Snow Cruiser – O gigantesco explorador da Antártida perdido para sempre

por Blog do Caminhoneiro

Na década de 1930 ainda haviam muitos locais do planeta quase que totalmente inexplorados. Por isso, ideias interessantes para levar pessoas a esses locais remotos conseguiam financiamento de forma relativamente fácil. Um desses casos é o do gigantesco veículo de neve Snow Cruiser.

Medindo 17 metros de comprimento, 6,1 metros de largura e 4,9 metros de altura, o veículo explorador deveria ser usado para conhecer cada metro quadrado do continente Antártico, no sul do planeta. Ele foi projetado e construído entre 1937 e 1939 por Thomas Poulter, um bem-sucedido explorador, e pela Fundação de Pesquisa do Armor Institute of Technology, o veículo funcionou a primeira vez no final de 1939, na região de Chicago.

Depois de pronto, viajou por mais de 1.600 km por rodovias dos Estados Unidos, até chegar ao Boston Army Wharf, onde seria finalmente embarcado para a Antártida. Porém, os problemas com o grandão já começaram nessa viagem.

Construído sem ter sido testado, o veículo logo apresentou os primeiros problemas, principalmente no sistema de direção. Com a quebra desse sistema, ao passar por uma ponte, acabou caindo dentro de um riacho, onde ficou por três dias até ser resgatado.

No dia 15 de novembro de 1939, o Snow Cruiser foi finalmente embarcado no navio North Star USCGC. Devido ao tamanho, uma parte do veículo, da traseira, precisou ser desmontada para caber dentro do navio. Ao chegar À região de Little America, na Baía das Baleias, na Antártida, outro problema: Como descer do navio um veículo tão grande?

Uma rampa de madeira precisou ser construída para isso, e quando começaram a descer o Snow Cruiser, parte dela se quebrou. Depois de muito trabalho, conseguiram finalmente colocar o monstro sobre a neve. Então, outro problema apareceu. Mesmo acelerando, ele não se movia. Como os gigantescos pneus eram lisos, não conseguiam tracionar sobre a neve, chegando a afundar quase 1 metro.

Os dois pneus estepes foram instalados nas rodas dianteiras e correntes foram colocadas nos pneus traseiros, mas ele se movia muito lentamente. Foi quando os envolvidos no projeto notaram que ele se andava mais rapido de ré. Por isso, cerca de 148 km da primeira parte da viagem foram feitos em marcha-à-ré.

Com o amplo tamanho, o Snow Cruiser recebia um avião biplano Beechcraft Model 17 Staggerwing, para cinco passageiros, que ficava posicionado no teto do veículo. Ele era subido e descido do Snow Cruiser por um sistema de cabos, e o avião decolava da neve.

Esse avião foi importante para levantamento aéreo de muitos locais da Antártida, com fotografias e mapas. Dentro dele, os cientistas realizaram dezenas de experimentos, como testes sismológicos e com amostras de gelo.

Por dentro, o Snow Cruiser era quase um hotel, muito confortável para a equipe de cientistas. Os dois motores diesel Cummins H-6, de 11 litros de cilindrada cada um, acoplados a geradores, alimentavam quatro motores elétricos, que estavam instalados em cada uma das rodas. Todo o calor gerado pelos motores era aproveitado dentro do próprio veículo, e a tripulação precisava de roupas leves e apenas um cobertor para dormir.

Todo o excesso de energia produzido pelos motores era armazenado em baterias, que era usada para iluminação e uso de outros equipamentos dentro da cabine.

Como já citado neste texto, esse veículo era dificil de ser usado na neve, principalmente pelos pneus serem lisos e não oferecerem tração suficiente. A partir de 1941, quando os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, o financiamento para a operação do gigante acabou, e o Snow Cruiser foi abandonado na Antártida.

Durante uma operação em 1946, o veículo foi redescoberto, com uma camada de neve sobre ele. Uma vara de bambu com uma bandeira marcava a localização. Posteriormente, foi achado novamente, em 1958, com mais de 7 metros de neve sobre ele. Por dentro, o veículo estava exatamente como no dia que a tripulação havia deixado o veículo lá, 17 anos antes.

Desde então, nunca mais se soube nada sobre o veículo. Especula-se que possa ter sido levado para a União Soviética durante a Guerra Fria, ou também que tenha caído no Oceano Atlântico, devido à movimentação das placas de gelo. Como pode ser visto na imagem acima, que mostra parte de um gigantesco iceberg, com caixas e lonas presas ao gelo que podem ter sido do Snow Cruiser, estava boiando no Oceano. Ou seja, é mais provável que esteja descansando no fundo do mar.

Independente do que tenha acontecido, parece que o Snow Cruiser se tornou apenas uma história.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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