Entenda o padrão de nomenclatura das rodovias federais do Brasil

por Blog do Caminhoneiro

Você, caminhoneiro brasileiro, já rodou por quantas BRs em sua rotina nas estradas? O Brasil é um país continental, cortado por mais de 210 mil quilômetros de estradas pavimentadas, e cerca de 1,3 milhão sem pavimentação. E dezenas de milhares de quilômetros dessas rodovias são BRs, as rodovias federais que estão em todos os locais do país.

As BRs são sempre rodovias federais, administradas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), que podem ser geridas pelo poder público ou empresas privadas, as concessionárias, quando o trecho for pedagiado. O nome das rodovias é sempre BR-XXX, com três algarismos, que não são escolhidos por acaso.

O primeiro número significa a categoria da rodovia, e os outros dois definem a posição da rodovia, a partir da orientação geral, relativamente à Capital Federal e aos limites do País (Norte, Sul, Leste e Oeste).

Rodovias Radiais

O primeiro tipo de rodovia são as radiais. Elas começam na capital federal, Brasília, e seguem para os extremos do país. Por exemplo, as rodovias BR-070 e BR-040. Sempre que a rodovia foi iniciada em Brasília, o primeiro número será um Zero, seguido de dois números que indicam a posição da estrada em relação à capital, que são usados como se fossem um relógio, começando na posição 005, que seria uma rodovia exatamente para o norte de Brasília, até 095, que fecharia a volta em sentido horário. Uma rodovia seguindo de Brasília exatamente para o Sul, é a BR-050.

Existem atualmente oito rodovias radiais, com mais de 10 mil quilômetros de extensão total.

Rodovias Longitudinais

O outro tipo de BRs são as longitudinais. Elas cortam o Brasil de Norte a Sul, e sempre recebem, como primeiro algarismo, o número UM. Quando a rodovia foi mais para o leste, ou litoral, a rodovia recebe a menor numeração, que começa em 00 até 50, em Brasília, e continua entre 50 e 99 mais para oeste da capital federal. As rodovias mais conhecidas desse tipo são a BR-101, BR-116 e BR-153, por exemplo. O DNIT lista 14 rodovias longitudinais.

Rodovias Transversais

O terceiro tipo são as rodovias transversais, que cortam o país de Leste para Oeste. Nesse caso, as rodovias sempre recebem como primeiro algarismo um número DOIS, seguidos por números que vão de 00 a 99, conforme a posição da rodovia. Quanto mais ao norte, menor o número.

As BRs 230, 262 e 290 são rodovias transversais, assim como outras 17.

Rodovias Diagonais

Outras rodovias recebem como primeiro algarismo um número 3. Nesse caso, essas rodovias são diagonais, seguindo nos sentidos Noroeste-Sudeste ou Nordeste-Sudoeste. Nesse caso, os dois outros algarismos são indicados por números pares ou ímpares, de acordo com a orientação da rodovia.

Quando a numeração é par, a rodovia segue de Noroeste-Sudeste, como a rodovia BR-364. Os números vão de 00, no extremo Nordeste do país, a 50, em Brasília, e de 50 a 98, no extremo Sudoeste.

Quando o número 3 é seguido de números ímpares, a rodovia segue no sentido Nordeste-Sudoeste. É o caso da BR-381. A numeração, nesse caso, varia de 301 a 399, conforme a posição da rodovia. O DNIT enumera 30 rodovias diagonais em seu site.

Rodovias de Ligação

O último tipo de rodovias recebe como primeiro algarismo o número 4. É o caso das rodovias de ligação, que seguem em geralmente ligando rodovias federais, ou pelo menos uma rodovia federal a cidades ou pontos importantes ou ainda às fronteiras internacionais.

O primeiro número é sempre um 4, seguido de 00 a 50, se a rodovia estiver ao norte do paralelo da Capital Federal, e 50 a 99, se estiver ao sul de Brasília. Como exemplos, podemos citar as rodovias BR-470, BR-488, BR-401, entre outra. O DNIT enumera 77 rodovias de ligação em seu site.

Rodovias que se juntam

Em alguns casos, você está rodando por uma rodovia, e, sem sair dela, o nome muda. Isso acontece quando as rodovias se sobrepõem umas às outras. Geralmente, se usa o nome da rodovia de maior importância, aquela que tem um volume de tráfego maior, para o nome do trecho em que elas correm juntas.

Quilometragem

Outro detalhe interessante é a marcação de quilometragem das rodovias. Sempre que a rodovia atravessa a divisa dos estados, é iniciada uma nova marcação, sempre começando do zero. Isso significa que a quilometragem não é cumulativa.

O sentido da quilometragem sempre se dá conforme abaixo:

Rododovias Radiais – o sentido de quilometragem vai do Anel Rodoviário de Brasília em direção aos extremos do país, e tendo o quilometro zero de cada estado no ponto da rodovia mais próximo à capital federal.

Rodovias Longitudinais – o sentido de quilometragem vai do norte para o sul. As únicas exceções deste caso são as BR-163 e BR-174, que tem o sentido de quilometragem do sul para o norte.

Rodovias Tranversais – o sentido de quilometragem vai do leste para o oeste.

Rodovias Diagonais – a quilometragem se inicia no ponto mais ao norte da rodovia indo em direção ao ponto mais ao sul. Como exceções podemos citar as BR-307, BR-364 e BR-392.

Rodovias de Ligação – geralmente a contagem da quilometragem segue do ponto mais ao norte da rodovia para o ponto mais ao sul. No caso de ligação entre duas rodovias federais, a quilometragem começa na rodovia de maior importância.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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