Artigo: A Eletrificação de Veículos Pesados – Caminhões

por Blog do Caminhoneiro

Ao contrário dos veículos leves, cujo grau de eletrificação vem crescendo, em um cenário global, agressivamente nos últimos anos, nos veículos comerciais pesados, esse processo vem ocorrendo mais lentamente. No gráfico abaixo vemos a participação por tipo de motorização de veículos pesados (acima de 6 Y, incluindo ônibus) no mercado global.

Em 2020 praticamente todos os veículos vendidos foram a combustão interna (Diesel, Gasolina e Gás Natural) com uma pequena participação dos elétricos puros, quase todos ônibus, a maioria na China.

Em 2032, segundo projeções da KGP Automotive Intelligence, espera-se um forte crescimento em todas as categorias de eletrificação e já mostrando uma fatia importante na tecnologia de célula de combustível (hidrogênio). Essa tecnologia tende a ser a solução futura para longas distâncias.

Esse cenário base leva em conta as legislações e políticas atuais de economia de combustível, redução de emissões e redução de gases do efeito estufa. Os países que estão na frente nesse processo são a China (que definiu que vai atingir a neutralização total de carbono até 2060, além de ter como meta nacional atingir a liderança global em tecnologias de energia sustentável) o bloco europeu e vários estados americanos que seguem as práticas da Califórnia. A China é hoje o país que mais investe em geração de energia renovável.

Temos outros cenários mais agressivos conforme essa legislação e as políticas de redução de gases de efeito estufa venham a ser mais abrangentes.

Há inúmeros fatores que influenciam a mudança tecnológica da motorização, tais como: TCO (custo total de operação), Legislação de Emissões e de Redução de Gases de Efeito Estufa, Demanda por frete, infraestrutura de Carga, Uso de energias renováveis, políticas e incentivos, Zonas de Emissão Zero e Competitividade, entre outros.

A análise desses fatores leva a um direcionamento em que os caminhões de entrega a curta distância (VUCs) e os ônibus urbanos passem a ser os mais adequados a uma implantação rápida. Veículos de longa distância ainda vão usar as tecnologias convencionais por um tempo mais longo até que a solução por células a hidrogênio passe a ser economicamente viável. A totalidade dos países acima citados já possuem planos estratégicos de eletrificação. Mesmo alguns países da América do Sul estão implantando políticas a respeito, como a Colômbia, o Chile e recentemente a Argentina.

No Brasil ainda não temos uma estratégia nessa área e esse assunto nem parece ter prioridade atualmente. O que vemos são algumas inciativas pontuais como por exemplo uma grande empresa de distribuição que em janeiro de 2021 anunciou a aquisição de 10 caminhões elétricos tipo VUC, além de outras empresas que anunciaram planos semelhantes. No caso de longas distâncias, temos no Brasil ainda a possibilidade de aumento do uso de Gás Natural e Biocombustíveis.

No caso de ônibus urbanos vemos também iniciativas ocorrendo em algumas capitais e cidades de médio porte com planos de eletrificar suas frotas nos próximos anos.

A falta de uma política nacional nesse setor dificulta as decisões de investimento, porém vamos acompanhar a evolução dessas iniciativas pontuais que poderá direcionar futuros desenvolvimentos. Por outro lado, o desenvolvimento das iniciativas localizadas poderá direcionar uma futura política.

Artigo de Jomar Napoleão, da Carcon Automotive

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