Jan De Rooy e o DAF Turbo Twin II – O supercaminhão do Dakar

por Blog do Caminhoneiro

A década de 80 foi a época de ouro do automobilismo mundial. Regulamentos permissivos, máquinas bestiais e cavalos e mais cavalos de potência. Tudo era liberado, desde a Fórmula 1 até o Dakar. E é do Dakar que vamos falar, mais especificamente de uma besta que tentou vencer a mais difícil corrida do mundo em primeiro lugar.

O Dakar foi criado em 1976. e partia de Paris até chegar em Dakar, no Senagal, atravessando o Deserto do Saara. Em 2008 a prova mudou para a América do Sul. Na década de 1980, centenas de pilotos se arriscavam na corrida, e os caminhões já eram parte importante da competição. É aí que surge uma lenda: Jan De Rooy, pai de Gerard de Rooy, que atualmente pilota caminhões Iveco no Dakar. A família está há três gerações no automobilismo, e mantém uma grande transportadora na Europa.

Jan de Rooy era um visionário, e depois de anos correndo contra caminhões no Dakar, resolveu que venceria a disputa em primeira colocação na classificação geral, batendo carros e motos, com um caminhão DAF. Naquela época, Jan já se destacava pelas soluções encontradas para correr cada vez mais rápido no Dakar. Uma das mais curiosas trata-se do Tweekoppig Monster, ou monstro de duas cabeças, criado em 1984, que contava com dois motores e duas cabines. Em caso de acidente, era só entrar na outra cabine e acelerar, já que o caminhão andava para os dois lados. O caminhão só não venceu a disputa porque teve uma quebra em uma das etapas.

Em 1986 houve uma corrida pela potência, e aí nasceu o DAF Turbo Twin, criado inteiro para ser um caminhão de corrida, preservando apenas a cabine original, do DAF 3600. O caminhão alcançava 200 km/h e chegava aos 100km/h em menos de 10 segundos, sendo muito mais rápido que vários carros esportivos da época.

 

 

 

 

Novamente Jan não venceu o Dakar por causa de uma nova quebra, desta vez no eixo, o que impossibilitou o termino da prova. Mas, em 1987 nascia o DAF Turbo Twin II, uma versão ainda mais potente e leve do modelo que correu em 1986, equipado com dois motores e turbinado, alcançando quase 1.100 cavalos de potência e 2.000 Nm de torque. Era tão rápido que venceu uma etapa com folga sobre carros, ficando em primeiro lugar nos caminhões, com uma frente de quatro horas para o segundo colocado e em 11º na classificação geral.

 

Com essa impressionante capacidade do caminhão, Jan decidiu que era hora de vencer o Dakar na classificação geral, ficando a frente dos carros, superando lendas como Ari Vatanen e carros protótipo da Peugeot, que já eram lendas consagradas no rally.

Por isso, em 1988, o holandês chegou para o Dakar, com dois caminhões, os DAF 95 Turbo Twin X1 e X2. Cada caminhão era equipado com dois motores diesel de 11,6 litros de cilindrada montados no centro do chassi, logo atrás da cabine. Cada motor recebeu três turbos, e dois desses eram de geometria variável, algo extremamente futurista. A potência combinada era de 1.200 cavalos de potência e torque de 4.000 Nm, que levavam o caminhão a mais de 220 km/h sobre as dunas do Saara.

 

A aceleração era de impressionantes 0-100 km/h em menos de 8 segundos, e a máxima era atingida em menos de 40 segundos, algo impressionante para um caminhão de quase 10 toneladas. Hoje o Dakar limita os veículos à velocidade máxima de 150 km/h controlada por GPS. A cena mais impressionante daquele Dakar foi ver o caminhão de Jan acelerando e chegando a alcançar um Peugeot 405 T16 Grand Raid dirigido por Ari Vatanen, primeiro colocado até então na prova, algo impensável anteriormente.

Infelizmente, durante o rally, o caminhão DAF 95 Turbo Twin X2, pilotado por Theo van de Rijt, acabou saltando uma duna à cerca de 190 km/h. Na queda, a suspensão não conseguiu segurar o caminhão, que capotou várias vezes. O navegador Kees van Loevezijn teve morte instantânea no acidente, enquanto o piloto Theo van de Rijt teve ferimento graves. Diante da tragédia, Jan abandonou a prova e a DAF se retirou da competição. Jan voltaria ao Dakar apenas em 1998, dez anos depois.

Por causa do acidente, a entidade que organiza o Dakar mudou o regulamento, permitindo apenas a inscrição de caminhões que fossem derivados de caminhões de rua. Nunca mais o Dakar foi o mesmo, nem os caminhão tão interessantes.

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2 comentários

Luis F. Araujo 31/01/2017 - 18:31

3600 cv mermão !

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Mauro Rodrigues 31/01/2017 - 15:43

DAF Caminhões Carla Yudice

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