Embarcadores dos Estados Unidos chegam a pagar 40% a mais para conseguir caminhões para suas cargas

por Blog do Caminhoneiro

Demanda por fretes aquecida, falta de componentes para fabricação de caminhões e falta de caminhoneiros tem pressionado os embarcadores dos Estados Unidos a pagarem cada vez mais para conseguirem entregar suas cargas nos prazos.

De acordo com a Cass Information Systems, a demanda de fretes aumentou 3,4% em março, na comparação com fevereiro, e os custos para o transporte subiram 6,5%, quase o dobro.

Porém, para conseguir caminhões, alguns embarcadores tem pago comissões de até 40%, dependendo o tipo da carga, para que o frete não atrase.

Os custos do transporte tem aumentando significativamente nos últimos anos nos Estados Unidos. Em parte, isso se deve ao número cada vez menor de interessados em se tornar caminhoneiros. Com isso, as empresas de transporte tem pago salários cada vez maiores para manter os motoristas atuais e atrair novos, custo que é repassado diretamente para os donos das cargas.

Além disso, neste ano as montadoras de caminhões nos Estados Unidos e em diversas outras partes do mundo tem enfrentado a falta de componentes, principalmente eletrônicos, para produção de caminhões novos, o que tem atrasado as entregas para os clientes.

O mercado de caminhões dos Estados Unidos absorve cerca de 40 mil novos caminhões pesados todos os meses. Em março foram vendidos 40.800 caminhões classe 8, totalizando 372 mil unidades nos últimos 12 meses. As vendas só não são maiores porque as montadoras não conseguem entregar os veículos.

A pressão interna dos custos no país ainda tem sido impactada por outros fatores, como o navio que encalhou em Suez, alta movimentação nos portos americanos, tempestades no Texas que causaram interrupção no fornecimento de algumas matérias-primas, além da inflação geral do Estados Unidos.

Apesar dos embarcadores arcarem com os novos custos, o valor final acaba por impactar o consumidor, que já vê um aumento considerável de diversos produtos, como o valor do papel higiênico, fraldas, alimentos e outros itens básicos, que tem subido constantemente.

Veículos, bicicletas e eletrônicos também estão ficando mais caros, por causa do custo do frete.

Apesar da alta significativa, especialistas apontam que a situação deve se normalizar até o final do ano, com uma estabilização natural da economia norte-americana.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro | Foto Reuters

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