Filha faz tatuagem em homenagem ao pai caminhoneiro

Aniely Carneiro é filha de Hélio Carneiro, que fundou uma transportadora com o nome da filha. A história da empresa começou antes mesmo dela nascer, em 1991, quando o pai saiu de Itaberaba para trabalhar em um frigorífico de Salvador-BA.

A busca por um novo trabalho passava pelo sonho de se tornar caminhoneiro, levando sustento para sua casa. Aniely nasceu em 1994, quando o pai já trabalhava como caminhoneiro. Com seis anos, a menina já viajava, no caminhão Ford “Sapão” que o pai trabalhava.

Pouco tempo depois, o caminhoneiro começou a ter problemas de coluna, com diagnóstico de hérnias de disco. Após a cirurgia, quando havia comprado um Scania 110, sem conseguir um motorista fixo até sua recuperação, Hélio decidiu dirigir o caminhão, enquanto ainda estava em recuperação.

Ao ver o pai sofrendo, Aniely decidiu ajudar, fazendo tudo o que fosse possível para evitar problemas à coluna recém operada.

“Eu coloquei na minha cabeça que eu precisava ajudar meu pai, eu tinha uns 07 anos. Ficava igual um chaveirinho com ele para todo canto, ajuda a apertar um parafuso, subia no caminhão funcionava, acelerava, para ele não fazer esforço na coluna. Sem contar com as inúmeras perguntas que tirava ele do sério”, conta ela.

Em 2009, já com outro caminhão e o primeiro cliente fixo, houve a possibilidade de abertura de uma empresa, passando a operar todo o serviço de transporte desse cliente. Quando se pensou no nome da transportadora, a filha disse que seria com o nome dela, e a escolha ficou como Aniely Transportes.

Nessa época, ela já fazia todo o serviço necessário para a empresa, ainda em casa, como documentos de transporte.

“Quando eu terminei o colégio, meu pai me perguntou qual o curso eu queria fazer. Eu falei para ele que não queria estudar, que eu queria um FH graneleiro, 07 eixos, e subir a Serra da Mangabeira carregado e olhar de lá de cima e dizer que eu seguir os passos do meu pai”, disse Anielly ao Blog do Caminhoneiro.

A resposta do pai, claro, foi negativa, pelas diversas dificuldades enfrentadas nas estradas.

“Vi que eu não tinha vez. Meu irmão estava se formando em Administração, e, para tomar conta da empresa com ele, resolvi cursar Direito que era meu segundo sonho, ser Advogada”.

Em 2018, quando cursava o terceiro ano da faculdade, a jovem decidiu fazer uma tatuagem em homenagem à história do seu pai, e ao amor pelo caminhão.

“Resolvi fazer o ‘Jacarezinho’, que simboliza para nós perseverança, garra e fé. Coloquei uma asa que simboliza que meu pai é o meu anjo da guarda, quem sempre me protegeu, o coração é que ele é o amor da minha vida e a âncora meu porto seguro”, disse ela, contando também que o pai gostou muito da tatuagem.

Em 2020, o irmão dela que também atuava na empresa acabou saindo, e à ela coube o papel do gerenciamento do negócio.

“Estava fazendo isso por amor, estava no lugar que eu amava, que eu fui criada ali, sentindo cheiro de graxa e óleo diesel. Não é atoa que casei com um caminhoneiro”, disse ela.

Ela destaca também a garra do pai para conquistar tudo o que eles tem, com muito sacrifício.

“Ele sempre pensou em mim, na minha mãe, no meu irmão, muito mais do que nele mesmo. Então, estou aqui hoje por amor e gratidão por tudo que meu pai fez e faz por mim, ele é meu orgulho. Tenho tamanha admiração por ele e posso dizer que meu pai é um guerreiro e um exemplo a seguir”, finaliza Aniely.

A tatuagem feita por Anielly foi usada pela Rede de Concessionárias Scania na homenagem ao dia dos pais.

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

Deixe um comentário!

Caminhões comemorativos viram febre entre transportadoras Centenas de vagas de emprego para caminhoneiros Conheça o super caminhão futurista da Peterbilt 300 vagas para caminhoneiros brasileiros em Portugal CAMINHONEIRO SEGUE TRABALHANDO AOS 90 ANOS DE IDADE