Tree Crusher – O monstro destruidor de árvores do Exército Norte-Americano contra os vietcongues

No ano de 1959, o governo dos Estados Unidos decidiu se envolver no conflito, e milhares de soldados, além de toneladas de equipamentos, foram enviados ao território vietnamita para a guerra.
Uma das grandes vantagens dos vietcongues era a densa floresta da região. O avanço das tropas era lento, e emboscadas e armadilhas eram frequentes contra os soldados, já que a floresta garantia esconderijos perfeitos para os guerrilheiros.
Por isso, milhões de dólares em pessoal e recursos foram destinados exclusivamente em acabar com todas as árvores possíveis, eliminando esconderijos e facilitando a abertura de rotas para o avanço das tropas.
Foram empregadas diversas táticas contra a floresta, como o uso de herbicidas poderosos, fogo, motosserras e tratores. Mas precisava-se de algo ainda maior. Por isso, a fabricante de equipamentos gigantes LeTourneau foi chamada pelas Forças Armadas para o desenvolvimento de um triturador de florestas.

Apesar dos militares que estavam no Vietnã terem interesse nos Tree Crusher, o comando de guerra se recusava a enviar os equipamentos para a zona de conflito.
Esses equipamentos eram projetados para empresas madeireiras que atuavam nos Estados Unidos e Canadá. Contavam com três pesadas rodas de aço, com lâminas, e chegavam ao peso total de 60 toneladas.

Esse gigante tinha capacidade de andar sobre a água, já que as pesadas rodas funcionavam como flutuadores, o que seria bom para enfrentar o terreno pantanoso da floresta. Porém, o comando de guerra achava que os veículos, lentos e grandes, se tornariam alvo fácil para os rebeldes.
Dois trituradores foram alugados para testes em 1967, para testes e treinamento da tripulação na região de Long Binh, a nordeste de Saigon. Cerca de três meses depois, eles foram levados para o 93º Batalhão de Engenheiros, para operações reais.
Durante os testes, mais de 8 quilômetros quadrados de florestas foram derrubados pelos equipamentos, e em pouco tempo no Batalhão de Engenheiros, outros 4 km² de mata estavam no chão. Relatos dos envolvidos na operação mostravam que árvores de pequeno e médio porte não ofereciam resistência contra o gigante.
Apesar da agilidade na derrubada da mata, por serem tão grandes, eram facilmente atacados pelos inimigos. Qualquer dano no radiador, que era muito exposto, fazia a máquina parar, além da parte elétrica ser muito sensível à umidade da floresta.

Depois de quase um ano de uso, os engenheiros que operavam os Tree Crusher apresentaram uma série de melhorias para tornar os equipamentos mais adequados à operação na floresta. Entre outras mudanças, rodas com doze pontas cada uma, chassi mais baixo, motor refrigerado a ar e fiação elétrica reorganizada, para evitar problemas.

Mesmo com os benefícios, o comando de guerra entendeu que os veículos não eram adequados e seriam muito caros para serem operados, além do resultado dos produtos químicos, como o agente laranja e outros produtos que derrubavam as folhas das árvores eram mais baratos e fáceis de serem usados.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro
