Piso salarial para motoristas de R$ 5 mil volta ao debate com novo projeto de lei apresentado na Câmara dos Deputados

Na última semana, o Deputado Federal Ilacir Bicalho (Republicanos-MG) apresentou um projeto de lei que cria o piso salarial profissional nacional dos motoristas profissionais empregados no transporte rodoviário de cargas que atuem em operações de longa distância.
De acordo com o projeto de lei 4789/2026, o piso salarial será válido para motoristas profissionais contratados sob o regime CLT (Consolidação das Leis do Trabalho).
Para essa classe de profissionais, o piso salarial será de R$ 5 mil reais mensais, desde que o motorista trabalhe em operações de longas distâncias, ou seja, permaneça fora da base da empresa, matriz ou filial, e de sua residência por período superior a 24 horas.
Dentro desse piso salarial não poderão ser computados outros ganhos, como horas extras, adicional noturno ou de periculosidade, diárias e outros valores destinados ao ressarcimento de despesas de viagem, entre outros.
O projeto também destaca que esse valor será o piso para a categoria, e que convenções coletivas de trabalho poderão estabelecer somente piso salarial superior ao estabelecido. Fica proibida a redução salarial em qualquer ocasião.
Além disso, o valor salarial será corrigido anualmente, por meio da variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado e divulgado pelo IBGE. O reajuste só será realizado após um ano de vigência do texto, se for convertido em lei.
Se aprovado, o texto entrará em vigor seis meses após a publicação da lei, garantindo tempo de adaptação aos empregadores.
“Esses profissionais desempenham atividade essencial ao funcionamento da economia nacional e ao abastecimento das cidades, transportando alimentos, medicamentos, combustíveis, insumos industriais e diversos outros produtos indispensáveis à população”, destacou o Deputado Federal Ilacir Bicalho, na justificativa do projeto.
O deputado destaca que os caminhoneiros têm hoje um salário base baixo, que é complementado por horas extras, diárias, comissões, gratificações, bonificações e outras parcelas variáveis. Para ele, essa estrutura gera instabilidade financeira e pode estimular jornadas excessivas, em prejuízo da saúde do trabalhador e da segurança do trânsito.
Novo projeto
O piso salarial de R$ 5 mil para caminhoneiros de longas distâncias já havia destacado e até aprovado durante a análise da Medida Provisória nº 1.343, de 2026, mas acabou sendo retirado do texto final, no Senado, por ser considerado uma matéria estranha ao objetivo original da MP.
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“A apresentação deste Projeto de Lei autônomo permite que a matéria seja analisada regularmente pelas comissões competentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com a participação dos trabalhadores, das empresas transportadoras, das entidades sindicais e dos demais setores envolvidos”, destacou o deputado.
O novo projeto de lei, de número 4789/2026, foi apresentado no último dia 24 de julho, e agora precisa ser analisado nas comissões da Câmara dos Deputados e Senado, antes de ser sancionado e se tornar lei.
