Nikola vai pagar US$ 125 milhões de multa ao governo dos EUA

por Blog do Caminhoneiro

A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) e a Nikola Corporation entraram em acordo, e a montadora de veículos elétricos e a hidrogênio vai pagar uma multa de US$ 125 milhões (R$ 716 milhões em cotação atual) em cinco parcelas divididas em dois anos.

A primeira parcela será paga imediatamente, e as restantes serão pagas por semestre, até 2023. A empresa já tem uma reserva com esse valor, que foi tirada do lucro do último trimestre, como forma de compensar a multa.

“Temos o prazer de encerrar este capítulo, pois a empresa já resolveu todas as investigações governamentais. Continuaremos a executar nossa estratégia e visão para cumprir nosso plano de negócios, incluindo entrega de caminhões aos clientes, expandindo nossas instalações de fabricação e nossa rede de vendas e serviços, e construindo nosso ecossistema de infraestrutura de hidrogênio, incluindo a produção de hidrogênio, distribuição e estações de abastecimento”, disse a empresa, em um comunicado.

Além do pagamento acertado com a SEC, a empresa irá processar seu fundador, Trevor Milton, para cobrar todos os custos relacionados ao processo.

Entenda o caso

Considerado um dos combustíveis mais eficientes para substituição do diesel, o hidrogênio foi a promessa da Nikola Motor Company para o futuro do transporte de cargas no mundo. O avanço no desenvolvimento da tecnologia prometido pela empresa criou interesse em diversas empresas, como a CNH Industrial, dona da Iveco, e a General Motors, nos Estados Unidos.

Porém, logo após o anúncio da parceria com a GM, há pouco mais de um ano, a Hindenburg Research, uma empresa de consultoria dos Estados Unidos, acusou a Nikola de fraude no desenvolvimento da tecnologia.

Apresentado em 2016, o modelo Nikola One, caminhão para operações de longas distâncias para o mercado norte-americano, foi retratado como totalmente funcional, apesar de, na época, a empresa dizer que a tecnologia ainda precisava de refinamento.

Em 2018, um vídeo foi postado, mostrando o caminhão em teste, numa rodovia vazia dos Estados Unidos. O relatório da Hindenburg afirma que a tecnologia para o caminhão não estava pronta nem em 2016 e nem em 2018, e que mesmo atualmente, a empresa ainda está longe de conseguir obter resultados promissores com o hidrogênio.

A consultoria também disse que mesmo no teste feito na rodovia, o caminhão não se movia por conta própria.

Em comunicado de imprensa, a Nikola destaca que o Nikola One realmente não estava pronto em 2016, faltando a célula de combustível e também os motores elétricos, sendo os dois componentes mais importantes do veículo movido com uma célula de combustível a hidrogênio.

A Nikola também afirmou que parou o desenvolvimento do modelo One para se concentrar nos avanços da tecnologia para o modelo Nikola Two, e que o modelo One serviu como base para a tecnologia atual da empresa.

O problema maior para a Nikola é admitir, depois de 4 anos do anuncio inicial do modelo One, onde Trevor Milton, CEO da empresa, falou que o modelo era totalmente funcional, era mentira. Isso jogou uma nuvem negra sobre a reputação da empresa, e afastou investidores.

A empresa também tem trabalhado no desenvolvimento de veículos elétricos à bateria, como o modelo Nikola Tre, na verdade um Iveco S-Way com novo design, que está sendo construído na Alemanha.

Outro grande promessa da empresa é a redução do valor da produção de hidrogênio. Hoje, um quilo do gás custa cerca de US$ 16. A Nikola afirmou que conseguiu produzir por US$ 4 o quilo, 25% do valor atual. Apesar disso, cada vez mais os investidores tem visto com ceticismo as promessas da empresa, devido ao exageros prometidos e não cumpridos até agora.

Após o relatório da empresa de consultoria, o Departamento de Justiça e a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) se uniram para investigar as alegações de fraude envolvendo a Nikola Motor Company, que acabou culminando no processo e multa de US$ 125 milhões.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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