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O exército de caminhoneiros que colaborou para a vitória dos aliados na 2ª Guerra Mundial

Um dos grandes marcos da história moderna, sem dúvidas, é a Segunda Guerra Mundial. Foi o maior conflito armado da história do planeta, que destacou como o mal pode ser grande quando está no poder, além de mostrar atos heroicos de homens e mulheres simples.

O número de mortes durante os seis anos da guerra ficou entre 55 a 80 milhões de pessoas, envolvidas diretamente no conflito, como soldados, civis de muitos países e judeus, além de outras etnias, que eram caçados e mortos pelo exército de Adolf Hitler.

Entre as milhares de histórias de coragem, estão milhares de soldados, principalmente afrodescendentes norte-americanos, que fizeram parte da Red Ball Express, um sistema de comboio ininterrupto para levar suprimentos para soldados que estavam na França.

Em 6 de junho de 1944, as forças aliadas desembarcaram cerca de 1 milhão de soldados nas praias da Normandia. Aos poucos, esses soldados foram tomando territórios invadidos pelos alemães. No final de julho, os militares começaram a se espalhar cada vez mais, precisando ser mantidos alimentados, abastecidos e municiados para seguirem avançando.

A ideia inicial dos Aliados era a utilização de ferrovias da França, que estavam precárias, e dos portos de águas profundas da Antuérpia, mas essa região foi destruída pelo exército alemão, para evitar seu uso pelos inimigos. A reconstrução do porto durou mais de três meses.

Em uma reunião de emergência, foi criada a Red Ball Express, uma frota com cerca de 6 mil caminhões militares, que rodavam praticamente sem parar, com dois motoristas que se revezavam, para que rações, combustíveis, munição, suprimentos médicos e outros itens necessários fossem entregues às tropas nas linhas de frente.

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Com a pressa da criação do sistema, poucos homens sabiam como dirigir um caminhão, e a grande maioria tinha menos de 24 anos. Sem rodovias como conhecemos hoje, os caminhões circulavam por estradas recém abertas, de mão única, e a polícia do exército garantia a passagem dos caminhões pelos cruzamentos, sem parar.

Para manter o fluxo de veículos constante, haviam duas rotas entre as cidades de Cherbourg e Chartres, onde foi criado um posto avançado de logística. Pela regra, os caminhões só poderiam circular em comboios, com escolta de jipes e em velocidade máxima de 90 km/h.

Na realidade, esses milhares de caminhões seguiam quase sempre sozinhos, em velocidades acima de 110 km/h, e se tornaram alvos prioritários da Luftwaffe, os aviões de guerra de Hitler.

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Haviam equipes nas estradas para consertos dos veículos avariados. Cerca de 1.500 reparos eram feitos todos os dias.

Durante os meses que esteve ativa, a Red Ball Express transportou quase 500 mil toneladas de suprimentos para os soldados de 28 divisões diferentes.

Muitos desses caminhoneiros heróis morreram nas estradas, devido a acidentes e ataques do exército inimigo. Foram 82 dias de trabalho sem parar, até que o porto da Antuérpia estivesse pronto para operar. Ao final desse período, os caminhoneiros retornaram para suas unidades de origem, onde permaneceram lutando até o final da Segunda Guerra Mundial.

A Red Ball Express é lembrada inclusive em um filme, de 1952, que leva o mesmo nome.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.