A CASA ASSOMBRADA – Ford F-13.000 6×2

por Blog do Caminhoneiro

Sebastião era caminhoneiro
dirigia um Ford F treze mil.
Na carroceria um graneleiro,
rodava por todo o Brasil.

Levando carga de algodão
por uma lona protegida.
Seguia tranquilo o Sebastião,
trabalhando feliz da vida.

Querendo adiantar a viagem
adentrou a noite dirigindo.
Caia chuva sem dar margem.
Vencer as distâncias conseguindo.

Além da chuva, raios e trovões
Tornavam o céu ameaçador.
Difícil seguir nestas condições.
O tempo estava assustador.

Decidiu que faria uma parada
mas à estrada estava deserta.
A chuva não o deixava ver nada.
Tinha de manter-se atento e alerta.

Andando a cinquenta por hora
um raio que iluminou a escuridão,
parou da pista do lado de fora
pois viu imenso e velho casarão.

Não havia nenhuma luz acesa,
bateu na porta sem demora.
Qual não foi sua surpresa,
atendido por uma velha senhora.

Pediu que entrasse o Sebastião
e que poderia ficar a vontade.
Ali dentro, brilho pálido de lampião.
Lugar muito antigo na verdade.

A chuva caia forte e intensa,
por trovões e raios acompanhada.
Aquela velha com bondade imensa
para oferecer-lhe não tinha quase nada.

Sentou-se com ela á mesa.
Assim falou a velhinha:
“Estou há anos aqui presa
completamente sozinha”.

Tomaram chá com pão
e depois de um bocejo
estava com sono o Sebastião.
Recebeu da velhinha um beijo.

Sebastião muito agradecido
estava cansado e com preguiça.
Da velha senhora recebeu pedido.
Para ela mandasse rezar uma missa.

A velhinha disse: “Boa noite meu filho”.
Ao seu quarto recolheu-se para descanso.
Afastava-se lentamente o fraco brilho.
Lampião balançava suave e manso.

Sebastião achou o pedido estranho
mas para ela fez a promessa.
Seu esforço não teria tamanho
para que a missa ocorresse depressa.

Cheio de palha o colchão,
dormiu rapidamente.
Acordou no outro dia o Sebastião.
Havia uma pessoa a sua frente.

Olhou em volta e nada viu.
Dormia sobre um gramado.
Aquele casarão imenso sumiu.
Um homem o olhava admirado.

Levantou-se de um salto
e a seu redor ele olhou.
O caminhão próximo do asfalto.
Ao recém-chegado perguntou.

“Onde está o casarão,
e aquela senhora bondosa”?
O homem o olhava com admiração.
Quis saber se era mulher idosa.

Sebastião respondeu positivamente.
E que um casarão havia no local.
Dormira nele tranquilamente,
escapando daquele temporal.

O homem respondeu a Sebastião
que há muito tempo atrás
ali morava uma velha em um casarão.
Mas nenhum dos dois existia mais.

O casarão fora demolido
e a velhinha que ali vivia,
há anos já tinha morrido.
Nada daquilo mais existia.

Sebastião achou ser brincadeira
mas nenhum vestígio do casarão.
Apenas gramado e uma capoeira,
ali próximo é o que tinha sua visão.

Ao homem contou o acontecido.
Buscara o casarão devido à tempestade.
Aquele senhor achou-o doido varrido.
Mas Sebastião jurava ser verdade.

Subiu em seu caminhão
e parou na próxima cidade.
Pediu em um bar informação.
Queria descobrir a verdade.

Mostraram-lhe um rapaz
que era neto da senhora.
Sebastião inquieto sem paz
foi falar com ele na mesma hora.

A um rapaz que trabalhava no posto,
contou tudo que havia acontecido.
Do jovem correu uma lágrima do rosto.
Disse que há anos sua avó tinha morrido.

Para esclarecer este mistério
saíram de caminhão àquela altura.
Iriam até o cemitério.
Da idosa lhe mostraria a sepultura.

Ao ver na lápide fria
a imagem de uma idosa.
Sebastião não acreditava no que via.
Era a velhinha gentil e caridosa.

O rapaz que era dela o neto
disse que sua avó era mulher radiante.
Bondosa viúva de caráter reto.
fora assassinada por cruel viajante.

Algumas pessoas já tinham visto
de madrugada, ali um casarão.
Mas quando escutava delas isso,
achava que era apenas uma ilusão.

Quando a história se espalhou
de um forasteiro que vira o casarão.
A pequena comunidade se assustou.
Causou verdadeira comoção.

Antes de ir embora da cidade
Sebastião com o padre conversou.
Mesmo morta dera-lhe hospitalidade.
Uma missa pela sua alma encomendou.

Sebastião nunca mais voltou
a fazer viagem àquela região.
Dizem que após missa que se rezou
ninguém mais viu a idosa e o casarão.

ROBERTO DIAS ALVARES

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