Roadtrains boiadeiros podem transportar mais de 300 cabeças de gado por viagem na Austrália

por Blog do Caminhoneiro

A Austrália é o sexto maior país do mundo em extensão territorial, e também é um grande produtor de gado. Como já é comum no país há muitos anos, o uso de roadtrains também atende ao transporte de cargas vivas, em distâncias de milhares de quilômetros.

Na década de 1990, com o crescimento da demanda por exportação de bois criados no país, era necessário o transporte de cada vez mais cabeças de gado do interior para os portos, e os roadtrains da época ofereciam o transporte de cerca de 200 cabeças por viagem.

Para ampliar a capacidade, aproveitando ao máximo as leis de comprimento, que permitiam conjuntos de 53,5 metros de comprimento total, John Leeds, um transportador do setor, resolveu adicionar mais uma carreta ao roadtrain, passando de três para quatro, e maximizando a quantidade de bois transportados.

No início dos anos 1990, ele conseguiu realizar o engate com uma quarta carreta, todas de dois andares, respeitando a lei de segurança e bem-estar animal, porém o tamanho ficou em 55 metros. O Departamento de Estradas de Western Australia não deu a licença necessária para o veículo, e 1,5 metro precisavam ser removidos.

Para isso, ao invés do uso de quatro carretas com dollyes, foi usada uma carreta com quinta roda, semelhante à dos bitrens usados no Brasil. Totalizando 8 andares de gado em 53,5 metros, a cada três viagens ao porto de Port Hedland eram suficientes para entrega de 1.000 cabeças, ou seja, eram transportados mais de 330 bois por viagem.

Com o uso do terceiro vagão de um bitrem, foi piorado o raio de giro da composição, mas foi a única forma do empresário conseguir ficar dentro da lei. Ao todo, quando carregado, o conjunto pesa 140 toneladas, tem 74 pneus e rodas, e 19 eixos.

Com o trabalho realizado por John Leeds, o transporte de gado na Austrália ganhou muito mais eficiência, e o uso de caminhões roadtrain com quatro carretas se tornou bastante comum dentro da Austrália Ocidental. Em outros territórios esse tipo de composição ainda não é permitida, mesmo estando dentro da lei de comprimento.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

1 comentário

ISAÍAS PINTO DA SILVA 14/05/2022 - 08:25

Se for no Brasil ia ter que vender o gado todo só para pagar o pedágio é o diesel

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