro muito a profissão!!

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Bruno 06/04/2021 - 18:22

Jimmie Haddad AmazoniaUSA morre de inveja do Paulo Landim😂😂😂

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tarcio leme 05/04/2021 - 18:36

cara fantastico,aconselho a todos seguirem no canal do youtube

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