O curioso “MB L-608 D” carreta existiu de verdade na década de 1980

Em março de 1972, a Mercedes-Benz apresentou ao mercado nacional seu primeiro caminhão leve, o L-608 D, conhecido como Mercedinho ou apenas 608. Robusto e muito durável, esse caminhãozinho ainda é presença constante nas rodovias nacionais, trabalhando sem parar, mesmo 50 anos após o seu lançamento.

O pequeno tinha motor diesel OM-314, com quatro cilindros, 3,8 litros, com potência de 85 cavalos e torque de 235 Nm, com câmbio manual de cinco marchas, e uma cabine de design inconfundível.

A produção desse modelo durou bastante tempo, até 1987, quando a nomenclatura foi alterada para 708, modelo que tinha quase as mesmas especificações técnicas.

O legado do 608 continua até hoje, com o Accelo 815, modelo que traz muitas das características presentes no primeiro caminhão leve da Mercedes-Benz, como a ampla área envidraçada, grande capacidade de carga e conforto para o motorista.

Entre milhares de unidades vendidas, uma em especial chama a atenção. Trata-se de um 608 D que foi transformado em carreta, sendo usado por duas empresas na década de 1980. A história do caminhão começou em 1984, quando foi transformado pela empresa Bortolotto, de Caxias do Sul-RS.

Ele recebeu uma carreta fabricada em 1985, e, para o correto engate, teve o entre-eixos alterado, de 3.500 mm para 3.180 mm. Para reforço, as longarinas receberam uma alma soldada, e também foi instalada uma quinta-roda padrão.

O comprimento total ficou em 9,50 metros, com peso total quando vazio de 4.580 kg, com o cavalo pesando 2.980 e a carreta 1.600.

Por ser leve e com o chassi curto, a suspensão da cabine foi modificada, passando a ser feita com molas helicoidais, diminuindo a trepidação para o motorista.

Inicialmente, a operação do caminhão foi em uma empresa de produção de aves, transportando rações, ovos, aves adultas e pintinhos de um dia.

Em 1987, a carretinha foi adquirida pela empresa Sirene Transportes, e as cargas transportadas eram componentes de fibra de vidro para linhas de montagens de caminhões e ônibus.

Nessas operações, o peso das cargas era bem mais alto, com cerca de 6.500 kg por viagem, totalizando mais de 10 toneladas de PBT. O motorista, José Adolfo Barreto Neto, disse à revista Carga, em 1988, que chegou a transportar até 8 toneladas de cargas, com uma média de consumo de 5,8 litros, em velocidade média de 80 km/h.

Montagem chamou atenção nas redes sociais

Há alguns anos, uma montagem mostrando um Mercedes-Benz 608 azul, implementado com um baú, que foi transformado em carreta por meio de uma montagem, chamou a atenção nas redes sociais.

O modelo editado foi transformado em cavalo-mecânico, e recebeu uma carreta baú de dois eixos distanciados.

Apesar desse modelo ser uma montagem, o caminhãozinho da Sirene Transportes mostra que o 608 é versátil o suficiente para ser transformado em carreta e trabalhar por muitos anos no transporte real.

Infelizmente, sobre esse caminhão, talvez único, não existem mais informações, sobre o paradeiro, ou até quando continuou a ser utilizado.

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