HISTÓRIA DA ESTRADA – O CARRETEIRO AGREGADO

Imagem Divulgação

Mercedes Benz, negro como breu.
Imponente e poderoso cavalo de aço.
A velocidade faz chorar cada pneu.
Corre pela noite como meteoro pelo espaço.

Ano mil novecentos e sessenta e oito.
Terceiro eixo e espaçosa cabine leito.
Semirreboque baú carga de biscoito.
Para qualquer trabalho, foi feito.

O carreteiro cujo nome é Maxwell.
Trabalhou muito para deixá-lo assim.
Com a carreta, cumpre seu papel.
Estradeiro arrumado ficou enfim.

Qualquer carga no semirreboque carrega.
Viaja para todos os lugares do Brasil.
Não importa qual é o frete, ele pega.
Mal a carga é embarcada, ele já partiu.

Sai de madrugada e roda o dia inteiro.
Se precisar, vira à noite viajando também.
Sabe que dirige o melhor estradeiro.
Valoroso cavalo Mercedes Benz.

Se durante a madrugada ele viaja.
E percebe algum veículo suspeito.
A carreta serpenteia como uma naja.
O trinta e oito em cima do banco direito.

Mercedes Benz trezentos e trinta e um.
Outros motoristas não acreditam ao vê-lo.
Cavalo igual, não há nenhum.
Maxwell trata-o com todo zelo.

Cavalo com mais de cinquenta anos.
Nessa idade, homens estão aposentados.
Para esse bruto, Maxwell tinha planos.
Seriam ainda muitos quilômetros rodados.

Maxwell tinha uma bela prima
Viveram proibido romance.
Não ter dado certo, ainda lastima.
Laços de sangue não lhe deram chance.

No curto período de namoro.
Amavam-se na cabine do Mercedes.
Descobertos, término, conteve o choro.
Ela pensava nele entre quatro paredes.

Heloísa, era o nome dessa prima.
Casou-se com um caminhoneiro.
De outras mulheres, dava em cima.
Era preguiçoso e desordeiro.

Maxwell não gostava de Olavo.
Via que ele não era bom marido.
Com Heloísa, estúpido e bravo.
Para não a agredir já fora contido.

Heloísa conversava com Maxwell.
Defendia-o, mesmo maltratada.
Seu primo o achava homem cruel.
Ela merecia ser amada.

Maxwell agregou sua carreta.
Assim não viajaria para longe.
Temia entre o casal alguma treta.
Olavo não era nenhum monge.

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Transportando derivados de petróleo.
Cada dia indo a uma cidade ali perto.
Levando gasolina, querosene, óleo.
Dinheiro garantido e frete certo.

Olavo engordou o olho.
O frete de Maxwell, ele cobiça.
Para o CEASA levava repolho.
De viajar para longe, tinha preguiça.

Maxwell precisava de uma pausa.
Heloísa disse que o marido ajudaria.
Isso tudo por sua causa.
O rapaz, vantagem nisso não via.

Para agradar sua prima Heloísa.
Pelo que sentia ainda pela menina.
Disse ser uma decisão precisa.
Uma semana passaria em Teresina.

Olavo tinha um cavalo novo.
Mas não cuidava da manutenção.
Na estrada achava os outros um estorvo.
Forçava demais seu caminhão.

Quando Maxwell voltou à ativa.
Seu contratante fez acordo com Olavo.
Custaria caro sua atitude afetiva.
Por Heloísa não monstraria desagravo.

O contratante disse não ser pessoal.
Pagaria menos a Olavo, só negócio.
Achou que Maxwell ficaria muito mal.
O carreteiro não estaria no ócio.

Ligou para antigos contatos.
Logo já estava na rodagem.
Não há argumentos contra fatos.
Maxwell encarava qualquer viagem.

Quando Heloísa de tudo soube.
Que o marido fora desleal.
De revolta e mágoa não se coube.
Disse a ele que tudo chegara ao final.

Deu no seu casamento um basta.
Relação passional e abusiva.
Tantos erros dele, a união ficou gasta.
Mandou-o embora a Heloísa.

Ligou para seu primo, pediu desculpa.
Maxwell disse para não se preocupar.
Além disso, aquilo não fora sua culpa.
Olavo, com aquilo não iria prosperar.

Maxwell e Heloisa ficaram mais próximos.
Se encontravam entre uma e outra viagem.
Para ele, os negócios estavam ótimos.
De ficar parado, não dava nenhuma margem.

O Mercedes Benz, cavalo de aço.
Cumpria com dignidade sua sina.
Maxwell carreteiro bom de braço.
Não ia mais sozinho na cabina.

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Heloísa passou a acompanhá-lo.
Ele mantinha por ela o respeito.
Dormiam a bordo do cavalo.
Abraçados na cama da cabine-leito.

Ele conteve seu ímpeto de homem.
Ela confiava no primo carreteiro.
Os sentimentos a ambos consomem.
Mas precisavam resolver tudo primeiro.

Ela ainda estava casada legalmente.
Olavo perdeu o frete que roubou.
Voltar para a esposa, tinha em mente.
Aquela separação não aceitou.

O contratante ligou para Maxwell.
Queria novamente seu serviço.
Fora deixado sem aviso, ao léu.
Olavo causou um grande rebuliço.

Desesperado estava o contratante.
Precisava de quem conhecia o roteiro.
Entregas para serem feitas naquele instante.
Tinha tentado sem sucesso outro carreteiro.

Maxwell falou que aceitava sim.
Mas o frete teria de ser reajustado.
O contratante: “Fica difícil para mim”.
“Esse valor ficará muito pesado”.

Maxwell não estava preocupado.
Já tinha carga a ser transportada.
Pelo contratante foi sacaneado.
Respondeu: “Ou é isso, ou nada”.

Naquele mesmo dia ensolarado.
Semirreboque tanque de combustível.
Pelo Mercedes Benz era puxado.
Alegria de Maxwell era visível.

Voltava a ter seu bruto agregado.
Mas não deixou de manter contatos.
Sabia do valor de seu Mercedes trucado.
De honrar compromissos e contratos.

Heloísa conseguiu o divórcio.
Finalmente estava livre de Olavo.
Em vez de trabalhar, ele preferia o ócio.
Dele, ela não queria nenhum centavo.

Maxwell se declarou a Heloísa.
Queria com ela construir familia.
Quem ama de verdade, valoriza.
De sua companhia, hoje partilha.

Autor: Roberto Dias Alvares

Rafael Brusque - Blog do Caminhoneiro

Nascido e criado na margem de uma importante rodovia paranaense, apaixonado por caminhões e por tudo movido a diesel.

Um comentário em “HISTÓRIA DA ESTRADA – O CARRETEIRO AGREGADO

  1. História que mistura romance e a importância de ser honesto em tudo que faz.

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