Caminhão Ford movido com uma turbina a gás é encontrado após mais de 40 anos escondido

por Blog do Caminhoneiro

Um caminhão futurista, com quatro metros de altura e 30 de comprimento foi o grande destaque na Feira Mundial, que ocorreu em 1964 nos Estados Unidos. Diferente de tudo o que já existia, o novo caminhão exibia linhas diferentes do tradicional da época, e era movido por uma turbina a gás totalmente funcional, de 600 cavalos de potência.

Depois da feira, o caminhão ainda rodou todo o país em uma campanha promocional da Ford, que concorria com a GM na época para o desenvolvimento de caminhões com turbinas a gás. Porém, o caminhão acabou desaparecendo, e ficou por mais de 40 anos totalmente oculto.

Seguindo algumas pistas na internet, e conversando com pessoas que viram o caminhão de perto, o jornalista Peter Holderith, do portal The Drive, conseguiu localizar o caminhão, e obteve contato com o proprietário, que, apesar de contar a história do veículo desde que ele desapareceu, ainda quer ficar totalmente anônimo.

O caminhão é apelidado de Big Red, e teve uma história interessante até chegar ao proprietário atual, que fez uma restauração completa do veículo, e o guarda em segredo há quarente anos. Fazem praticamente 20 anos que o motor não é ligado, mas está em perfeitas condições.

Depois de ter rodado o caminhão por todo o país, o caminhão participou da feira The Omni, em Atlanta, no ano de 1970. Para poder participar da feira, todos os líquidos do veículos foram drenados, isso incluiu o óleo do motor e do radiador.

Ao final do evento, o motorista deu partida no motor, que estava totalmente seco, e, devido à altíssima temperatura da turbina, tudo derreteu. Para se ter uma ideia do estrago, a turbina a gás gira a 75.500 rotações por minuto, e chega a quase 1.000ºC de temperatura durante o funcionamento.

Na volta para Detroit, o caminhão que estava rebocando o Big Red acabou quebrando perto da oficina da Holman-Moody, que era uma equipe de corrida patrocinada pela Ford. O pessoal da montadora pediu que o caminhão fosse guardado lá até que um novo transporte fosse providenciado.

Nesse meio tempo, Henry Ford II, filho do fundador da Ford e presidente da marca na época, cortou todos os patrocínios que tinha em corridas. Junto com a carta anunciando o fim do patrocínio enviada à Holman-Moody, Henry Ford II disse que tudo o que estava com a equipe, e que antes pertencia à Ford, passaria a ser de propriedade da equipe. Isso acabou incluindo, acidentalmente, o grande caminhão Ford Big Red.

Como o caminhão era muito pesado e grande, motores convencionais não puderam ser adaptados, em substituição à turbina destruída.

O caminhão permaneceu sem uso até o final da década de 1970, e como ocupava muito espaço, foi colocado à venda pela Holman-Moody. Foi nessa época que o proprietário atual comprou o caminhão, que estava muito mal cuidado.

O comprador se apaixonou pelo caminhão desde a Feira Mundial, quase 20 anos de comprá-lo, e após a compra, planejou cuidadosamente uma restauração completa do caminhão.

Depois de ser levado para restauração, o proprietário conseguiu adquirir uma turbina a gás da Ford, mas de uma série mais avançada. A Ford desenvolveu turbina a gás numeradas de 701 a 705. O modelo que equipava originalmente o caminhão era uma turbina 705, com 600 cavalos de potência. A nova turbina, da versão 707-3, tinha menos potência, cerca de 525 cavalos, mas era mais eficiente e mais confiável.

Por se tratar de um protótipo, o caminhão não foi construído para ser desmontado, o que acabou dificultando muito o trabalho de restauração. Além disso, as peças são grandes e pesadas, como a cabine, que é construída totalmente em fibra de vidro.

Atualmente, o caminhão está guardado em uma garagem especial, em local ainda desconhecido, e não tem mais as carretas que rebocava.

De acordo com a pesquisa feita pelo jornalista, é provável que tenham sido destruídas. Elas foram vendidas para equipes de corrida, e não se tem mais registro deles. Apenas o dolly que acoplava um implemento no outro sobreviveu, e está com o proprietário.

A última vez que o motor foi ligado foi no ano 2000, mais ou menos. A operação de ligar um motor experimental tão delicado é complexa, e qualquer falha pode fazer com que a turbina derreta novamente.

O mais legal disso tudo é que a história está preservada. Geralmente os veículos conceito, como o caso deste caminhão, são totalmente destruídos pelas montadoras, e poucos registros ficam para as futuras gerações.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

COMENTAR

Artigos relacionados

Deixe sua opinião sobre o assunto!