Saiba o porque de os Estados Unidos não usarem mais caminhões cara-chata

por Blog do Caminhoneiro

Presença comum no Brasil e em quase todos os outros países do mundo, o caminhões cara-chata não são muito usados nos Estados Unidos, e a maioria das montadoras nem oferece mais esse tipo de modelo para venda. Mas por que isso acontece?

Nos Estados Unidos o nome comum dos modelos cara-chata é COE ou CABOVER, que significa Cabin Over Engine (Cabine sobre o motor). Eles foram muito populares no país até os anos 1970, sendo que a maioria das montadoras oferecia uma linha completa de modelos COE junto com os modelos convencionais, com seus longos capôs.

Isso se devia às restrições de tamanho que haviam na maioria dos estados para o transporte de cargas. Entre 1956 e 1976, vigoraram leis que exigiam que o comprimento máximo de um caminhão fosse de 65 pés (19,81 metros), considerando para-choque a para-choque, e, como muita carga precisava ser transportada, foi necessário reduzir o espaço da cabine. Essas leis foram relaxadas no ano de 1976, com a adição de mais 10 pés ao comprimento total (22,86 metros), e caíram totalmente na década de 1980, quando apenas o comprimento do reboque foi limitado a 53 pés (16,15 metros).

Apesar de terem vantagens em relação aos modelos convencionais, como menor peso, mais manobrabilidade e visibilidade, uma série de motivos fizeram com que os caminhões cara-chata cara-chata caíssem em desuso, sobrando apenas a nostalgia de motoristas que ainda gostam do estilo dessas cabines.

Em primeiro lugar, o tamanho da cabine para os motoristas que cobrem longas distâncias conta muito. Nos anos 1960 e 1970, os Estados Unidos passaram a ter uma rede de transportes nacional, e as viagens de costa a costa se tornaram muito comuns. Como as cabines COE ofereciam pouco espaço, e uma cama estreita, ficou evidente que os motoristas precisavam de mais conforto e espaço para enfrentar as longas jornadas.

Os caminhões COE também tinham um nível de ruído interno mais elevado do que seus similares convencionais, pois o motor é colocado sob os pés do motorista. Além disso, havia mais vibração, por sentar sobre o eixo dianteiro, e o túnel do motor tomava um espaço importante de conforto para o caminhoneiro.

Outro ponto chave é a dificuldade maior para manutenção e verificação de componentes do motor em caminhões COE. Dependendo do grau de intervenção necessária, a cabine precisa de basculada, em um processo demorado e que exige que todo item solto dentro do veículo seja acomodado para não cair no para-brisa. Nos caminhões convencionais, basta levantar o capô para ter acesso aos dois lados do motor, com facilidade.

Hoje em dia, a segurança dos caminhões cara-chata evoluiu muito, mas, há 40 anos ou mais, a construção dos caminhões cara-chata e convencionais usava as mesmas tecnologias. Ou seja, quando havia um acidente, o motorista dos caminhões COE podia ter ferimentos com maior facilidade, por ficar mais próximo do local de impacto.

A mídia norte-americana também destaca que o desenvolvimento do projeto de um caminhão convencional é mais fácil do que o de modelos COE, já que os modelos com o motor em baixo da cabine precisam ser construídos com os mesmos componentes em menos espaço, o que exige mais trabalho. No caminhão convencional existe mais espaço para alocação de toda a tecnologia do veículo.

Outro ponto destacado é a dirigibilidade. Caminhões com entre-eixos mais curto geralmente são melhores na cidade e em locais apertados, mas, para rodar em rodovias, os eixos mais distantes uns dos outros ajudam bastante, especialmente em velocidades de 65 milhas por hora.

Graças ao conforto, os caminhões convencionais também passaram a ser adquiridos pelas transportadoras para atrair novos motoristas, e alimentaram massivamente o mercado de usados ao longo dos anos.

Com todos esses pontos contrários, os caminhões COE foram desaparecendo das concessionárias, e poucas montadoras ainda ofereciam esse tipo de caminhão nos Estados Unidos nos anos 2000 para operações de longas distâncias. Atualmente, eles ainda são vendidos novos, mas especialmente para operações dentro das cidades, como coleta de lixo e distribuição urbana.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

18 comentários

Jairo O. Salles 19/05/2022 - 13:07

Mais seguros,menos barulho e vibração nas cabines.Assim também deveria ser no Brasil com motor fora da cabine e o mesmo deveria acontecer com os ônibus urbanos daqui em que empresas ainda insistem em adquirir os famigerados e ultrapassados chassis com motor dianteiro.

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Carlos Alberto zamplonio 19/05/2022 - 05:03

Ao ler os comentários fico pasmo com a extrema falta de senso,aumenta se a quantidade de eixo,o volume peso ,mas não obrigam que o caminhão seja no mínimo um 6×4, uma grande parte de acidentes estão exatamente no erro, já que qualquer caminhão 6×2 pode puxar um 7 eixos, quais quer que fosse o peso acima de 28 tons deveria ser obrigatório caminhões no mínimo de 13 litros de motor e tração 6×4
Aí você pega um caminha 8 litros por um truco chupa ele pra 420 e está aí a porcaria feita

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LAURINDO BONILHA REGUEIRA 18/05/2022 - 19:57

Nada entendo de caminhão. Entendo de Português e acho o Fábio Lacerda um bobalhão. Se é professor de Português é o primeiro a conhecer as dificuldades no emprego correto da língua, para não ser o chato a corrigir a escrita de alguém que não lhe pediu isso. Humildade continua a ser bela qualidade.

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Alexandre D Scheffer 18/05/2022 - 11:31

Eu trabalho nos filmes em Massachusetts e usamos muito os cab overs por espaço para manobrar.

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Área Livre 17/05/2022 - 03:59

Enquanto isso os caminhões brasileiros são esses apertamento , bateu morreu, e tem quem acredite que a cabine e super segura, o golpe está aí, cai quem quer * avançada, nos EUA a volvo é um bicudo gigantesco.

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Andersi de Paula 16/05/2022 - 17:05

Eu tenho 34 anos de profissão sendo 6 desses trabalhando também nos EUA. Infelizmente o grande e o pior dos problemas aqui no Brasil se chama ” Educação” e isso literalmente não se encontra em todo o país e em todos os seguimentos e até mesmo em todos os níveis da sociedade e quando digo educação estou me referindo aos seus pontos básicos que são o respeito e o conhecimento. Sem isso não é possível grandes avanços e no transporte não é diferente e é por isso que o setor é tão castigado e seus profissionais tão desinteressados quanto desunidos.

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Ronaldo Luiz 15/05/2022 - 14:23

Gostaria muito que as ferrovias fossem ativadas novamente, não temos estradas , caminhoneiros dopados , nem todos é claro, falta empenho dos governantes e por aí vai .

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FABIO LACERDA ARAGAO DE PINA 14/05/2022 - 21:08

O verbo HAVER no sentido de EXISTIR é invariável. “restrição de tamanho que HAVIA na maioria dos estados”

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Marcelo de Souza Villalba 14/05/2022 - 20:24

E tem um detalhe muito importante que não foi mencionado no texto porque não era esse o foco: a legislação americana relaxou com o comprimento mas não com o peso. Eles fiscalizam o peso por eixo e o PBTC máximo é de 25t. Se quiserem usar implemento com 4 eixos fiquem à vontade, mas não pode passar de 25t. Creio que seria bom para nós se no Brasil o limite de comprimento fosse copiado, e o de peso caísse para 40t.

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Luiz Carlos 14/05/2022 - 18:43

No Brasil os caminhoneiros são muito desunidos ,motorempregado ganha uma miséria de salário

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Emanuel M. 14/05/2022 - 16:43

Achava legal o FNM antigo. Eu pegava carona, parecia q íamos beijar o asfalto ou o barro.🤣🤣🤣aO guidãozão parecia um carrossel👍🤣🤣

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RAIMUNDO DE JESUS ROCHA 13/05/2022 - 19:31

Ola turma!
Nós ainda somos maioria e podemos mudar , vamos nos unir.

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Wendel 13/05/2022 - 19:02

Nunca vou entender essa legislação onde a medida contabilizada é do parachoque dianteiro ao parachoque traseiro. A medida deve ser apenas no reboque -leia-se carga.-

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Fábio Prock Luiz 13/05/2022 - 13:28

Aqui no Brasil eles encurta a combine e aumenta o reboque com a desculpa de excesso de peso, daqui uns tempos vão encolher tanto a cabine que até a cama vai sair fora , motorista vai ter que trabalhar em pé

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RAMON PEREIRA PIRES 13/05/2022 - 12:59

Já no Brasil essas carniça da classe política acabaram com tudo, copiando esse lixo da legislação européia. Se vão copiar q fosse do lugar certo pelo menos…

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David Ramos dos Santos 13/05/2022 - 12:58

E melhor nem comentar!
Aqui é uma vergonha
É sempre o pior
O motorista é apenas o motorista
Nada mais

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Vanderlei 13/05/2022 - 01:06

No Brasil o transporte rodoviário era para ser um exemplo de como se fazer certo, porém não sei o q acontece tudo acaba virando uma piada.

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Rafael 12/05/2022 - 20:47

Infelizmente aqui no Brasil foi Ao contrário.

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