Empresa construiu seus próprios caminhões na década de 1950 para transportar carros

por Blog do Caminhoneiro

Depois da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos entraram em um impressionante boom econômico. Cada vez mais, as pessoas queriam comprar, desde itens para suas casas, até veículos. E esses itens precisavam chegar em cada canto do país, garantindo as entregas em tempo hábil.

Um dos maiores problemas enfrentados pelas empresas de transporte era a movimentação de automóveis novos. Os caminhões da época eram bicudos, tinham pouco espaço para carga e motores fracos, se comparados com os mais atuais.

Para se ter uma ideia, boa parte das carretas de transporte de automóveis podiam transportar apenas quatro carros, já que os modelos produzidos e vendidos nos EUA eram verdadeiras barcas nessa época.

Para melhorar a eficiência do transporte nesse segmento, a empresa Convoy, de Portland, no Oregon, decidiu desenvolver um novo tipo de caminhão, com a cabine mais curta, garantindo um maior aproveitamento do chassi para as cargas.

Inicialmente, foi construído um caminhão usando um Ford F-8 1952, onde o motor foi coberto por chapas de aço retas, e a cabine original foi movida para cima do motor. O motorista ganhou um pouco de espaço, já que o túnel do motor foi removido.

A parede corta-fogo também foi modificada, ficando mais reta, e passando a contar com duas janelas extras. Com o chassi ganhando mais espaço para carga, a empresa pode começar a transportar seis carros e cada viagem, 50% a mais que a média normal.

Para o descanso do motorista, foi criado um pequeno espaço na parte traseira da cabine, em uma área adicional, que ficava sobre o porta-malas do automóvel estacionado em baixo. Apertado, mas garantindo que o caminhoneiro pudesse dormir deitado.

Pouco tempo depois, a empresa construiu outro caminhão, mas com um projeto diferente. O chassi do Ford F8 recebeu um motor Cummins com cilindros horizontais, que foi instalado atrás da cabine. Atrás dos pneus dianteiros foram colocados dois radiadores pequenos, e a cabine foi posicionada bem na dianteira do chassi.

Essa cabine trazia uma solução interessante para descanso. O segundo motorista dormir no espaço que antes seria ocupado pelo motor e caixa de câmbio. Basicamente era uma caixa de metal entre as rodas do eixo dianteiro. Conforto Zero.

O projeto da empresa foi usado por muitos anos, e, na década de 1960, as montadoras passaram a oferecer caminhões com projetos semelhantes ao desenvolvido pela empresa, com cabines muito estreitas, posicionadas sobre o motor, garantindo o maior espaço para carga possível.

É o caso de caminhões como o GMC CrackerBox, modelos Dodge e Peterbilt, por exemplo. Com algumas licenças especiais, era possível transportar até 18 carros de uma única vez, usando o chassi do cavalo mecânico para quatro carros, e o restante dividido em duas carretas cegonhas, engatadas como um bitrem.

Outras empresas

Outras transportadoras, na década de 1950, também passaram a construir seus próprios caminhões para o transporte de automóveis, cada uma com um projeto mais esquisito do que o outro. É o caso da Commercial Carriers Inc., que encomendou da Whitehead & Kales a modificação em um caminhão Dodge.

Esse modelo permitia o transporte de cinco carros, mas o motorista sofria com o sistema de direção, já que a coluna precisava de muita modificação para fazer as rodas esterçarem corretamente.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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