Depois de acidente, caminhoneiro que ficou paraplégico lutou para conseguir que cadeirantes pudessem dirigir caminhões

por Blog do Caminhoneiro

Hermes Oliveira da Silva e seu irmão cortavam diversas estradas do país entregando cargas em dupla. Enquanto um estava dormindo na cabine, o outro dirigia. Em uma viagem no ano de 2002, entre Paulínia-SP e Cuiabá-MT, quando passavam pela região de Novo Horizonte-SP, o caminhão, que estava sendo conduzido pelo irmão de Hermes, acabou saindo da estrada e capotou.

Como Hermes estava na cama da cabine, dormindo, acabou sendo arremessado para fora da cabine. Com o acidente, o caminhão pegou fogo, e, por ter sido jogado da cabine, Hermes fraturou a coluna cervical, danificando a medula. O tempo de internamento foi de 30 dias.

Entre 2002 e 2006, depois do acidente, ele fez reabilitação, e, em 2006, tentou renovar a carteira de habilitação categoria E, que tinha até então.

“Quando eu fui renovar a carteira de motorista, o pessoal do Detran falou que não podia renovar como motorista profissional, e que teria que rebaixar a categoria. Eles disseram também que pessoas com “defeito” físico, como estava escrito no formulário, não poderiam exercer atividade remunerada”, disse Hermes em entrevista ao Blog do Caminhoneiro.

Depois da negativa recebida no Detran, como ele participava de um Conselho Municipal em São Paulo, apresentou uma reivindicação, para que pessoas com deficiência pudessem trabalhar naquilo que já sabiam fazer antes de sofrerem o acidente. A solicitação foi enviada para o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), em Brasília.

Depois de algum tempo, no ano de 2007, o texto foi analisado, e a possibilidade de pessoas com deficiência de exercerem atividades remuneradas em veículos foi aprovada. Apesar da possibilidade, ainda havia outro impedimento: Não haviam autoescolas com veículos adaptados para realização de exames práticos.

Para poder fazer a renovação da Categoria E da CNH, Hermes deveria conseguir uma carreta adaptada para realização da prova prática. Com a exigência, ele acabou decidindo rebaixar a categoria da CNH para B, e atualmente trabalha como taxista na cidade Boa Esperança, no Paraná.

Apesar de não conseguir voltar para as estradas, Hermes comemora que a luta dele possibilitou que outras pessoas possam realizar o sonho de dirigir caminhões.

“Eu fiquei muito feliz que essa luta permitiu que muita gente esteja aí trabalhando, como Uber, Taxista e tantos outros”, destacou o ex-caminhoneiro.

Ele não pretende mais voltar a trabalhar como caminhoneiro, mas ainda quer poder dirigir uma carreta, que seja adaptada. Ele também realizou o sonho de terminar uma faculdade, no curso de Administração de Empresas.

Outra conquista foi a conquista da Copa Dolly de Para-Kart, realizada com pilotos cadeirantes.

Hermes também escreveu o livro “Um Motorista Especial de Carreta”, que conta sua história de superação. Ele pode ser adquirido pela internet.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

Deixe um comentário!