Jovem jornalista homenageia o pai caminhoneiro no TCC da faculdade

por Blog do Caminhoneiro

O ano de 2018 ficou marcado na memória da jovem jornalista Manuella Mariani, filha do experiente caminhoneiro Celio Mariani, que tinha, na época, cerca de 40 anos de vida na estrada. Infelizmente, o Sr. Celio faleceu em 2019, vítima de uma pneumonia, aos 68 anos de idade.

Foi em 2018 que a então estudante pegou carona com seu pai pelas paisagens das rodovias brasileiras, onde produziu um documentário de pouco mais de 30 minutos. Segundo ela, por ter ouvido durante toda a vida as histórias de seu pai, sobre as dificuldades e as vantagens da vida de caminhoneiro, que estão expostos à insegurança, noites mal dormidas, preconceito e exaustivas jornadas de trabalho, e, por outro lado, as amizades, o conhecimento e a liberdade, decidiu realizar, em algum momento do curso de jornalismo, uma matéria na boleia do caminhão. O resultado do trabalho realizado pode ser visto no vídeo abaixo, que foi apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso.

A viagem foi realizada durante as férias da faculdade, nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

“Eu consegui apenas alguns dias de folga do estágio e não podia ir tão longe, além de um certo medo que meu pai sentia em me levar para cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro”, disse ela, contando um pouco sobre os momentos que passou ao lado do pai na boleia do caminhão.

Além da gravação do documentário, a viagem ficou marcada na lembrança pelos momentos bons vividos com o pai, em meio às conversas e risadas.

“Foi demais! Tivemos bons momentos de pai e filha, muita conversa, muita risada, muitas trocas de conhecimento, era nítido a alegria dele. Conheci muitas pessoas no caminho e, de modo geral, foi uma viagem bem tranquila. Meu pai era super paciente, eu pedia para gravar algo e ele atendia imediatamente”, nos contou Manuella.

Além da viagem com o pai, a jornalista contou com ajuda de outra colega que é filha de caminhoneiro, e também com caminhoneiros, que atenderam prontamente às solicitações para o documentário. Além disso, durante a produção do documentário, ocorreu a greve de caminhoneiros de maio de 2018, que se tornou um importante registro.

“Na atualidade, ao se ouvir, ler ou assistir algo relacionado com a palavra caminhoneiro, é comum ver a imagem de drogas, acidentes, criminalidade, promiscuidade, infidelidade, imprudências e até mesmo, greves. De modo geral, são temas na compreensão marginalizada e discriminatória. Infelizmente, a crítica de mídia ajuda a criar essas generalizações que são, na maioria das vezes, injustas. Diante disso, eu sentia necessidade de mostrar a visão de uma filha de caminhoneiro”, relatou Manuella ao Blog do Caminhoneiro.

Assim como em diversas outras datas, o pai caminhoneiro não pode ser fazer presente no dia da apresentação do TCC de Manuella, devido à mais uma, entre inúmeras viagens que fez no decorrer de sua vida na estrada.

“Tirei nota máxima e, alguns meses depois, o vídeo ficou em terceiro lugar no quesito documentário no curso de jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina”.

Ela também contou ao Blog do Caminhoneiro um pouco sobre seu pai, além da vida atrás do volante.

“Meu pai era um homem muito divertido, adorava fazer brincadeiras e mágicas. Tocava gaita de boca e levava alegria aos companheiros nos pátios de postos de gasolina. Sempre que voltava para casa, trazia alguma lembrança para a família, um presente ou moedas de troco dos pedágios. Era um pai amoroso, um marido atencioso, filho, tio, irmão querido. Ele não queria largar a estrada, mesmo com quase 70 anos”.

O experiente motorista Celio adoeceu e foi internado na UTI por 20 dias na cidade de Eunápolis, na Bahia. O caminhoneiro estava trabalhando quando passou mal. A família ficou todos esses dias com ele na Bahia, há mais de 2 mil quilômetros de distância de Santa Catarina. Ele faleceu em 20 de junho de 2019, com 68 anos de idade, vítima de pneumonia.

“Confesso que assistir ao vídeo ainda é difícil, ouvir a voz dele, ouvir o ronco do caminhão, a gaita de boca… Dá muita saudade. Sou grata a Deus pela oportunidade de ter feito esse vídeo, ter ficado tão pertinho dele e hoje poder ter isso como uma bela lembrança”, finaliza Manuella.

A íntegra do documentário pode ser assistida acima.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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1 comentário

Beatriz Soares 07/04/2021 - 23:40

Parabéns pelo seu trabalho, com certeza você foi muito sábia ao realiza lo.

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