Scania e Mack tiveram parceria que culminou nos motores V8

Nos anos 1950, a Scania precisava de um novo ônibus para ser vendido na Europa. O processo de desenvolvimento nunca é barato, e também acaba sendo muito demorado, por isso muitas marcas optam pela utilização da plataforma de outras montadoras para desenvolver seus projetos.
Nos Estados Unidos já rodava um ônibus bastante moderno para a época, o Mack C-50. Foi com esse projeto que a Scania lançou o Scania-Vabis Metropol em 1953. A joint venture entre as duas empresas se baseava em troca de tecnologias, beneficiando ambas as marcas.

Para se adequar à Europa, o Mack C-50 recebeu algumas mudanças, em especial na motorização. Saia o Mack END172, que fornecia 165 cavalos de potência, e entrava o D820, produzido pela própria Scania. Esse motor tinha 11,3 litros de cilindrada e 180 cavalos de potência, e era mais econômico, graças a uma tecnologia da Scania de injeção direta.

A Mack, por sua vez, se interessou nesse sistema de injeção, que acabou originando o motor Mack END673 Thermodyne, um modelo lendário, que chegou aos EUA substituindo o END672 também em 1953.
Esse motor foi muito usado em caminhões Mack Série B, e tinha potências entre 170 e 211 cavalos na versão normal, e 220 cavalos quando equipado com uma turbina. Durante 13 anos, esse motor equipou mais de 80% de todos os caminhões Mack fabricados nos EUA.

Além do desenvolvimento dos ônibus e desses primeiros motores, a Scania e a Mack continuaram trabalhando juntas diretamente até 1986. Foi por meio dessa parceria também que a Mack importou aos EUA mais de 15 mil motores D8 e DS8, que tinham 7,9 litros de cilindrada, entre 1961 e 1986. A produção total da Scania desses propulsores foi de pouco mais de 106 mil unidades.
Outro grande desenvolvimento conjunto das duas empresas foram os motores V8. A Mack trabalhou por cinco anos no desenvolvimento de uma nova linha de motores, os Mack END(T)864, que tinham 14,2 litros de cilindrada e oito cilindros em V.

A maior diferença entre os projetos estava nos cabeçotes. Enquanto a Mack desenvolveu seu projeto com cabeçotes de dois cilindros, a Scania trabalhou com cabeçotes individuais. Com isso, motores Mack tinha quatro cabeçotes, e os modelos Scania, oito cabeçotes.
A produção dos blocos era feita pela Mack, como forma de otimizar a fabricação desses motores e reduzir custos, que tinham uma saída menor para os clientes, já que eles preferiam versões de seis cilindros.
Para utilizar os motores na Europa, a Scania teve que realizar algumas mudanças, especialmente na questão das medidas, que nos EUA são no sistema imperial, alterando para o sistema métrico, que é tradicional no mercado europeu.
Esses motores seguiram em produção até o ano 2000 na Europa, quando chegou a norma de emissões Euro 3 àquele continente. Com isso, a Scania aumentou a litragem do propulsor, para 15,6 litros, fazendo nascer o DC16 V8.
Atualmente, os motores Scania V8 tem 16,4 litros e potências que chegam aos 770 cavalos. A versão de 15,6 litros desse motor também foi usado pela Mack, como Mack E9. A produção dessa usina de força foi encerrada em 2003, logo depois de a Volvo adquirir a marca Mack nos Estados Unidos.
Atualmente, nos Estados Unidos, a Mack não oferece nenhum motor V8, apenas versões de 11 e 13 litros, com seis cilindros, chamados de MP7, que tem 11 litros, e os MP8 e MP8HE, com 13 litros. Na Austrália, a montadora oferece o Mack MP10, com 685 cavalos de potência, baseado em um projeto da Volvo, o D16G, que tem seis cilindros em linha.
