Senado norte-americano analisa projeto para reduzir idade mínima dos motoristas de caminhões

por Blog do Caminhoneiro

Qual a idade ideal para que um jovem possa dirigir um caminhão pesado em rotas de longas distâncias? Na maioria dos países, incluindo Brasil e Estados Unidos, a carteira de motorista profissional que permite dirigir carretas só pode ser obtida a partir dos 21 anos de idade. Porém, nos EUA um projeto de lei em análise no Senado pode mudar isso.

Um projeto chamado de DRIVE Safe Act, se aprovado, permitirá que jovens a partir dos 18 anos já possam obter a CDL. O programa prevê que eles trabalharão como aprendizes por 400 horas, sendo pelo menos 240 horas na direção de veículos pesados, sempre acompanhados na cabine por um motorista experiente.

Os caminhões também não serão iguais ao dirigidos por motoristas mais velhos. Eles precisarão ter limitadores de velocidades, tecnologias de segurança, como sistemas para evitar colisões, com frenagem ativa, além de sistemas de vídeo para gravar o motorista e a estrada.

O projeto foi apresentado pelo Senador Todd Young, e é praticamente uma cópia de outro projeto, apresentado em 2019, que não avançou. Boa parte dos americanos é contra uma mudança do tipo, pelo risco de aumento do número de acidentes nas rodovias. Já a American Trucking Association, que representa milhares de transportadora, é totalmente favorável ao projeto, que pode reduzir o número de vagas em aberto no setor.

Hoje, de acordo com a American Trucking Association, são necessários entre 60 mil e 100 mil novos motoristas de caminhão nos Estados Unidos, apenas para suprir a demanda atual. Nos últimos dias, até mesmo filas de navios se formaram em portos por não haver motoristas e caminhões disponíveis para o transporte de cargas.

A idade média nos Estados Unidos para alguém tirar a carteira de motorista profissional é de 35 anos. Estudos mostram que é nessa idade que muitos norte-americanos mudam de profissão, buscando posicionamento em outras carreiras.

A idade média dos caminhoneiros nos Estados Unidos já passa dos 50 anos, e, a cada dia, mais motoristas se aposentam. Porém, tem quem diga que a falta de motoristas no país seja uma falácia.

Para Todd Spencer, presidente da Owner-Operator Independent Drivers Association, a falta de motoristas não é real. O que existe é uma altíssima rotatividade de profisionais, em busca de melhores oportunidades de trabalho. Todos os anos, os estados do país emitem cerca de 450 mil novas CDLs, o que supriria com facilidade a demanda atual.

Empresas de transporte que faturam mais de US$ 30 milhões por ano tem mais de 92% de rotatividade de profissionais, muito acima da média norte-americana, de 57,3% atualmente. A grande rotatividade também se deve às condições de trabalho.

“Temos milhões de pessoas que foram treinadas para ser motoristas de caminhão pesado que atualmente não estão trabalhando como motoristas de caminhão pesado porque os empregos básicos são terríveis”, disse Steve Viscelli , sociólogo da Universidade da Pensilvânia.

Além de viagens longas e muito tempo fora de casa, a maioria dos caminhoneiros recebe por milhas rodadas, o que garante um salário médio de US$ 47.130 em operações de longas distâncias. Apesar de algumas empresas pagarem até o dobro disso, o número de vagas nessas operações ainda é limitado.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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