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Empresa da Austrália recebe 46 rodotrens com 192 implementos para transporte de minério de ferro

Imagem de MGM Group

As estradas longas e retas da Austrália são uma paisagem complementada por centenas dos famosos Roadtrains, caminhões gigantes e extremamente longos, que podem pesar até 220 toneladas. Uma das empresas que conta com uma frota desses gigantes é a MGM Group, que transporta minério de ferro na região da Austrália Ocidental.

Recentemente a empresa ampliou a frota, adquirindo 46 novos caminhões rodoviários pesados, produzidos pela Kenworth. Cada um desses caminhões, de quatro eixos, recebe quatro implementos e três dollys, o que totaliza 192 semirreboques com 144 dollys.

Quando se faz a soma completa de todos os eixos, sendo 28 no total, temos 110 pneus rodando.

Imagem de MGM Group

Com esse comprimento, fica claro que o transporte de cargas é feito praticamente só para a frente. Por isso, o local de carregamento tem um amplo espaço para manobras, e a descarga do material transportado é feito lateralmente pelas carrocerias basculantes, reduzindo ao mínimo a necessidade de se dar marcha-à-ré em um gigante desses.

História dos roadtrains

A história dos roadtrains (trens de estrada) na Austrália é uma saga de engenharia e sobrevivência que moldou o desenvolvimento do país. Eles nasceram de uma necessidade absoluta: conectar o isolado e vasto interior australiano (Outback) ao resto do mundo, onde as ferrovias eram economicamente inviáveis e as distâncias eram medidas em milhares de quilômetros.

Antes deles, o transporte nessas regiões áridas dependia de longas e lentas caravanas de camelos (trazidos do Afeganistão) ou carretas puxadas por dezenas de bois.

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As primeiras tentativas sérias de criar “trens terrestres” começaram na década de 1930, capitaneadas pelo governo australiano. O pioneiro foi o Government Road Train, projetado pelo Overseas Mechanical Transport Committee.

Imagem de MGM Group

Esse sistema utilizava um cavalo mecânico de tração integral de fabricação britânica que puxava dois ou três reboques com eixos direcionáveis. O grande diferencial era que os reboques seguiam exatamente o mesmo rastro do caminhão principal, facilitando as curvas em trilhas de terra estreitas. O modelo mais famoso dessa época operou no Território do Norte, transportando gado e suprimentos por regiões onde nenhum outro veículo conseguia passar.

Embora o governo tenha iniciado os testes, o nascimento do formato atual se deve à genialidade de um homem do interior chamado Kurt Johannsen, na década de 1940.

Após a Segunda Guerra Mundial, Johannsen comprou um caminhão militar Diamond T 980 excedente de guerra (originalmente usado para transportar tanques) e começou a construir seus próprios reboques usando eixos e chassis de veículos militares abandonados.

Ao contrário do modelo do governo, os reboques de Johannsen eram mais simples e robustos. Ele provou que um único motor potente conseguia puxar três reboques carregados de gado. Sua primeira viagem oficial transportou 95 cabeças de gado por mais de 300 quilômetros de estradas de terra batida. A eficiência foi tão avassaladora que a indústria pecuária mudou para sempre.

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Nas décadas de 1960 e 1970, gigantes do transporte começaram a surgir. Empresas expandiram as frotas e ajudaram a consolidar as regras operacionais. Foi nesse período que marcas icônicas de caminhões começaram a projetar cavalos mecânicos específicos para a realidade australiana.

Imagem de MGM Group

Atualmente, esses gigantes são vitais para as indústrias de mineração, pecuária e combustíveis. Eles são altamente regulamentados por estados como o Território do Norte, Austrália Ocidental e Queensland.

Eles são classificados pelo número de reboques e combinações de eixos. Enquanto os “B-Double” convencionais rodam perto das cidades, os gigantes “Double Road Train” (duas carretas longas) e “Triple Road Train” (três carretas) são confinados às rodovias do interior (highways), com comprimentos regulamentados que chegam a 53,5 metros e PBTC (Peso Bruto Total Combinado) que passa facilmente das 130 toneladas — podendo chegar a mais de 200 toneladas nas operações de mineração privadas.

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

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