SURPRESAS DA VIDA – Caminhão Fiat 140 6×2

por Blog do Caminhoneiro

Fiat 140H

Grupo familiar bem unido,
Mãe e esposa, Dona Mariza
Senhor Cláudio, bom pai e marido.
Os dois filhos, Manoel e Eliza.

Senhor Mario, vovôzinho,
pai do senhor Cláudio era.
Vivia ali no seu cantinho.
Parecia da morte à espera.

Tinha também um cão
que era muito estimado.
Era chamado de Leão,
vira-latas, mas bem cuidado.

Senhor Mario foi caminhoneiro.
Caminhão Fiat 140 dirigia.
Viúvo, passava o tempo inteiro
preocupado com sua aposentadoria.

Podia se ver no olhar um brilho.
Dava para sentir a emoção,
quando dizia a Cláudio, seu filho
que lhe daria um novo caminhão.

Seu filho não levava a sério
mas procurava não contrariar.
O que fazia com o dinheiro, mistério.
Mas ninguém ousava lhe perguntar.

Ninguém da família sabia
do dinheiro o que era feito.
Seu neto ao banco com ele ia.
Mas até isso já não era afeito.

Antes gostava de contar história.
Era animado, disposto e vibrante.
Depois que perdera a memória,
seu olhar ficou vago e distante.

Senhor Cláudio trabalhava
fazendo frete, puxando mudança.
No seu íntimo ele sonhava
e trocar o caminhão tinha esperança.

O Fiat cento e quarenta era
um caminhão forte e valente.
Quando novo, na estrada uma fera.
Agora se arrastava decadente.

Quando senhor Mario parou de dirigir
para seu filho Cláudio deu o bruto.
O caminho de seu pai jurou seguir.
A paixão por caminhões, o maior fruto.

Senhor Mario veio então a falecer.
A família ficou muito entristecida.
Lamentaram por isso acontecer.
Foi sempre uma pessoa querida.

Doaram sua roupa em ato de caridade.
Deixara boas obras como herança.
Ele próprio gostaria disso na verdade.
Sempre tivera alma de criança.

O Fiat cento e quarenta certo dia
já esgotado, fundiu, abriu o bico.
Senhor Cláudio o que fazer não sabia
afinal não era um homem rico.

Não valia a pena o conserto.
Comprar um novo, não podia.
Como sair desse aperto,
sinceramente ele não sabia.

A esposa pediu a Cláudio um favor
enquanto ele buscava uma solução.
No quarto de seu pai forte odor.
Que desse um jeito no colchão.

Realmente aquele colchão
não tinha mais condições de uso.
Não servia nem para doação.
Fazer isso seria um abuso.

Levaram o colchão para fora
para ser totalmente queimado.
Fariam isso naquela mesma hora.
Para isso, Manoel foi chamado.

Aquele dia de brilhante sol
naquela atividade não tinham pressa.
Jogaram sobre o colchão etanol
para que queimasse mais depressa.

Quando o fósforo foi aceso
para no colchão ser jogado,
um vento soprou indefeso
e o fósforo foi apagado.

Quando outro fósforo foi riscado
para enfim incinerar o colchão.
Pulou sobre ele todo animado
o cachorro vira-latas Leão.

Não puderam incendiá-lo
com aquele cachorro sobre o colchão.
Tentaram de lá retirá-lo.
Gritaram para chamar sua atenção.

O cão fazendo farra
mordia e arranhava o pano.
Teria de ser tirado na marra.
Com a cauda provocativo abano.

Dentes cravados no tecido
Manoel puxou o seu cão.
Aquele pano já carcomido
rasgou preso nos dentes do Leão.

A queima do colchão uma novela
finalmente teria seu desfecho.
Que imensa surpresa foi aquela
de todos caiu o queixo.

Dentro daquele velho colchão
servindo-lhe de recheio
de dinheiro uma imensidão.
Notas de cem estava bem cheio.

Senhor Cláudio não acreditava
Naquilo que a sua frente via.
O senhor Mario ao colchão usava
para guardar dinheiro da aposentadoria.

Quando terminaram de contar
o dinheiro que tinha no colchão,
dava para senhor Cláudio comprar
um belo e novo caminhão.

Em meio àquele erário,
viram um envelope lacrado.
uma carta deixada por seu Mario.
Senhor Cláudio leu emocionado.

Nesta carta ele dizia;
o dinheiro dentro do colchão
ao seu filho Cláudio deixaria
para comprar um novo caminhão.

Senhor Cláudio ajoelhado
a seu pai agradecia e chorava.
Por Deus era um homem abençoado.
Finalmente seu sonho realizava.

Foi até uma concessionária
em uma bolsa imenso valor.
Saiu dirigindo máquina extraordinária:
Belo caminhão Iveco Tector.

Estava um verdadeiro cacareco,
seu velho e pobre caminhão.
Agora, a bordo de seu Iveco,
não se continha de emoção.

Com a esposa ao seu lado
e os filhos atrás na cama leito.
Cláudio sentia-se realizado.
Afinal de ser feliz tinha direito.

Senhor Cláudio e seus familiares
prosperaram com muito trabalho.
O bruto novo ia para todos os lugares,
sem preocupar-se com quebra-galho.

Autor: Roberto Dias Álvares

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