Governo não teme greve de caminhoneiros convocada para fevereiro

por Blog do Caminhoneiro

Nas redes sociais começaram a se espalhar recentemente informações de uma suposta greve de caminhoneiros, que poderá ser iniciada em 1º de fevereiro, e entre outras pautas, pede a redução do diesel, pagamento do valor do frete conforme a tabela da ANTT e Código Identificador da Operação de Transporte (Ciot para todos).

Apesar da movimentação dos caminhoneiros, que é monitorada pelo governo, uma nova paralisação total, como aconteceu em 2018 é descartada. Segundo o Ministério da Infraestrutura, além do bom relacionamento com os caminhoneiros atualmente, não existe adesão suficiente para uma paralisação forte.

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), entidade de grau máximo na representação dos caminhoneiros autônomos, também já se posicionou contra o movimento.

A entidade publicou uma nota em que diz que segue o parecer emitido por toda a sua base representativa, formada por 10 federações e 140 sindicatos de todo o Brasil.

Veja a nota na íntegra abaixo:

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) vem a público se posicionar contrária à convocação de paralisação divulgada para ocorrer no dia 1º de fevereiro de 2021.

O posicionamento da entidade, que tem a representação legal da categoria, segue o parecer emitido por toda a sua base representativa, formada por federações e sindicatos de todo território nacional.

A CNTA entende que apesar das dificuldades dos caminhoneiros, este não é o momento ideal para uma paralisação, principalmente, em virtude da delicada realidade que o País está passando. A entidade acredita que o atual cenário é propício para o fortalecimento do trabalho do caminhoneiro e a sua contribuição para o enfrentamento da pandemia.

Dentre os fatores analisados pela entidade para estabelecer tal posição, estão:

I – Pandemia da Covid-19 e seus riscos

  • Uma paralisação pode acarretar aglomeração e aumentar o risco de contaminação dos caminhoneiros, familiares e da população em geral;
  • A paralisação das atividades da categoria afetará a circulação de mercadorias, produtos farmacêuticos, alimentos e insumos para indústria, comércio e agricultura. Tal fato, pode impactar significativamente no combate e tratamento da doença;
  • O impacto no fluxo de mercadorias e matéria-prima pode agravar a situação econômica do País em um momento delicado, gerando incertezas na área da indústria e comércio, prejudicando a geração de emprego e renda.

II – Cenário positivo para o transporte rodoviário de cargas e para o transportador autônomo

  • Início da safra de soja com aumento de área de 3,4%, segundo dados da Conab, o que torna o período um dos melhores para a demanda de trabalho da categoria;
  • O mercado de vendas de caminhões novos e usados altamente aquecido, a falta de caminhoneiros empregados nas transportadoras, além do constante aumento de inclusões de novos registros de caminhoneiros  autônomos na                 ANTT, demonstram que o mercado de transporte rodoviário de cargas está em plena expansão econômica, tornando o cenário com boas perspectivas de oferta  de frete para o caminhoneiro.

III – Relacionamento com o Governo

  • O transporte rodoviário de cargas tem sido foco de diálogo e projetos constantes pelo Governo. A CNTA foi inserida em diversas discussões que possibilitaram uma abertura de diálogo inédita com apresentação de demandas específicas que beneficiarão o caminhoneiro autônomo.

IV – Sobre a convocação de uma greve

  • A decisão sobre eventual paralisação é prerrogativa exclusiva da categoria, manifestada em assembleias geral especialmente convocada para este fim e formalizada por uma entidade legalmente constituída (sindicatos);
  • Uma greve deve ser pautada pelo interesse coletivo da categoria e não por interesses pessoais e políticos de indivíduos com fins de autopromoção;
  • A entidade enfatiza que o caminhoneiro pode e deve procurar a solução de muitas das suas insatisfações de modo regional. Para isso, a categoria pode contar com o apoio e atuação das entidades representativas, como sindicatos e federações.
  • A CNTA também ressalta a necessidade de que haja responsabilidade na divulgação sobre uma paralisação, pois tal decisão pode causar instabilidade e insegurança na categoria e na população de modo geral, e isto, pode ter um resultado contrário ao objetivo da promoção de uma greve.

Por fim, a CNTA tem como obrigação esclarecer e tornar público os fatos, evitando ansiedade e sofrimentos adicionais desnecessários da categoria bem como de toda a sociedade brasileira, além dos já enfrentados durante esta pandemia.

A entidade sempre apoiará movimentos que reflitam os interesses coletivos e a vontade da maioria da categoria seguindo o respeito à ordem pública, as instituições, as leis e a sociedade como um todo.

A CNTA acredita que a deflagração de uma greve, especialmente de caminhoneiros, deve ocorrer somente quando esgotadas todas as alternativas plausíveis de discussão e negociação.

Rafael Brusque – Blog do Caminhoneiro

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5 comentários

Vinícius Feliciano da Silva 23/01/2021 - 10:09

Eu não apoio , porquê todas essas greves que teve nunca foi revindicado nada para nós caminhoneiros funcionários ,a diária não dá para se manter muitos tem que cozinhar ,o salário tá defasado e ninguém nunca fala nada se vai pedir a melhora dos autonomos então peça para toda a categoria porque a união faz a força e não está fácil pra ninguém

Zé Cueca 22/01/2021 - 21:02

Caro Gabriel, infelizmente essa retorica é antiguíssima, quem está com a corda no “pescoço” somos nós e os políticos dormindo em berço esplendido!
Enquanto pensarmos assim, o diesel continua aumentado semanalmente e o governo tem poder sim em controlar o preço!
Hoje abasteci no norte de minas a 4,18, claro que coloquei o suficiente para chegar até um posto onde estava em melhor condição!
O que o governo está fazendo é; zerar impostos para pneus importados e somente para empresas é a prova que esse governo não fala a mesma linguagem do caminhoneiro!
Pura enganação, pois pneus é somente um item que impacta no custo do transporte e não é o maior custo!
O que verdadeiramente está levando todo o nosso lucro é o combustível e, esse combustível é que o governo aumenta descaradamente para beneficiar as empresas multinacionais que estão infestando a nossa terra!
Só para um exemplo, se o governo deixar a Petrobras operar com sua capacidade total as refinarias, o custo do nosso combustível ia cair demasiadamente, mas o governo está abaixando a capacidade operacional para até 60 a 70% no sentido de manter o estoque compatível para que as empresas estrangeiras tragam para o Brasil combustível processado lá fora, onde geram empregos e desemprega nosso povo e, diga-se de passagem que é muito ruim, vejamos exemplos no NE, onde abasteci por vários dias e os filtros de combustível saturaram em menos de 10.000km.
Agora ainda vem com essa de zerar imposto para pneus importados!, porquê não zera impostos dos pneus nacionais?
Se fizessem isso ai verdadeiramente estariam contribuindo para uma melhor ajuda aos caminhoneiros do Brasil e aumentado a capacidade geradora de emprego para nossos trabalhadores, o resto é conversa vazia.
Hoje um colega vaio com o mesmo papo que o governo divulga, ou seja; se o pneu importado abaixar o preço, as nacionais terão de abaixar também! Ora bolas, quem disse que os empresários da área não formarão um complô para ganhar ainda mais?
Acorda caminhoneiro!!!!

Zé Cueca 22/01/2021 - 20:57

Muito bem Francisco, é isso mesmo!
A única linguagem que entendem é o emparedando!
A culpa não é minha, eu não votei nele!

Francisco 22/01/2021 - 15:13

Que mundo vcs vivem….sei, o do repasse de fake news, esse é o mundo que vcs vivem, vejam o preco do diesel, e toda as despesas, vcs querem ser enganados, só para nao dar o braço a torcer, só para nao admitir que votaram num presidente sem preparo.

Gabriel dos Santos 21/01/2021 - 15:22

boa tarde sou camioneiro a 37 anos sempre participei de toda as greves quê teve no passado minha opinião eu sou contra a greve no momento de dificuldade quê o mundo está passando com o viros vamos ser humanos não é momento nós tivemos o apoio é carinho da população na última greve vamos ser solidário com a população não vamos fazer essa greve quê estão falando EU NÃO APOIO.

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