BUSCA DE UM CAMINHONEIRO OBSTINADO – Mercedes Benz L 7500

por Blog do Caminhoneiro

Quem vê aquele cavalo antigo
Puxando semirreboque carregado.
Pensa que para o motor é um castigo.
Não sabe que ele é transformado.

Mercedes Benz L sete mil e quinhentos
Ano mil novecentos e cinquenta e sete.
Tem agregado inúmeros equipamentos.
Na estrada atrai olhares tal uma vedete.

Pertence ao carreteiro Ricardo
Que encontrou esse bruto no sucatão.
Para recupera-lo, trabalho árduo.
Mas ficou um esplêndido caminhão.

Na casa de máquinas, bom motor
Trezentos cavalos ali escondidos.
Para acorda-los, basta um toque no acelerador.
Pelo escapamento se ouve potentes ruídos.

Três eixos nesse cavalo estão parelhos.
Além de bonito, capacidade de carga é uma virtude.
Ricardo enxerga lá atrás tendo bons espelhos.
O velho estradeiro bebeu da fonte da juventude.

Pois bem, vou contar agora
A história desse caminhoneiro, o Ricardo.
Por causa de um papel sua alma chora.
Não encontrar a mulher da fotografia, um fardo.

Quando viu aquela foto perdida entre tantas
Que passaria despercebida no álbum de família.
Aquela mulher parecia a mais bela das santas.
Das mãos do Criador, verdadeira maravilha.

Mas como encontrar, sem saber o paradeiro.
Sua mãe disse ser filha de uma amiga do passado.
Em cada cidade por onde o levava o seu estradeiro.
Se conhecia mulher da foto por ele era perguntado.

Sem a tecnologia dos dias atuais
Ricardo tinha como aliada somente a sorte.
Não pensava em outra coisa mais.
Seguia pela vida fazendo transporte.

Sua obsessão pela mulher da fotografia
Atrapalhava com outras um romance.
Nenhuma outra mulher conseguiria.
Enfrentar um fantasma não tinham chance.

Os anos foram passando depressa.
Ricardo seguia em sua busca obstinada.
Mas que mulher seria essa?
Será que um dia seria encontrada?

A bordo do velho estradeiro
Era um bom carreteiro o Ricardo.
Rodando por esse solo brasileiro
Sua carreta ia rápida como um dardo.

Descansava na cabine-leito.
A mulher da foto surgia em seus sonhos.
Sentia o coração lhe saltar do peito.
Para acha-la, fizera sacrifícios medonhos.

Certo dia um amigo de sua mãezinha
Deu a Ricardo uma valiosa pista.
Aquela mulher, morava na cidade vizinha.
Por esse amigo ela já fora vista.

Ricardo descobrira o nome
Mas isso não facilitou a pesquisa.
Procurou até em lista de telefone.
Ela se chamava Maria Elisa.

Dirigindo seu estradeiro valente
Ricardo foi até a cidade mais próxima.
O carreteiro parecia contente.
Finalmente uma notícia ótima.

Mas quando chegou o que descobriu
Machucou seu coração e o fez chorar.
Até o cemitério um parente dela o conduziu.
Em uma sepultura ele a iria encontrar.

Mas na lápide a foto que havia
Era de uma mulher bem idosa.
Não era a mesma da fotografia.
Aquela era uma situação curiosa.

Era irmão de Maria Elisa aquele familiar.
Explicou que a foto era dela na juventude.
Para Ricardo parecia que o mundo ia acabar.
O amor para ele fora muito rude.

Buscara por anos a fio
Enfrentando qualquer contratempo.
Ao final o que Ricardo descobriu.
Amava mulher que vivera fora de seu tempo.

Ele jamais pode imaginar
E também ninguém nunca lhe disse
Que aquela mulher que quis tanto encontrar
Fora jovem mas morrera de velhice.

Ficou sozinho olhando a sepultura.
O familiar dela o havia deixado sozinho.
Ricardo pensava àquela altura
Que lhe restava seguir seu caminho.

Eis que se virou para ir embora.
Parou e sua fisionomia estava pasma.
Viu a jovem Maria Elisa naquela hora.
Pensou estar diante de um fantasma.

Por seu corpo correu um arrepio.
Ele não era vítima de nenhuma ilusão.
Aquela jovem que a sua frente viu
Era tão real e não uma simples visão.

O rapaz tomou coragem
Perguntando quem era ela.
Tão linda, parecia uma miragem.
De todas, a mulher mais bela.

Ela também parecia assustada.
Respondeu com voz suave igual uma brisa.
Sou filha da mulher aí sepultada.
Também me chamo Maria Elisa.

Ela soubera que um desconhecido
Viera até a sepultura de sua progenitora.
Seu tio, até ali o havia trazido.
O motivo da procura, qual fora?

Ricardo agora mais relaxado
Contou de sua obstinada procura.
Mulher da fotografia havia buscado.
Aquele amor chegava à beira da loucura.

Mas quando achava que o destino fora cruel
Vira a filha da mulher da fotografia.
Era linda, tal qual um anjo descido do céu.
Diante dela como ele agiria.

Depois de dar toda explicação,
Disse que sua procura chegara ao fim.
O que parecia terminar em decepção,
Acabou não sendo tanta decepção assim.

A filha era da mãe a cópia exata.
Maria Elisa sentia disso muito orgulho.
Por tudo que fez por ela, era grata.
Deu à luz a ela em um mês de julho.

Conversaram naquele cemitério
E Ricardo sentiu brotar a esperança.
Aquela linda mulher com ar de mistério
Nos dedos das mãos não tinha aliança.

Disse que sua procura não fora em vão
Pois conhecera a filha de uma grande mulher.
Ricardo perguntou sabendo que poderia ouvir um não:
“Poderíamos nos encontrar de novo em um dia qualquer?

Maria Elisa pensou um instante
E disse sorridente: “Pode ser”.
Poderia ser em um dia mais adiante.
Quem sabe, só o futuro poderia dizer.

Ricardo partiu em seu Mercedes Benz.
Na mente um turbilhão de coisas a pensar.
Aquela sua busca das expectativas foi além.
Acabou por outra mulher se encantar.

Algum tempo depois disso
E vários quilômetros de viagens realizadas.
Ricardo aos sentimentos não foi omisso.
Levava na memória aquela mulher pelas estradas.

Voltou a cidade de Maria Elisa.
Se encontraram novamente.
Ricardo vestia bela camisa.
Ao lado dela se sentia contente.

Após alguns meses desses fatos ocorridos
Ricardo e Maria Elisa eram namorados.
Para o carreteiro não foram anos perdidos.
Ele e a jovem estavam apaixonados.

Ele buscou uma mulher do passado
E acabou recebendo da vida uma lição.
O tempo é curto não deve ser desperdiçado.
Procurava a mãe e na filha viveu amor e paixão.

O ser humano se eterniza
E a vida, de Deus é uma maravilha.
A falecida e procurada Maria Elisa
Vive ainda na imagem da sua filha.

Os caminhões também são eternos.
Independente do ano se forem bem cuidados
Passarão muitos verões e muitos invernos.
De diversas cargas seguirão carregados.

Autor Roberto Dias Alvares

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