Conheça os tipos de caminhões e carretas que podem rodar nas rodovias brasileiras

Qualquer motorista que circule pelas estradas brasileiras já deve ter notado a imensa variedade de caminhões que circulam. Independente da marca, modelo ou tipo de carroceria, os caminhões são divididos pelo número de eixos e capacidade de carga, além do comprimento máximo total. Nesse texto mostraremos os detalhes de cada tipo de configuração de veículo que pode rodar no Brasil.

Caminhão toco

Esse caminhão é um modelo de dois eixos, com tração que pode ser 4×2, na maioria dos casos, ou 4×4, que geralmente é usado em modelos fora-de-estrada ou em veículos militares. Esse tipo de caminhão pode ter de 4 metros (VUCs e caminhões semileves), até 14 metros, com capacidade de carga de 16 toneladas, no máximo.

Caminhão truck

O caminhão truck é caracterizado por ter três eixos, sendo 6×2 ou 6×4, esse último com tração em todas as rodas traseiras. Esse tipo de caminhão tem capacidade para 23 toneladas, e pode medir até 14 metros.

Caminhão bitruck

Os modelos conhecidos como bi-truck tem dois eixos direcionais, ou três eixos na traseira, em configuração 8×2 ou 8×4. Esses caminhões podem transportar até 29 toneladas de peso bruto total, considerando o peso do caminhão e da carga, e devem ter até 14 metros de comprimento.

Romeu e Julieta

O par romântico das rodovias brasileiras se trata de um caminhão e um reboque. A configuração é popular desde a década de 1930 na Europa, e não demorou muito para passar a ser usada no Brasil. Aqui o assunto é um pouco mais complexo, já que o Contran permite três tipos de configurações para esses modelos, usando caminhões toco ou truck e mais um reboque, que pode ter dois ou três eixos.

Quando o caminhão toco é engatado em uma julieta de dois eixos, o Peso Bruto Total permitido é de 33 toneladas, com comprimento total de 19,8 metros. O mesmo caminhão toco rebocando uma julieta de três eixos, sendo um no dolly e dois na traseira, tem PBT de 43 toneladas. O modelo  com um caminhão trucado só pode ser engatado na julieta de três eixos, e tem PBR de 50 toneladas, com comprimento mínimo de 17,5 metros e máximo de 19,8 metros.

Treminhão

Hoje essa configuração não é tão comum nas estradas, mas ainda é bastante usada em operações em usinas de cana e em operações florestais. Trata-se de um caminhão trucado rebocando dois implementos (reboques), como se fossem duas julietas.

O comprimento desses veículos pode ser de 25 a 30 metros, com Peso Bruto Total de 63 toneladas. Para rodar em vias públicas, esse tipo de configuração precisa de uma Autorização Especial de Tráfego (AET).

Carretas

Se tem um tipo de composição que tem variações permitidas são as carretas. Esse tipo de veículo vem da união de um cavalo mecânico que pode ter dois, três ou quatro eixos, com implementos que variam de um a quatro eixos.

Cavalo toco e carreta de um eixo

O cavalo-mecânico toco (4×2), quando engatado em uma carreta de um único eixo, poderá ter PBT de 26 toneladas, com 18,6 metros de comprimento. Geralmente essas composições são usadas para o transporte de cargas leves e volumosas, como móveis e alguns tipos de eletrodomésticos.

Cavalo toco e carreta de dois eixos

Nesse caso, a legislação permite um PBT de 33 toneladas, também com 18,6 metros de comprimento máximo.

Cavalo toco e carreta de três eixos

Essa é uma configuração muito comum, que oferece a possibilidade de transportar um PBT de até 41,5 toneladas, com comprimento máximo de 18,6 metros.

Cavalo toco e carreta de dois eixos distanciados

Aqui entra uma nova nomenclatura para o implemento, a chamada Vanderleia, que tem um ou mais eixos distanciados entre si. Quando o implemento tem dois eixos distanciados um do outro, o PBT sobe para 36 toneladas. O comprimento é o mesmo, 18,6 metros.

Cavalo toco e carreta de três eixos com um eixo distanciado

Essa configuração não é muito usada no transporte dentro do país, mas ainda é uma configuração extremamente comum para empresas que realizam o transporte de cargas em rotas para os países do Mercosul, principalmente Argentina e Chile. Ela oferece um PBT de 43 toneladas, podendo medir até 18,6 metros.

Cavalo toco e carreta de três eixos distanciados

A Vanderleia com os três eixos distanciados é uma ótima opção para o transporte de cargas com maior peso, oferecendo capacidade de transporte de até 46 toneladas de PBTC, com 18,6 metros de comprimento. Esse tipo de configuração é muito usada no transporte de cargas do agronegócio, como grãos e fertilizantes.

Cavalo trucado e carreta de um eixo

Essa é uma configuração bastante rara, mas permite o transporte com até 33 toneladas de PBT, com 18,6 metros de comprimento, o mesmo que as configurações listadas abaixo.

Cavalo trucado e carreta de dois eixos

Com dois eixos no implemento, essa configuração permite o transporte de cargas com PBT de 40 toneladas.

Cavalo trucado e carreta de três eixos

Essa configuração também é muito comum nas estradas, permitindo um PBT de 48,5 toneladas.

Cavalo trucado e carreta de dois eixos distanciados

Essa configuração com a carreta Vanderleia de dois eixos permite um PBT de 43 toneladas.

Cavalo trucado e carreta de três eixos com um eixo distanciado

Outra configuração de Vanderleia com uso não tão comum, que oferece um PBT de 50 toneladas.

Cavalo trucado e carreta de três eixos distanciados

Essa é uma das configurações mais versáteis, usada em praticamente todo tipo de implemento, já que oferece alta capacidade de carga e a possibilidade de uso de cavalo-mecânico 6×2. O PBT desse conjunto é de  53 toneladas, com comprimento mínimo de 16 metros, e máximo de 18,6 metros.

Cavalo 8×2 e carreta de três eixos

Essa configuração apresenta um cavalo mecânico com quatro eixos, sendo dois direcionais, que podem ser instalados de fábrica ou em oficinas especializadas. O conjunto permite um PBT de 54,5 toneladas, com o comprimento máximo de 18,6 metros.

Bitrem

O bitrem começou a ser usado nos anos 1990 e se popularizou nos anos 2000. A configuração é muito versátil, e hoje em dia é oferecida para todos os tipos de implementos, sejam graneleiros, basculantes, tanques ou baús, entre outros.

Em configuração normal, com um cavalo-mecânico de três eixos e dois semirreboques de dois eixos cada, o PBT é de 57 toneladas. Porém, existem dois tipos dentro dessa classificação, sendo um que não precisa de AET, caso tenha até 19,8 metros, e os que precisam, caso tenham entre 19,8 e 30 metros. Independente do comprimento, o PBT não é alterado.

Bitrem de oito eixos

A configuração é muito semelhante à do bitrem, excesso pelo fato da última carreta ter três eixos. Nesse caso, com oito eixos, o PBT é de 65,5 toneladas, com possibilidade de ter entre 25 e 30 metros.

Tritrem

Cavalo-mecânico e mais três carretas de dois eixos cada, o conjunto de nove eixos permite um PBT de 74 toneladas, o mesmo visto na configuração bitrenzão e rodotrem, descritas abaixo. O comprimento desse tipo de conjunto deve ser de, no mínimo, 25 metros, e máximo de 30 metros.

Bitrenzão

O bitrenzão é composto por um cavalo-mecânico de três eixos e mais dois semirreboques de três eixos cada, totalizando nove eixos, com PBT de 74 toneladas. Essa configuração pode ter entre 25 e 30 metros.

Rodotrem

O rodotrem tem sido um grande aliado do agronegócio, devido à alta capacidade de carga. A configuração é composta por um cavalo-mecânico de três eixos, sempre 6×4, mais uma carreta de dois eixos, uma dolly de dois eixos, e mais uma carreta de dois eixos.

Essa configuração permite o transporte com até 74 toneladas de PBT, e pode ter entre 19,8 e 30 metros. Os modelos conhecidos como rodotrem curto, com até 25 metros, só podem circular se forem fabricados antes de 2006. Alguns estados, como São Paulo, não permitem a rodagem desse tipo de implemento, devido ao peso excessivamente concentrado.

Implementos ilegais

Apesar de terem sido, ou estarem sendo vendidos, alguns tipos de implementos não são considerados legais pelo Denatran. É o caso do implemento LS Vanderleia com quatro eixos, sendo um distanciado. Esse tipo de configuração permite o transporte de até 58,5 toneladas.

Milhares de conjuntos com esse tipo de configuração circulam pelas rodovias, inclusive documentados, e isso deverá permanecer assim até que o Contran de um parecer final sobre o assunto. A análise do tema tem prazo até o final deste ano.

Outro implemento que gerou muita polêmica é o superrodotrem. O modelo, de 11 eixos, permitiria o transporte de cargas de até 91 toneladas, dentro do comprimento máximo de 30 metros. A composição foi autorizada pelo Contran em 2018, e depois foi proibida, devido a um processo movido pela ABCR – Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias.

Essa composição é composta por um implemento de três eixos, mais uma dolly de dois eixos e outra carreta de três eixos, além do cavalo-mecânico de três eixo, totalizando 11 eixos.

Diversas montadoras investiram em estudos, desenvolvimento e marketing para esses implementos, e agora não podem vender os produtos. O tema é polêmico, e o Contran não diz nada sobre o assunto até a finalização de estudos de viabilidade, que devem ser encerrados no final desse ano.

Outros tipos

Algumas operações especiais de transporte, como transporte de cargas superdimensionadas, usam implementos especiais, com mais de três eixos, alguns com mais de 20, como é o caso das linhas de eixos. Esses implementos precisam de documentação especial para o transporte, e muitas vezes só podem viajar com escolta.

Em um próximo texto abordaremos a forma com que o Contran determina qual PBT pode ter um conjunto, devido ao tipo de montagem de eixos nos caminhões e implementos.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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