A CARRETA E O IATE – Cavalo Mecânico Mercedes Benz LS 1935 6×2




Alicio, tem muito dinheiro, é um milionário.
Tem iate de fibra de vidro, alumínio e zinco.
Para transportá-lo, cavalo extraordinário.
Mercedes Benz dezenove trinta e cinco.

Alicio, de dirigir faz questão
e leva o bruto com tranquilidade.
Conduz seu belo caminhão.
Leva o iate com praticidade.

Seu Mercedes Benz dezenove trinta e cinco
tem terceiro eixo instalado.
É muito bem cuidado, um brinco.
Reboque leva o iate atrelado.

Indo ao interior no lago de Itaipu,
ou buscando mar aberto, no litoral.
Conduz seu Mercedes Benz azul.
Levando seu barco sem igual.

Seja em alguma marina
ou até em um clube privado.
Desfruta o conforto da cabina
do seu cavalo Mercedes trucado.

Desfila com seu iate colossal
mas não é por ostentação.
Para ele, perfeitamente normal,
rebocá-lo em seu caminhão.

O reboque que o leva
é baixo com pequenos pneus.
Assim por qualquer via trafega.
De Alicio, atende objetivos seus.

Alicio ficando assim exposto
parecendo de nada ter medo.
Não escondia de ninguém o rosto.
No fundo tinha um grande segredo.

Para os lugares que ia
com seu iate de partida.
No fundo ele possuía
fortuna em ouro escondida.

Alicio, havia um objetivo proposto,
e do governo de seu País tinha mágoas.
Cansado de tanto pagar imposto.
Escondeu fortuna sob as águas.

Maior parte de sua fortuna
comprou em barras de ouro.
Nem mesmo sua esposa Bruna
sabia onde ele escondia o tesouro.

Sempre que precisava de fundos
Ia buscar em seu banco subaquático.
Em lagos, barragens ou no mar profundo,
no iate levado pelo seu bruto fantástico.

Do assunto não fazia barulho
achando tanto imposto desaforo.
Vestia sua roupa de mergulho
e ia no fundo buscar seu ouro.

Só ele sabia os locais
onde ficavam suas riquezas.
No mar, debaixo de corais
e em pontos profundos de represas.

Com o ouro escondido assim
ao governo não pagava tributo.
Pegava barra de ouro por fim
e levava ali dentro do seu bruto.

Vendia o ouro no mercado negro,
pagava as contas com dinheiro vivo.
Na sociedade, considerado integro.
Para ladrões, roubá-lo era convidativo.

Alicio não se vestia com luxo
Mas existia este questionamento.
Ganhar dinheiro, um bruxo.
Onde escondia seu faturamento?

Isso pareceu até comédia,
Alguns homens planejaram.
Não eram pobres, classe média.
Roubar Alicio eles pensaram.

Alicio foi seguido seis meses.
O observaram discretamente.
Anotaram seu trajeto várias vezes.
Roubá-lo tinham em mente.

Certo dia o viram retirar
de dentro da água um grande baú.
“É hoje”, puseram-se a pensar.
Foi buscá-lo no Lago de Itaipu.

Para o iate foi içado.
Do baú Alicio não fez segredo.
No barco estava guardado.
Quando saiu, já não era cedo.

Alicio demorou a sair,
parecia que falava no rádio amador.
Após uma hora decidiu partir.
Ouviram o potente ronco do motor.

Alicio pegou o asfalto
em uma via de pouco movimento.
Dirigia displicente, um incauto.
Viu-se cercado naquele momento.

Recebeu voz de assalto,
grupo de doze homens armados.
No reboque subiram com um salto.
Revólveres lhe foram apontados.

Exigiam a sua saída do caminhão.
e que o baú fosse entregue.
Alicio, calmo diante da situação.
Fato estranho, não há quem negue.

Desceram o baú com dificuldade.
Afinal estava muito pesado.
Mas não teriam facilidade.
pois o baú estava trancado.

Alicio não se apavorou
pedia calma aos bandidos.
Que se afastassem, falou.
Atenderia deles os pedidos.

O grupo criminoso impaciente
Exigia que ele saísse também.
Se continuasse desobediente,
o tirariam por mal ou por bem.

Foi nesse momento exato
carros chegaram ao local.
Era um grande destacamento
com homens da Policia Federal.

Dos bandidos houve reação
e ocorreu violento tiroteio.
Balas atingiram o caminhão.
Criminosos baleados em cheio.

Durou apenas cinco minutos,
o tiroteio cessou então.
Mortos e feridos, homens brutos.
Aos criminosos uma dura lição.

Alicio não foi atingido
e o caminhão não foi danificado.
O que não sabia o grupo bandido
que seu Mercedes era blindado.

A chegada ali da polícia,
pode ser explicada facilmente.
Alicio era esperto tinha malícia.
Tinha um plano em mente.

Percebera que era seguido
mas não os deixou perceber.
Armadilha para grupo bandido,
Alicio acabou por fazer.

Tinha avisado a polícia Federal
era seguido por grupo suspeito.
Agira de maneira normal.
Seu plano acabou sendo perfeito.

Mas a Polícia Federal
exigia dele explicação.
Alicio, suspeito afinal,
acusado de sonegação.

Mandaram que o baú fosse aberto,
achando que havia ouro em barra.
Alicio seria pego por certo.
Abriria por bem ou na marra.

Afinal se o ouro fosse encontrado,
sua origem teria de explicar.
Seria por sonegação fiscal apanhado.
E problemas isso iria lhe causar.

Alicio aproxima-se da caixa
tendo uma chave na mão.
Próximo á ela se abaixa.
Levantou do baú o tampão.

Ouve surpresa geral
pois o que havia somente
surpreendeu a Polícia Federal.
O baú tinha uma grossa corrente.

Quando foi perguntado
porque guardara uma corrente.
Alicio respondeu, educado.
Para enganar bandidos somente.

Há alguns meses atrás
percebera que era observado.
Foi esperto o milionário rapaz.
O grupo criminoso foi enganado.

Também a polícia federal
que recebera como missão
no segredo de Alicio dar ponto final
acabou não encontrando a solução.

Como o baú era bem pesado
pediu ajuda para embarcá-lo de volta.
Pelo grupo policial foi ajudado.
Ainda acabou arrumando escolta.

Quando retornou a seu lar
a bordo do Mercedes trucado.
Com o iate iria para outro lugar.
Em casa, o baú foi desembarcado.

Ao tirar do baú a corrente,
causou surpresa na esposa Bruna.
Ela perguntou o que tinha em mente.
Ele disse: “A corrente esconde uma fortuna”.

A mulher não entendeu nada
e o deixou ali com a corrente.
Alicio começou a dar risada.
Jogou sobre ela um solvente.

Aquela corrente de elos escuros
começou a tornar-se dourada.
Era feita de barras de ouro puro.
Com uma tinta a óleo fora pintada.

Roberto Dias Alvares





Um comentário em “A CARRETA E O IATE – Cavalo Mecânico Mercedes Benz LS 1935 6×2

  • 04/11/2019 em 10:52
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    Essa historia é fantasiosa e surreal e com um final bastante surpreendente

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